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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Japoneses podem usar bioetanol brasileiro para a produção de plásticos

Publicado em 13 outubro 2009

Por Luiz Sugimoto

Empresas japonesas poderão usar o bioetanol brasileiro como matéria-prima para a produção de plásticos, em substituição ao petróleo. A notícia foi dada pelo professor Carlos Suzuki, da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp e que integra a comissão organizadora do VII Workshop Brasil-Japão sobre Energia Renovável, Desenvolvimento Sustentável e Mobilidade Estudantil, que começou ontem e termina nesta quarta-feira, no Centro de Convenções.

"Este workshop é um evento bilateral que cresce a cada ano e, nessa sétima edição, contamos com a participação de um consórcio de grandes empresas que acenam com projetos de grande magnitude no sentido de substituir o polipropileno e outros plásticos utilizando o nosso bioetanol", afirmou Suzuki. O docente acabava de sair de uma reunião fechada para tratar do assunto, realizada no intervalo após a abertura do evento.

Da reunião participaram Fernando Ferreira Costa, reitor da Unicamp; Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp; Marco Aurelio Pinheiro Lima, diretor do Centro de Ciência e Tecnologia de Bioetanol; e representantes da Toyota, Sumitomo Chemical, Idemitsu Kosan e Japan Chemical Innovation Institute. "Foi uma primeira aproximação, mas devido ao grande interesse de ambas as partes pela ideia, certamente ela renderá muitos frutos. O bioetanol é estratégico para o Brasil e eventos como este, envolvendo universidades e empresas, servem como catalisadores", acrescentou Suzuki.

Pouco antes, em outra sala fechada, o reitor Fernando Costa conversou com o professor Kenji Furukawa, vice-reitor da Universidade de Kumamoto, sobre um acordo de mobilidade estudantil envolvendo mestrandos e doutorandos. Presente ao encontro, o professor Ademar Yamanaka, coordenador do Gastrocentro da Unicamp, informou que esta universidade está entre as dez melhores do Japão. "A instituição é forte em engenharia e na área médica. O intercâmbio de alunos ainda vai ser detalhado pela Cori [Coordenadoria de Relações Institucionais e Internacionais]".

A delegação japonesa veio composta também por representantes das universidades de Gifu e de Tóquio, além da Agência de Ciência e Tecnologia Industrial do governo japonês. Segundo o professor Carlos Suzuki, a temática da mobilidade estudantil foi incluída pela primeira vez no evento. "A Unicamp tem como meta que 30% dos seus alunos ganhem experiência internacional. Parece ambicioso, mas esse índice já ultrapassou os 11%. Como mais um incentivo, a Reitoria vai premiar os dois melhores trabalhos apresentados no workshop com estágios no Japão".

Palestras

Em sua palestra pela manhã, o reitor Fernando Costa explanou sobre o planejamento ambiental e sustentável adotado pela Unicamp para os próximos anos, como controle de lixos tóxicos, principalmente biológicos e radioativos; programa de substituição de amianto; treinamento da comunidade universitária; coleta da água da chuva para irrigação do campus. "A Unicamp é uma das únicas universidades do país que possuem um comitê de ética ambiental: todos os programas de pesquisa precisam de sua aprovação antes de colocados em prática".

Costa também falou das ações da Unicamp na área da saúde, oferecendo detalhes do complexo hospitalar principalmente aos visitantes japoneses. "Embora o Brasil seja um país em desenvolvimento, as doenças são similares às de países desenvolvidos. Existem 123 hospitais universitários associados ao SUS, que atendem 43% dos procedimentos mais complexos. Somos os únicos que prestam esse tipo de atendimento, como transplantes, para uma região com seis milhões de habitantes".

Carlos Henrique de Brito Cruz, outro palestrante da manhã, explicou a estratégia para a pesquisa em bioenergia que a Fapesp está montando nos últimos três anos para o Estado de São Paulo. "Quase a metade da energia usada no Brasil vem de fontes renováveis: o percentual é de 46%, contra uma média mundial de 13% (inflacionada pelo uso da lenha de florestas) e de 6% nos países industrializados. Desses 46%, 15% vêm da cana-de-açúcar. Nenhum outro país é capaz de plantar hoje a energia que vai usar daqui a um ano".