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Jabuticaba é a estrela de estudos com resultados promissores

Publicado em 04 agosto 2019

Espécie é típica da Mata Atlântica; entre os vários efeitos da fruta está a sua capacidade bactericida

A fruta redondinha, bem escura, que enfeita as árvores em vários estados brasileiros tem bem mais atrativos do que apenas o gosto. Nativa do Brasil, a jabuticaba vem sendo a estrela em diversos estudos científicos. Em um deles, feito aqui em Santos, foi possível comprovar o efeito cicatrizante da planta.

“Entre os vários efeitos da jabuticaba está a sua capacidade bactericida. Nosso objetivo era saber se esse efeito promoveria uma melhora na cicatrização de lesões na pele”, diz a professora Giuliana Petri, da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes).

O trabalho, que contou com a parceria da Faculdade de Farmácia do Centro Universitário ABC, em Santo André, foi feito com cobaias, entre 2016 e 2017, e comprovou que o extrato das folhas secas da jabuticabeira “é um ótimo cicatrizante”, além de também ter efeito antimicrobiano.

“O próximo passo depois das análises com animais é passar para a fase clínica com seres humanos”, explica a pesquisadora que, no caso do estudo santista, utilizou as folhas da planta para obter o extrato testa - do com sucesso.

Enquanto isso, um trabalho semelhante, mas desenvolvido na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, teve como foco as cascas da jabuticaba, revelando propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Além disso, ao serem inseridas na formulação de um suplemento alimentar, algumas propriedades da casca também se mostraram eficazes no controle do peso, podendo ainda ser utilizadas para prevenir doenças, entre as quais a inflamação da próstata.

E não para por aí. A nova composição também se mostrou eficaz no combate ao aumento do colesterol e à multiplicação de células cancerígenas, além de dispor de capacidade para modular o metabolismo hormonal e de glicose.

A tecnologia foi desenvolvida pelo professor Mário Roberto Maróstica Júnior, em conjunto com a pesquisadora Valeria Quitete. Segundo ele, a grande vantagem do composto é a ausência de efeitos colaterais.

“Existem medicamentos que combatem a obesidade e câncer de próstata, mas os efeitos colaterais nem sempre são desprezíveis. Nosso extrato, nos estudos realizados em escala laboratorial, mostrou excelente eficácia e não evidenciamos efeitos colaterais”.

Planta brasileira combate leishmaniose e Chagas

Não é só a jabuticaba, dentro da Mata Atlântica, que chama a atenção dos cientistas, muito pelo contrário. A canela seca, também conhecida como canela branca, pode dar origem a novos medicamentos para o tratamento da leishmaniose visceral e da doença de Chagas, doenças que afetam milhões de pessoas no Brasil e em outros países em desenvolvimento.

“Observamos que os compostos extraídos da planta foram altamente potentes contra a Leishmania infantum, causadora da leishmaniose visceral, e o Trypanosoma cruzi, transmissor da doença de Chagas”, disse André Gustavo Tempone, pesquisador do Centro de Parasitologia e Micologia do Instituto Adolfo Lutz e coordenador do estudo, à Agência Fapesp.

Esses compostos foram obtidos por pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC), a partir de uma molécula extraída da canela seca, chamada neolignana. Enquanto isso, cientistas da Universidade de Oxford, da Inglaterra, foram responsáveis por sintetizar 23 novos compostos derivados da molécula.

“Uma das limitações no desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento de doenças negligenciadas é encontrar parceiros para fazer a síntese dos compostos promissores. A colaboração com o grupo da Universidade de Oxford possibilitou darmos esse passo”, disse Tempone.

Os pesquisadores têm se dedicado nos últimos anos a identificar compostos provenientes da biodiversidade da Mata Atlântica que possam resultar no desenvolvimento de novos fármacos para combater doenças negligenciadas – causadas por agentes infecciosos ou parasitas e que afetam principalmente as populações mais pobres.