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IZ: 115 anos de contribuições científicas e tecnológicas para a agropecuária

Publicado em 17 agosto 2020

Por Luciana Carranca

O instituto leva ao campo pesquisas e tecnologias para o produtor rural oferecer aos consumidores alimentos seguros e de qualidade

Em 15 de julho de 2020, o Instituto de Zootecnia (IZ-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, completou 115 anos. Uma longa história, marcada pelo pioneirismo na pesquisa científica, tendo por missão desenvolver e transferir tecnologias e insumos para a sustentabilidade dos sistemas de produção animal, atendendo a produtores rurais, técnicos e profissionais da área.

“O resultado disso são produtos de origem animal – carne, leite, ovos e derivados – produzidos com tecnologia, garantindo produtos saudáveis e seguros na mesa do consumidor. O reflexo desses trabalhos também está no mercado internacional, pois os resultados ultrapassam as fronteiras, com a exportação de produtos e tecnologias agropecuárias”, destaca o diretor técnico de departamento, Luiz Marquez da Silva Ayroza.

Com sede no município paulista de Nova Odessa, o IZ possui cinco centros de pesquisa: na sede, ficam o de Bovinos de Leite, o de Nutrição Animal e Pastagens, o de Genética e Reprodução Animal e o de Zootecnia Diversificada. Em Sertãozinho, situa- se o Centro Avançado de Pesquisa de Bovinos de Corte. Além disso, há cinco Unidades de Pesquisa e Desenvolvimento (UPD) nos municípios de Registro, Tanquinho, Itapeva, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, todos no interior paulista.

Em todas as unidades do IZ atuam 156 funcionários, sendo 44 pesquisadores científicos com mestrado, doutorado e pós-doutorado, e 112 servidores, entre assistentes, técnicos, auxiliares e oficiais de apoio à pesquisa científica e tecnológica. Atualmente, o IZ mantém mais de 30 parceiros, entre empresas, indústrias, frigoríficos e produtores. Há em andamento 61 projetos de pesquisa, com diversos artigos publicados em revistas científicas de excelência. E são essas pesquisas e inovações que estão à disposição do produtor rural, integrando mercado e indústria.

Silva Ayroza: “Graças à integração, com a aproximação das Coordenadorias da Secretaria, obtém-se maior conhecimento quanto às demandas do setor produtivo e as exigências do consumidor”

O instituto conta com o Plano de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa (PDIP/IZ), que dá prioridade a três áreas estratégicas: Produção sustentável de leite (Programa Leite Mais); Produção sustentável de carne (Programa de seleção de bovinos de corte, e Programa de seleção de ovinos Santa Inês), e Sistemas integrados de produção agropecuária (Programa de produção animal em sistemas integrados). “Todas essas áreas estão alinhadas com a missão institucional, com os programas estratégicos da SAA e com as políticas públicas do estado de São Paulo”, informa Silva Ayroza.

De acordo com o balanço de janeiro de 2018 a abril de 2020 do PDIP/IZ, as três áreas estratégicas atuam com cerca de 30 pesquisadores, que já publicaram 171 artigos científicos na íntegra. Juntos, mantêm um total de 59 contratos de projetos de pesquisa, que somam R$ 3.265.123,59. O Plano de Desenvolvimento recebeu aporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no valor de R$ 11.692.479,98, aplicados na modernização dos laboratórios, na compra de equipamentos, em bolsas de treinamentos no exterior para pesquisador visitante, pós-doutorado e jovem pesquisador.

Nélcio Carvalho: “O manejo correto no pasto, aliado à genética, ajuda na qualidade do leite, no maior teor de sólidos e consequentemente no maior rendimento nos derivados”

Ensino e capacitação - Para diminuir a distância entre a pesquisa, o produtor e a sociedade, o IZ mantém as portas abertas à sociedade, principalmente aos estudantes, grandes formadores de opinião. Ainda conta com atividades para estagiários, por meio de convênios com universidades.

O IZ também mantém, desde 2009, o programa de pós-graduação em Produção Animal Sustentável, nível mestrado, reconhecido pela Capes. Este programa tem como objetivo capacitar e formar profissionais das áreas de zootecnia, medicina veterinária, agronomia, biologia, bioquímica e afins, com conhecimentos direcionados à produtividade animal, à qualidade do produto e aos impactos ambientais das atividades.

Projeto leite A2 - O leite A2, com produção crescente, está atendendo cada vez mais a um importante nicho de mercado: o dos consumidores que demandam um leite de mais fácil digestão, por não possuir a beta-caseína A1, que pode causar mal estar em uma parcela da população. São Paulo foi o primeiro estado a produzir o leite A2A2 em larga escala. E, mais recentemente, o Laboratório de Biotecnologia do Centro de Pesquisa de Genética e Reprodução Animal, do IZ, desenvolveu dois métodos para detectar o alelo A1 diretamente em amostras de leite e seus derivados comercializados como A2.

“Hoje, o IZ trabalha em seu Laboratório de Biotecnologia para identificar animais que possuem somente o alelo A2A2 e que produzirão leite dessa qualidade. Também fazemos análises para saber se o leite puro ou seus produtos, como queijos, iogurtes e manteiga, possuem somente as proteínas A2A2, uma garantia para a indústria e para o consumidor final”, afirma o pesquisador Anibal Eugênio Vercesi Filho, diretor do Laboratório de Genética do IZ. Ele assinala que a técnica desenvolvida pelo IZ é muito relevante para empresas que comercializam produtos provenientes de animais selecionados A2A2.

Análise e certificação de leite de búfala - Com a alta demanda pelos derivados de leite de búfala e diante da ilegalidade de alguns produtores e laticínios, que misturam leite de vaca ao de búfala, fraudando o produto, o Laboratório de Biotecnologia do IZ desenvolveu o teste molecular para a identificação rápida e precisa de leite de vaca em amostras de leite de búfala. O laboratório criou a metodologia em parceria com a empresa de laticínios Bom Destino, de Minas Gerais, que cedeu as amostras.

“Há produtos impuros que podem ser comercializados direta ou indiretamente, com quantidades variáveis de leite de vaca durante a fabricação”, esclarece o assistente técnico de pesquisa científica e tecnológica do IZ, Rodrigo Giglioti, doutor em Genética e Melhoramento Animal.

A metodologia do IZ possibilita a identificação de fraude nos produtos (adição de leite bovino). “É muito importante saber que até hoje todas as espécies de búfalos não possuem variações do alelo do gene da beta-caseína. Consequentemente, todos os animais são do tipo A2A2”, ressalta Giglioti.

Segundo Vercesi Filho, no Brasil a comercialização de queijo de búfala vem crescendo anualmente, e isso leva à necessidade de análises e certificações, garantindo qualidade e pureza dos produtos. “O IZ já tem padronizada a extração de DNA de produtos lácteos, como mozzarella sólida, mozzarella bola, queijo burrata, coalhada, creme de ricota, doce de leite, queijo minas frescal, manteiga, queijo cottage, requeijão e ricota fresca. Aliás, o nome mozzarella só é atribuído ao produto se for exclusivamente derivado do leite de búfala”, explica.

Pesquisa em bubalinocultura - A Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento do IZ situada em Registro (SP), no Vale do Ribeira, é uma das poucas unidades de pesquisas do Brasil a realizarem trabalhos exclusivamente com búfalos, e isso há mais 34 anos, em uma região em que a agropecuária é a segunda atividade mais importante, perdendo apenas para o setor de serviços. O plantel de búfalos na região soma cerca de 44 mil cabeças, segundo levantamento feito durante a campanha de vacinação de aftosa em 2019, situando o Vale do Ribeira como a região com o maior rebanho bubalino no Estado.

Segundo o pesquisador e diretor na unidade, Nélcio Antonio Tonizza de Carvalho, a expansão da bubalinocultura no Vale do Ribeira atraiu quatro laticínios especializados em derivados lácteos da espécie e gerou fonte de renda para pequenas e médias propriedades. Atualmente, o valor médio pago pelo litro de leite de búfala é de R$ 2,00.

Cristina Maria Pacheco Barbosa: “É preciso produzir em um ambiente sustentável e de qualidade”

HISTÓRIA DO IZ

Referência nacional e internacional por suas pesquisas científicas nas áreas de produção animal e pastagens desde 1909, o Instituto de Zootecnia já realizava as primeiras seleções de gado Caracu na Fazenda de Seleção do Gado Nacional, em Nova Odessa (SP).

Foi com a contribuição do médico Carlos Botelho, destaque no campo da agropecuária, e ocupando o cargo de secretário de Agricultura, que em 15 de julho de 1905 foi criado, no bairro da Mooca, em São Paulo, o Posto Zootécnico Central, que permaneceu ali até 1929, e depois foi transferido para o Parque da Água Branca, também na capital paulista.

Em 1970, passou a ser denominado Instituto de Zootecnia, adaptando-o às necessidades exigidas pela grande expansão que vinha alcançando a produção animal nas últimas décadas. De 1970 a 1975, a sede permaneceu no Parque da Água Branca, transferindo-se então para o município de Nova Odessa. Desde 1941, o IZ também publica o Boletim de Indústria Animal, de acesso livre, com seus resultados científicos e de outras instituições.

A Unidade do IZ conduziu, de 1989 a 2003, o “Programa de Desenvolvimento da Bubalinocultura no Vale do Ribeira”, que consistia na cessão de módulos de dez fêmeas e um macho bubalino a pequenos produtores rurais. Em 2004, também com a atuação da Unidade de Pesquisa, o Programa foi reeditado e renomeado como “Projeto Paulista de Criação de Búfalos”, com a adoção de novos módulos de criação no Vale do Ribeira. Com a cadeia produtiva estabelecida, Carvalho destaca que os desafios regionais da bubalinocultura são outros, como o aumento da produtividade leiteira.

Responsável pelos projetos científicos na unidade do IZ, Carvalho explica que o manejo correto no pasto, aliado à genética, ajuda na qualidade do leite, e consequentemente nos derivados. O leite de búfala terá ainda mais gordura e mais proteína, quando comparado ao leite de bovinos. “A proteína é importante para a produção de derivados, alcançando maior rendimento, e a gordura é relevante para produção de mozzarella.”

PDIP - A área estratégica Produção Sustentável de Leite do Instituto de Zootecnia conta com três unidades de pesquisa: Nova Odessa e Ribeirão Preto (que trabalham com pesquisas com bovinos de leite), e Registro (que desenvolve pesquisas com bubalinos). As verbas obtidas na Fapesp têm sido, portanto, investidas para a aquisição de equipamentos e reformas nessas três unidades, buscando melhorar a infraestrutura de pesquisa e motivar as equipes de pesquisadores e técnicos.

Segundo Lenira El Faro Zadra, coordenadora da área estratégica Produção Sustentável de Leite, os trabalhos envolvem bovinos de leite e bubalinos. “A área possui significativas ações de interação com a cadeia produtiva do leite, desde os produtores rurais até a indústria, principalmente nos segmentos de análises de leite, nutrição, manejo, comportamento, sanidade, reprodução, seleção e melhoramento genético de bovinos e bubalinos leiteiros, por meio de atendimentos diretos, cursos práticos, dias de campo e parcerias de pesquisas e desenvolvimento”, detalha ela, complementando que o ponto forte dessa área estratégica é a interação da pesquisa com elos da cadeia produtiva, como cooperativas e laticínios, além de projetos nas áreas de bem-estar animal, nutrição e melhoramento genético.

Ela informa que os investimentos previstos para a área estratégica Produção Sustentável de Leite deverão somar R$ 1.650.710,31. Na parte de recursos humanos e treinamento do corpo técnico, a área estratégica foi contemplada com um bolsista de nível de pós-doutorado, com treinamento de pesquisadores no exterior e a vinda de professor visitante na unidade.

As unidades contempladas na área estratégica Leite são Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite em Nova Odessa, Unidade de Pesquisa de Ribeirão Preto e Unidade de Pesquisa de Registro, que possui um rebanho de búfalos. Os maiores investimentos estão voltados à melhoria da infraestrutura do laboratório de qualidade do leite, a salas de ordenha e a galpões de arraçoamento dos bovinos de leite e bubalinos, incluindo ainda a aquisição de equipamentos que visam facilitar o manejo dos animais e a coleta de informações para pesquisa, assim como equipamentos para a realização mais acurada de análises laboratoriais, em maior escala.

Até o momento, os resultados dos investimentos da Fapesp permitiram aumentar o número de publicações técnicas e científicas, de parcerias nacionais e internacionais, de projetos aprovados em agências de fomento e com empresas privadas, assim como a formação de recursos humanos (técnicos e alunos de graduação, mestrado e doutorado).

Lenira El Faro Zadra: “Os trabalhos envolvem bovinos de leite e bubalinos, com foco na interação com os produtores rurais até a indústria”

Pesquisa científica e tecnológica a serviço da qualidade do leite

Esse objetivo se baseia na interação da pesquisa com os elos da cadeia produtiva, como cooperativas e laticínios, além de projetos nas áreas de bem-estar animal, nutrição e melhoramento genético

Na área de Produção Sustentável de Bovinos de Leite, conforme o Plano de Desenvolvimento Institucional de Pesquisa (PDIP) do Instituto de Zootecnia, os trabalhos envolvem bovinos de leite e bubalinos, considerando-se as ações de interação com a cadeia produtiva do leite, que abrangem desde os produtores rurais até a indústria.

“O foco está principalmente nas áreas de análises de leite, nutrição, manejo, comportamento, sanidade, reprodução, seleção e melhoramento genético de bovinos e bubalinos leiteiros, por meio de atendimentos diretos, cursos práticos, dias de campo e parcerias de pesquisas e desenvolvimento”, explica Luiz Carlos Roma Júnior, pesquisador e diretor do Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite.

O ponto forte dessa área estratégica é a interação da pesquisa com elos da cadeia produtiva, como cooperativas e laticínios, além de projetos nas áreas de bem-estar animal, nutrição e melhoramento genético. Por essa razão, os investimentos atuais estão direcionados à melhoria da infraestrutura do laboratório de qualidade do leite, a salas de ordenha e a galpões de arraçoamento dos bovinos de leite e bubalinos. Isso inclui a aquisição de equipamentos que visam facilitar o manejo dos animais e a coleta de informações para pesquisa, assim como equipamentos para a realização mais acurada de análises laboratoriais, em maior escala.

Luiz Roma Júnior: “A união dessas frentes – a ciência e o produtor de leite – é o combustível que move nossas pesquisas”

Roma Júnior explica que fazem parte dessa área de pesquisa leiteira o Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite, localizado em Nova Odessa; a Unidade de Pesquisa de Ribeirão Preto e a Unidade de Pesquisa de Registro, que possui um rebanho de búfalos. Os investimentos, na parte de recursos humanos e treinamento do corpo técnico, contemplaram um bolsista de nível de pós-doutorado, com treinamento de pesquisadores no exterior e a vinda de um professor visitante na unidade.

O Centro de Pesquisas de Bovinos Leiteiros do IZ conta com duas unidades: em Americana (SP), com 120 hectares, e outra em Ribeirão Preto (SP), com 250 ha. Na de Americana, está a sede do Centro de Pesquisa, dotado de toda a infraestrutura e de um rebanho experimental permanente, composto por 210 animais das raças Holandesa e Jersolando, com 75 vacas em lactação.

“Todo o rebanho foi estruturado para a pesquisa científica, por meio da sincronização de partos dos animais em duas estações definidas (janeiro e julho). A escolha pela sincronização foi para fins de homogeneidade das unidades experimentais em termos de estágio de lactação e idade. Além disso, o rebanho será conduzido para 100% da raça Holandesa para retirar o efeito da raça sobre os resultados de pesquisa”, conta o pesquisador.

O rebanho leiteiro, com animais Holandeses e Jersolando, foi estruturado para a pesquisa científica

O Centro está em fase de reformas e adaptações para atender aos projetos de pesquisa e inovação tecnológica, com a readequação ambiental (para tratamento e uso de dejetos), ampliação e reforma do laboratório de qualidade do leite, equipamento para medidas de consumo de alimentos e água das vacas, instalação e modernização de sala de ordenha.

Segundo frisa Roma Júnior, o Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite está olhando e caminhando para o futuro das inovações para a cadeia agroindustrial do leite, mas também ouvindo diretamente os produtores. “Talvez a junção dessas frentes – ciência e produtor – seja o combustível das nossas pesquisas”, frisa ele, informando que são diversas as pesquisas em andamento, nas áreas de nutrição e alimentos, etologia e bem-estar animal, melhoramento genético, manejo da bezerra até vaca, sanidade, sistemas de produção e integrados, qualidade do leite, manejo de ordenha, produção orgânica e programas de difusão de tecnologias.

A moderna sala de ordenha trará mais conforto para os animais e será adequada às pesquisas

O Centro está em fase de reformas e adaptações para atender aos projetos de pesquisa e inovação tecnológica, com a readequação ambiental (para tratamento e uso de dejetos), ampliação e reforma do laboratório de qualidade do leite, equipamento para medidas de consumo de alimentos e água das vacas, instalação e modernização de sala de ordenha.

Segundo frisa Roma Júnior, o Centro de Pesquisa de Bovinos de Leite está olhando e caminhando para o futuro das inovações para a cadeia agroindustrial do leite, mas também ouvindo diretamente os produtores. “Talvez a junção dessas frentes – ciência e produtor – seja o combustível das nossas pesquisas”, frisa ele, informando que são diversas as pesquisas em andamento, nas áreas de nutrição e alimentos, etologia e bem-estar animal, melhoramento genético, manejo da bezerra até vaca, sanidade, sistemas de produção e integrados, qualidade do leite, manejo de ordenha, produção orgânica e programas de difusão de tecnologias.

Roma Jr. destaca ainda o projeto de avaliação do efeito da difusão de tecnologia por meio de treinamento de recursos humanos (produtores e técnicos) sobre a melhoria da qualidade do leite.

Sob sua coordenação, esse projeto foi realizado na região de Ribeirão Preto em 143 propriedades divididas em dois grupos e avaliadas mensalmente ao longo de um ano quanto à qualidade do leite e ao atendimento dos padrões da legislação vigente. Um grupo recebeu treinamento para as boas práticas na produção e o outro apenas foi monitorado (sem treinamento).

Quanto aos aspectos de composição, ambos os grupos das propriedades (que receberam ou não treinamento) já apresentavam bom desempenho, em relação a valores médios de gordura, proteína, lactose e extrato seco desengordurado. Os resultados de maior destaque foram nas áreas de controle de mastite e controle higiênico da produção leiteira.

As propriedades que receberam o treinamento apresentaram contagem de células somáticas, na média do ano, menor em 120 mil CCS/ml (de 630 mil para 510 mil) e na contagem bacteriana houve na média do ano uma redução de 470 mil UFC/ml (de 940 mil para 470 mil). “Esses resultados foram todos conseguidos por meio da difusão de tecnologia pela assistência técnica para os produtores de forma bem direta, fácil e com ótimo relacionamento dos pesquisadores/agentes/produtores”, diz Roma Júnior.

Ele informa ainda que o projeto teve início na região de Ribeirão Preto e agora também está sendo feito em Piracicaba e Itapetininga. Neste município, começou em 2018, com 25 propriedades de búfalas leiteiras, em que já foram conseguidos resultados satisfatórios na melhoria da qualidade e no aumento da produção de leite. “Em 2020, o projeto continua trabalhando com quase 40 propriedades e a equipe espera que o número só venha a crescer, para benefício de todos.”

O laboratório móvel vai aonde o produtor está, levando tecnologia e orientação para boas práticas

LABORATÓRIO MÓVEL LEVA TECNOLOGIA AOS PRODUTORES

No fim de 2017, para aproximar os produtores dos resultados das pesquisas, o Instituto de Zootecnia recebeu um trailer equipado com laboratório. Esse laboratório móvel é utilizado durante os eventos de difusão de tecnologia (palestras, cursos, dias de campo, feiras agropecuárias). “Realizamos as análises de qualidade do leite; durante o evento, fornecemos os resultados e discutimos com os produtores como melhorar a produção”, relata Roma Júnior, assinalando que tais resultados auxiliam os produtores sob diversos aspectos, como balanceamento da dieta, controle da mastite, manejo da ordenha e higiene, entre outros.

Fitoterápicos em bovinos - A partir de conversas com produtores, os pesquisadores do IZ foram questionados a respeito de controle de mastite sem uso de antimicrobianos. “Essa demanda poderia ser de um sistema de produção convencional, mas também para a produção orgânica.” A partir daí, está em desenvolvimento uma linha de pesquisa com o uso de fitoterápicos na dieta de vacas em lactação para melhoria da qualidade do leite, mais especificamente no controle da mastite bovina. “Já foram realizados alguns experimentos em laboratório com resultados promissores e outros utilizando o rebanho experimental.”

Segundo o pesquisador, em um desses trabalhos, as vacas receberam por 30 dias óleos essenciais de plantas medicinais na dieta. Foram diariamente monitorados a produção, o consumo alimentar e os aspectos da qualidade do leite, incluindo contagem de células somáticas. “Em relação ao grupo controle (vacas que não receberam o tratamento), foi possível encontrar uma redução de 380 mil CCS/ml e também foi encontrado efeito significativo no sistema imunológico das vacas. Essas respostas satisfatórias nos incentivaram a continuar nesta área de pesquisa, com outras plantas medicinais, estudos de dose e aplicação, e outras abordagens, como mastite clínica, subclínica e patógenos específicos.”

Esses trabalhos aproximaram alguns produtores orgânicos do Centro de Pesquisa. Hoje, essas propriedades colaboram com os projetos, seja nas experiências trocadas, nos problemas encontrados ou nas dúvidas identificadas. “Da mesma forma, estamos trabalhando com algumas propriedades convencionais para realização de projetos de pesquisa, todos visando o produto leite e a atividade como negócio”, diz o pesquisador.

Ao falar de negócio leite, o IZ deixa aberto o canal de comunicação com todos os setores que englobam a cadeia produtiva, como pecuaristas, associações, cooperativas, indústrias (insumos) e laticínios na busca de novas parcerias, projetos e colaborações.

Treinamento sobre qualidade do leite

Pesquisas sobre

sistemas integrados e bem-estar animal

A unidade do IZ de Ribeirão Preto (SP) trabalha em conjunto com o Centro de Bovinos Leiteiros de Nova Odessa. Suas principais linhas de pesquisa são na área de forragicultura, manejo de pastagens, sistemas integrados de produção agropecuária (Sipa), nutrição e manejo de bezerras leiteiras, bem-estar animal, piscicultura, aquaponia, resíduos orgânicos, nutrição de bovinos, imunoensaio e microbiologia.

Bezerras em ambiente que garante o bem-estar

“Esses projetos são acessíveis aos produtores e podem ajudá-los na adoção de tecnologias, além de gerar inovação de produtos e processos, melhorando o dia a dia nas fazendas. Também as instalações de pesquisas estão disponíveis para futuras parcerias”, assinala Flávia Simili, chefe da unidade do Centro de Pesquisa de Bovinos Leiteiros de Ribeirão Preto. Ela reforça que o objetivo é implementar uma fazenda modelo com foco em sistemas integrados e difundir os resultados de pesquisa por meio de transferência de tecnologia.

Acompanhando as novas demandas da cadeia produtiva do leite, em consonância com as exigências do mercado consumidor, a questão do bem-estar é um dos temas de pesquisa no IZ. “Na base do bem-estar animal está suprir as suas necessidades para que tudo esteja em equilíbrio, deixar que o animal se expresse e proporcionar meios para que isso possa ser feito; por isso, nossa pesquisa foca no enriquecimento ambiental”, informa Flávia. A tecnologia do enriquecimento ambiental, ainda pouco explorada, requer um investimento baixíssimo para oferecer, no ambiente em que o animal é manejado, objetos que possam promover interação.

Outra ferramenta ainda pouco utilizada nas fazendas é o contato tátil em bezerras, manejo que consiste em escovar o animal por um tempo na região do pescoço, escápula, lombo e traseiro. Esse tipo de manejo pode estabelecer um vínculo do ser humano com o animal, facilitando a interação com o tratador. “Essas duas ferramentas pouco exploradas podem gerar benefícios futuros à produtividade, tornando o bovino mais dócil e assim atender às novas exigências do mercado mundial”, diz Flávia (Em edição próxima, a Balde Branco publicará reportagem sobre esse experimento).

Flávia Simili: “Os projetos visam ajudar os produtores na adoção de tecnologias e gerar inovação de produtos e processos, melhorando o dia a dia nas fazendas”

Sistemas integrados - O Aquapec é o mais novo sistema integrado de produção agropecuária do Instituto de Zootecnia em Ribeirão Preto. Flávia explica que se trata de uma proposta de parceria entre a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo e empresas privadas do setor agropecuário, com o apoio de agências de fomento à pesquisa, para o desenvolvimento de um sistema de tecnologias que tornem viável a produção pecuária intensiva e integrada.

“Esse projeto visa promover o aumento da sustentabilidade da atividade agropecuária: nos campos econômico, ambiental e social, com foco na biodiversidade; na melhoria da qualidade da água e do solo; na viabilidade econômica e no controle da emissão de gases do efeito estufa”, conta. Com os resultados, espera-se aumentar a capacidade de geração e transferência de conhecimentos relacionados ao setor produtivo da cadeia agropecuária.

Flávia explica que o principal diferencial do projeto é a agregação da tecnologia de piscicultura intensiva aos sistemas integrados de produção agropecuária, tais como a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Integração Lavoura- Pecuária-Floresta (ILPF).

Os resíduos líquidos e sólidos, ricos em nutrientes gerados pela piscicultura, serão aproveitados na fertilização de pastagens e lavouras, enquanto plantas forrageiras de alta qualidade serão utilizadas para a captura do excesso de nutrientes diluídos na água dos tanques de piscicultura (produção aquapônica de forragens para alimentação de bezerros).

“O IZ/SAA está aguardando parceiros do setor privado para iniciarmos a implantação do Aquapec. As empresas parceiras terão seu nome vinculado ao desenvolvimento de um sistema tecnológico sustentável e se beneficiarão da extensa exposição de seus produtos e serviços. Adicionalmente, a empresa terá visibilidade privilegiada em função da participação nos dias de campo, cursos, etc.”, observa Flávia, acrescentando que essa parceria significa fazer parte da difusão de tecnologia dentro de uma fazenda modelo, com um seleto grupo de pesquisadores, professores de universidades, entre outros, para atender às necessidades do setor.

ILPF – Em continuidade às pesquisas com o Sipa, o IZ de Ribeirão tem contribuído com alguns resultados de outros estudos, a fim de aprender sobre manejo de pastagem, melhorias no solo, desempenho de bovinos e viabilidade econômica nos sistemas integrados. Nesses sistemas, a pastagem é comumente semeada em consórcio com a cultura que vai produzir grãos. Um dos maiores benefícios da técnica é o compartilhamento do solo e dos insumos entre várias culturas.

Ao longo dos anos é possível observar a sinergia entre os componentes solo-planta- animal, devido à maior ciclagem de nutrientes provenientes do uso de animais em áreas de lavouras (milho, soja, sorgo, girassol, entre outros) e às espécies que resultarão em pastagem (braquiárias e panicuns), além dos espaçamentos entre linha e técnicas de plantio adotadas. O produtor escolherá qual combinação atenderá melhor ao seu planejamento, contando com a orientação de um técnico experiente nessa tecnologia.

Consorciação entre de milho para grão e capim marandu

Flávia relata que coordenou uma pesquisa, com financiamento da Fapesp, em que usou a semeadura consorciada entre milho para produção de grãos e capim marandu (Bracharia brizantha) para recria de bovinos em pastagem. Como resultado, foram constatados alguns resultados, tais como quantidade de plantas daninhas nos piquetes, formação da pastagem, qualidade nutritiva do marandu e consequentemente o desempenho dos animais e a viabilidade econômica.

A melhor combinação para a implantação do Sipa foram os tratamentos milho mais capim marandu semeado simultaneamente na linha de plantio e milho mais capim marandu semeado simultaneamente na linha e na entrelinha, com aplicação de nicosulfuron (Fig. 1). “Os resultados de viabilidade mostraram diluição dos custos fixos, maior valor presente líquido e menor necessidade de área para a realização das duas atividades nos Sipa em relação à agricultura e à pecuária exclusiva”, assinala Flávia.

Ela observa ainda que é possível agregar a essa combinação de lavoura e pecuária o componente arbóreo, no sistema conhecido como ILPF. As árvores contribuirão com sombra para os animais, proporcionando bem-estar animal, principalmente para os bovinos leiteiros de raças mais puras, que sofrem muito com as altas temperaturas durante o verão.

Além disso, as árvores fornecem madeira, trazendo a diversificação de produtos. Dependendo da espécie utilizada, há ainda o benefício de fixar o nitrogênio no solo e de contribuir para o aumento de estoque de carbono nos sistemas, melhorando os indicadores ambientais.

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