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Jacob Palis: Academia indicará vice-presidentes regionais "com marcada responsabilidade em suas áreas geográficas"

Publicado em 19 abril 2007

"A ABC criará a categoria de membros afiliados, com a indicação a cada ano pelas vice-presidências regionais de cinco deles, dentre os mais talentosos jovens cientistas em cada região, por um período de cinco anos não-renovável"

Leia a íntegra do discurso do novo presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis, durante sua posse, nesta quarta-feira à noite:

"Academia Brasileira de Ciências: Novos Desafios

Acabamos, meus colegas Hernan Chaimovich, Iván Izquierdo, Luiz Davidovich, Evando Mirra, Jerson Lima, Marco Antonio Zago e eu, de ser honrados pelos Acadêmicos da ABC com nossa eleição para sua Diretoria, correspondente ao triênio maio de 2007 — abril de 2010, sendo Hernan o nosso vice-presidente.

Foi uma manifestação ampla de confiança e também de esperança na construção de um novo patamar de atividades, em conteúdo e entusiasmo, desta Instituição quase centenária, inteiramente dedicada ao avanço da Ciência em benefício de nossa Sociedade.

Grandes são os desafios para que esse novo salto possa ocorrer, mas eles não são maiores do que nossa determinação e a certeza de que estaremos todos juntos nesta jornada. De fato, os Acadêmicos têm consistentemente demonstrado seu desejo de participar deste sonho, que pode não ter fim, mas certamente constitui-se em objetivo maior de vida.

Começaremos nossa tarefa a partir de uma Academia que já desfruta de considerável solidez e presença na vida nacional e que teve notáveis cientistas como presidentes, mais recentemente Aristides Pacheco Leão, Maurício Peixoto, Oscar Sala e agora Eduardo Krieger.

Assim é que a ABC esteve presente nos momentos mais importantes da criação de nossas agências de fomento à pesquisa científica, como no caso do CNPq, Finep, do próprio MCT, Secretarias de Ciência de Ministérios e de Estados e de Agências Estaduais de Amparo à Pesquisa, muitas vezes ao lado de nossa SBPC.

Mais recentemente, a presença da ABC no cenário internacional, já era bastante expressiva em várias instituições importantes para a comunidade científica internacional, como a Academia de Ciências para o Mundo em Desenvolvimento — TWAS, com a Presidência do nosso colega ministro Israel Vargas e o International Council for Science — ICSU, onde fomos vice-presidentes, José Galizia Tundisi e eu.

Esta presença cresceu ainda mais, e muito mais, na gestão de Eduardo Krieger, da qual tive a honra e satisfação de participar como um de seus diretores e também como vice-presidente.

Basta dizer que a ABC abriga neste momento o escritório da presidência da TWAS, dos escritórios regionais da TWAS e do ICSU para a América Latina e a secretaria executiva do IANAS — InterAmerican Network of Academies of Sciences. Cabe destacar o papel atual de vice-presidente do ICSU e co-presidente do IANAS do nosso colega Hernan Chaimovich.

Também de grande relevância tem sido a participação da ABC na coordenação de estudos científicos em temas de primeira importância para a humanidade, como capacitação científico-tecnológica das nações, energia e água, no âmbito do InterAcademy Panel, que reúne as Academias de Ciências de todo o Mundo, do InterAcademy Council, formado por um sub-grupo delas de grande expressão e do IANAS. Isto dá uma idéia do prestígio científico regional e mesmo mundial de nossa Academia.

Também aponta para nossos compromissos em ações de cooperação internacional em C&T, freqüentemente em coordenação com o MCT/CNPq, sob a direção do ministro Sergio Rezende e Erney Camargo, respectivamente, e o MRE, com reflexos significativos em nosso desenvolvimento científico e tecnológico.

Tais ações têm recebido também, através dos anos, o sólido apoio da Finep, atualmente sob a direção de Odilon Marcuzzo do Canto. Pretendemos agora ampliá-las em colaboração com outros Ministérios, como o MEC, especialmente a Capes, buscando sempre a integração e coerência dessas atividades.

No cenário nacional, temos igualmente planos bastante audaciosos no que tange à contribuição da ABC ao desenvolvimento científico nacional, salientando-se, em particular, uma nova ênfase regional.

A nova Diretoria pretende consolidar e mesmo ampliar a atuação de seu Conselho Consultivo, que tem Acadêmicos de todas as regiões do país, na formulação e implementação de atividades da ABC no plano nacional e regional.

Ao mesmo tempo, planejamos aumentar consideravelmente a contribuição da ABC ao avanço da Ciência em todo o país, indicando vice-presidentes regionais para atuar junto à Diretoria como um todo, mas com marcada responsabilidade em suas áreas geográficas.

Em particular, a ABC criará a categoria de membros afiliados, com a indicação a cada ano pelas vice-presidências regionais de cinco deles, dentre os mais talentosos jovens cientistas em cada região, por um período de cinco anos não-renovável.

Também, promoveremos uma mudança de estatutos que venha a formalizar as vice-presidências regionais e a permitir a eleição de cientistas estrangeiros que trabalham em nossas instituições há mais de uma década, dentre outras iniciativas que venham a ser sugeridas pelos Acadêmicos.

Outra novidade, que cremos importante, é a realização pela ABC de estudos de temas de grande relevância para o avanço da Ciência e suas aplicações em benefício da Sociedade, tais como: Amazônia, mudanças climáticas, bioenergia, nanociências, saúde, biotecnologia, alimentos transgênicos, universidade e o ensino superior e fundamental.

Inclui-se ainda a ativa participação na aprovação de leis de primeira importância para o país em C&T, como foi o caso dos fundos setoriais e o da lei de biossegurança, permitindo o uso de transgênicos e a pesquisa com células-tronco.

Ressalto também a firme intenção da Academia de investir de forma crescente na presença das mulheres na Ciência. Já temos uma importante atividade nessa área, que são as bolsas para jovens cientistas, mulheres de talento, oferecidas através de uma parceria com a L'Óreal e a Unesco, para cujo sucesso muito têm contribuído Acadêmicas e Acadêmicos de grande destaque em nosso meio científico.

A Academia tem também um compromisso maior com o aumento do acesso dos cidadãos à Ciência, visando dois importantes objetivos. Primeiro, aumentar a compreensão de que a competência científico-tecnológica é vital para o desenvolvimento social e econômico do país, e dessa forma garantir o apoio da população, e particularmente da classe política, para a aplicação de recursos em Ciência.

O segundo objetivo é o de fortalecer a capacidade dos cidadãos de terem sua própria opinião de maneira fundamentada e independente sobre assuntos que afetam sua vida diária, como o cultivo e consumo de alimentos transgênicos, medidas de economia e substituição de fontes de energia e controle de poluentes e carcinógenos, entre outros.

É preciso ainda ampliar o diálogo da ABC com outras Academias, como a de Letras e a de Medicina, e também buscar parcerias com empresas governamentais ou privadas em suporte às suas atividades, reconhecendo ao mesmo tempo a importância fundamental do apoio que tem recebido do MCT e suas agências CNPq e Finep, como também MEC—Capes, MRE e outros Ministérios e agências estaduais de fomento à pesquisa, sobretudo a Faperj e a Fapesp.

Finalmente, queremos dialogar mais e melhor com a imprensa, universidades e institutos de pesquisas e a Sociedade em geral. Em tudo, a presença dos colegas Acadêmicos é essencial.

Por tudo que dissemos acima, essa mensagem manifesta ao mesmo tempo um agradecimento, um compromisso e um convite.

É um preito de agradecimento a todos os Acadêmicos, cujo trabalho trouxe nossa Academia a este invejável patamar e, notadamente, Eduardo Krieger, cuja condução firme e serena da Casa foi fundamental nessa trajetória.

É também a manifestação do compromisso com um programa de afirmação, cujas linhas mestras foram aqui delineadas. E, finalmente, é um convite a todas as Acadêmicas e Acadêmicos para um trabalho conjunto, fraterno e determinado, pois esta é uma obra essencialmente coletiva."