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Publicado em 04 janeiro 2019

Professor no Departamento de Física do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), em São José dos Campos (SP), Maurício Pazianotto, 31 anos, foi o ganhador do Prêmio José Leite Lopes de 2018, concedido pela SBF (Sociedade Brasileira de Física).

A tese de doutorado “Transporte da radiação cósmica na anomalia magnética do Atlântico Sul e aplicação em aeronáutica”, desenvolvida com bolsa da Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa de São Paulo), foi considerada pela SBF a melhor de 2016.

Pazianotto recebeu orientação de Brett Vern Carlson, também do ITA, e coorientação de Odair Lelis Gonçalez, do IEAv (Instituto de Estudos Avançados) do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), ambos sediados em São José dos Campos.

“O que fizemos foi modelar o perfil da radiação cósmica na anomalia magnética do Atlântico Sul, que cobre grande parte do nosso continente. Fizemos simulações das radiações primárias e secundárias e as comparamos com medidas colhidas no solo e por aeronaves. Os dados experimentais foram levantados por nós mesmos, em parceria com outros grupos, do país e do exterior, que fazem parte de nossa rede de colaboração”, disse Pazianotto à Agência Fapesp.

Por meio dessa pesquisa, foi possível evidenciar que a anomalia magnética do Atlântico Sul influencia a radiação cósmica de forma significativa para altitudes acima de 40 km. Como parte dos resultados, foi possível também mostrar que o nível de radiação incidente nas tripulações em altitudes de voos comerciais poderia exceder o limite recomendado para o público em geral.

“Essas partículas podem causar danos nos equipamentos eletrônicos, afetando, por exemplo, o funcionamento dos computadores de bordo e dispositivos eletrônicos das aeronaves. E podem prejudicar também os organismos de tripulantes e passageiros habituais”, disse Pazianotto.

O grupo do qual Pazianotto participa, formado por pesquisadores do IEAv e do ITA, é pioneiro no país no campo da dosimetria de radiação cósmica. Como resultado da tese agora premiada, foi desenvolvida a primeira modelagem capaz de realizar simulações do perfil da radiação cósmica desde o nível do solo até 100 quilômetros de altitude, com detalhamentos inéditos e aplicações em dosimetria aeronáutica.

“Uma nova pesquisa que iremos desenvolver, em parceria do ITA com o Hospital A.C. Camargo, em São Paulo, o Instituto de Estudos Avançados, em São José dos Campos, e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, consiste em coletar amostras de sangue das tripulações para investigar danos genéticos e sua correlação com a dose recebida”, contou Pazianotto.

“A primeira fase desse projeto prevê realizar medições em voo em aeronaves militares em latitudes desde equatorial até polares, correlacionar os resultados com nossas simulações e avaliar seus efeitos genotóxicos.”

Fonte: www.ovale.com.br