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Jornal da Tarde online

Jogadores contarão suas histórias nas copas

Publicado em 05 maio 2011

Por Felipe Tau

Luiz Moraes, de 80 anos, goleiro reserva da Seleção Brasileira na copa de 1954, vai ser o primeiro a ter sua história oral registrada pelo Museu do Futebol, no Pacaembu, no fim do mês. Pelé, Djalma Santos, Didi e Zagallo também devem figurar na lista. A informação é da administração do Museu, que comemorou ontem a marca de um milhão de visitantes.

Segundo a diretora da entidade, Clara Azevedo, o projeto "Futebol, Memória e Patrimônio" - destinado a preservar a obra dos jogadores das seleções brasileiras com presença em copas - começará com os elencos de 1954, 1958 e 1962. Serão colhidas 150 horas de depoimentos até 2012, a serem lançados em livro e DVD. "Vamos começar pelos mais velhos. É uma maneira de garantir suas histórias", afirma Clara.

O projeto é uma parceria do Museu com o centro de documentação da Fundação Getúlio Vargas e conta com verbas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O peruano Italo Stucchi, 6 anos, foi escolhido pela direção do Museu para representar o milionésimo visitante. Ele está com três irmãos e os pais em férias no Brasil. "Visitamos os estádios das cidades que vamos. O Italo adora futebol", diz a mãe, Adina Miranda, 40 anos. "Torço para o Universitario (do Peru) e para o Barcelona", adiantou-se o pequeno, entusiasmado com o kit de canetas, caneca, chaveiro e camiseta que ganhou da organização do Museu.

Com a entrada gratuita às quintas, o local estava cheio de crianças e excursões de escolas, mas também havia adultos embasbacados diante do conteúdo interativo do acervo. "É um sonho", resumiu Yuto Takahashi, 28 anos, enquanto observava os totens com a história das copas do mundo. A sala é a preferida pelos visitantes, segundo pesquisa do Museu.

"O Museu provoca um congraçamento de gerações: é o avô contando para o neto a história da copa de 1950", disse Leonel Kaz, curador da entidade. Foi a história da trágica derrota do Brasil para o Uruguai no Maracanã que mais impressionou a estudante Noemi Rodrigues, 16 anos. O silêncio dos torcedores, representado em um telão em uma sala escura, emocionou a jovem, que desconhecia o episódio. "Me senti dentro do estádio."