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Comércio do Jahu

Jaú tem 26 estrangeiros no mercado formal

Publicado em 20 maio 2018

Cerca de 40 imigrantes tinham emprego formal na região em 2016, 26 deles em Jaú. Os dados são do Atlas Temático do Observatório das Migrações em São Paulo, lançado recentemente pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapesp). Sob coordenação da professora doutora da Unicamp Rosana Baeninger, o Projeto Temático Observatório das Migrações em São Paulo registra que, destes 26 imigrantes, 17 são homens e 9 mulheres, 23 deles têm entre 15 e 59 anos e 3 estão na terceira idade. Há argentinos, paraguaios, uruguaios, canadenses, espanhóis, italianos, bolivianos, franceses, entre outras nacionalidades.

As informações derivam das declarações obrigatórias que empresas registradas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) fazem anualmente junto ao sistema eletrônico do Ministério do Trabalho. Esse número, no entanto, está longe de representar os imigrantes que realmente vivem em Jaú. “Entre as limitações observadas nota-se que há possibilidade de dupla-contagem do trabalhador que apresente mais de um registro de trabalho ativo, não abrangência do mercado de trabalho autônomo e informal e possíveis erros de preenchimento do formulário on-line”, explica Rosana, por meio do estudo. O Censo 2010 aponta que, na época, 140 imigrantes viviam em Jaú.

O Censo Escolar revela que 27 alunos estavam matriculados na educação básica em 2017. Ainda assim, é importante ressaltar que algumas das informações apresentadas dizem respeito a quesitos do questionário da amostra do censo demográfico e, portanto, devem ser analisadas enquanto tendências e não a partir de seus valores absolutos.

O Comércio do Jahu conversou com imigrantes que vivem – ou viveram - em Jaú para que compartilhassem com os leitores as motivações que os trouxeram a Jaú, suas impressões do Brasil e dificuldades em viver aqui. Dos cinco entrevistados, nem todos foram registrados no Censo 2010 ou na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) no Ministério do Trabalho, que norteou o Atlas Temático da Unicamp. Histórias A argentina Nora Beatriz Torres Tomas, que se mudou com o marido para o Brasil e teve duas filhas aqui, está em Jaú há 35 anos. Melissa Ann Malacize, do Canadá, casou com um brasileiro e veio para Jaú há 12 anos – ela também constituiu família aqui.

Papa Sufre Fernando Quadé, de Guiné-Bissau, chegou a Jaú em 2013 para cursar administração, mas agora está em Recife por conta de seu mestrado em ciência política. O japonês Genta Iwauchi veio para jogar futebol pelo XV de Jaú e pretende levar para o Japão seus conhecimentos da língua portuguesa. O mais recente morador estrangeiro de Jaú, entre os entrevistados, é o israelense Oran Malka, instrutor de krav magen. A natureza exuberante do Brasil - e até mesmo a quantidade de verde em Jaú - é um dos aspectos que mais surpreendeu positivamente a canadense, o guineense e o israelense que se mudaram para cá. Entre as dificuldades, os estrangeiros citam a comida, o vestuário, a falta de respeito e a pobreza (leia depoimentos).

Ensino do português

A professora doutora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Rosana Baeninger, que coordena o Projeto Temático Observatório das Migrações em São Paulo, afirma que, no século 21, os destinos migratórios se diversificaram e cidades de diferentes tamanhos passaram a compor a rota das migrações internacionais. Ao escolher a cidade onde viver, os imigrantes optam, de um lado, pela própria dinâmica econômica regional (não necessariamente local) e, de outro, por contatos de conterrâneos ou indicação de alguém. “As possibilidades de emprego ainda constituem elemento importante na decisão de migrar, contudo, o conhecimento prévio do lugar ou de conhecidos também influencia na escolha”, afirma Rosana.

Com relação às dificuldades encontradas, a docente acredita que os imigrantes internacionais de menor qualificação profissional e escolaridade enfrentam dificuldades que vão desde o acesso às necessidades básicas como moradia, alimentação e educação até a dificuldade de inserção laboral. “Além destes, a língua é um obstáculo a ser vencido e, portanto, é preciso que as políticas públicas se voltem também para o ensino do português.” (NGP)