Notícia

Cruzeiro do Sul

Jogos digitais melhoram o raciocínio

Publicado em 03 março 2017

Por Rodrigo Gasparini

A aposentada Marilene Muraro, de 65 anos, encontrou nos meios digitais uma boa maneira de recordar as brincadeiras que fazia na infância. As aulas na Universidade da Terceira Idade, da Universidade de Sorocaba (Uniso), a ajudaram a aprender a mexer no tablet. Com o aparelho, ela aproveita para brincar e, ao mesmo tempo, desenvolver aspectos como raciocínio rápido e reflexo.

O aposentado Luiz Guilherme Muraro, 66 anos, gosta de jogar cartas. Uma vez por semana, reúne-se com um grupo de amigos para praticar o pôquer, sua disputa preferida (e nunca apostando dinheiro, faz questão de ressaltar). Diariamente, ele senta-se em frente ao computador para a disputa virtual, enfrentando — e conhecendo — jogadores do mundo todo.

Marilene e Luiz Guilherme são casados e aprenderam a usar os jogos virtuais para o próprio lazer. Ela pratica constantemente o Kyodai, uma espécie de jogo da memória. Eventualmente, também se arrisca no jogo da forca ou no caça palavras. “Tem que usar estratégia realmente. Quero sempre me superar. E a gente fica mais ágil, pois você está disputando com você mesma e tem de ser rápida”, conta, enumerando os benefícios da atividade. Além do pôquer, Luiz gosta de outras disputas com cartas, como paciência, paciência spider e freecel. “Os jogos, como o próprio nome diz, requerem paciência, observação. Você tem de estar atento”, diz. No pôquer propriamente dito, são ao menos 10 partidas diárias, numa prática que virou praticamente um ritual familiar: “Enquanto minha esposa assiste novela, estou lá no pôquer.”

Projeto

O casal sorocabano faz parte do público-alvo do projeto que vem sendo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Eles trabalham na criação de uma plataforma de jogos digitais para idosos. Leandro do Amaral, que faz doutorado no ICMC, lembra que tais ferramentas são, via de regra, voltadas à população mais jovem. “Adequar e proporcionar esse tipo de conteúdo aos idosos ainda é um desafio que, se vencido, será um importante instrumento de inclusão social”, acredita.

O projeto recebeu aprovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e receberá até R$ 200 mil nos primeiros nove meses de pesquisa. Ao final do período, os pesquisadores apresentarão um relatório técnico sobre o andamento do projeto. Caso obtenham resultados satisfatórios, o financiamento pode ser renovado por mais dois anos.

Além da parte técnica que envolve a criação da plataforma, o relacionamento humano é outro ganho dos participantes do projeto. “Do ponto de vista acadêmico, os alunos formados em computação saem do curso falando apenas com a máquina. Agora, eles estão começando a ter contato com as pessoas e entender as necessidades do ser humano. Isso trará muitos benefícios e humanizará os cursos da área”, comenta Renata Pontin, professora do ICMC.