Notícia

Comércio do Jahu online

Jauense participa de pesquisa sobre sensor para diabete

Publicado em 05 fevereiro 2017

Por Ana Carolina Monari

Grupo de pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) está desenvolvendo um aparelho que pretende medir o nível de açúcar no sangue de pacientes com diabete pelo hálito. A estudante e pesquisadora jauense Ariadne Cristina Catto, 29 anos, faz parte do Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento de Materiais Funcionais (CDMF) que está construindo o sensor que poderá substituir, em breve, as temidas picadas de agulha no dedo.

O estudo desenvolve um sensor para detecção de acetona. “Buscamos entender porque seria útil e qual seria a aplicação de um sensor de acetona”, comenta Ariadne. Durante a pesquisa foi constatado que o aparelho poderia ser usado para o diagnóstico de diabete.

O intuito é monitorar a enfermidade. “A grande questão é que as pessoas estão confundindo, pensando que iremos medir a glicemia. O diabético tem uma dificuldade de absorver o açúcar e para liberar energia em seu estômago há uma geração de acetona. Ele tem uma concentração maior de acetona no hálito que o não diabético – o não diabético tem entre 0,3 a 0,9 parte por milhão, enquanto o diabético tem acima de 1,8 parte por milhão”, afirma o professor do Departamento de Física da Ufscar Luís Fernando da Silva, 33 anos, que faz parte da equipe.

É por meio desse maior nível de acetona que será possível determinar o nível de glicemia desse paciente. A ideia do sensor de acetona é substituir a “picadinha” necessária para coletar gotículas de sangue para medição da glicemia, uma vez que as moléculas da substância serão detectadas pelo aparelho.

Em parceria com a Universidade de Aix-Marselha, na França, o grupo está desenvolvendo o protótipo. A estudante e pesquisadora jauense cita que, embora o intuito seja a construção do “bafômetro” de acetona, ainda são necessários alguns estudos, como a estabilidade do produto em longo prazo, seu custo e benefícios. O tempo estimado de pesquisa, que é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em conjunto com as três unidades, é de três anos.

“Vai ajudar muito”

Embora não esteja por dentro da pesquisa, o endocrinologista Ieso Braz Saggioro acredita que o sensor de acetona poderá ajudar muito os diabéticos. Ele cita que, muitas vezes, já foi visitar pacientes no hospital e pediu para que eles soltassem o ar pelo nariz para comprovar o cheiro de acetona. “Pelo cheiro, odor no ar, eu já sabia quando a diabete estava descontrolada ou não”, comenta.

O especialista cita que a pesquisa é importante, desde que tenha uma relação direta com a glicose. “Não é apenas o diabético que libera acetona pelo nariz. O próprio jejum faz isso com a gente, principalmente com pessoas acima do peso”, ressalta o médico.

Ciência precisa de mais estímulos

O interesse pela área acadêmica foi algo natural da vida da estudante e pesquisadora Ariadne Cristina Catto. A vontade de seguir o ramo de exatas veio do seu pai, engenheiro e professor. Ela fez licenciatura em física e se envolveu mais com a pesquisa que com a parte didática.

Ela seguiu o mestrado, foi para o doutorado e atualmente faz o pós-doutorado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Araraquara. Para a jovem, a pesquisa é algo fundamental, uma vez que é possível mostrar aplicabilidade no dia a dia das pessoas. “Você contribui para a sociedade”, salienta.

O segmento acadêmico no Brasil ainda é pouco encorajado pela iniciativa pública. Ela cita que o governo precisa estimular os pesquisadores.

Em um momento que o governo estadual está cortando gastos com a área, é uma boa notícia que a pesquisa sobre o sensor de acetona esteja sendo financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).