Notícia

Jornal do Brasil

Israelense cria vacina contra câncer de pele

Publicado em 16 janeiro 1996

Cientistas israelenses testaram com sucesso uma vacina contra o melanoma, o tipo mais maligno de câncer de pele, provocado pela exposição excessiva ao sol. Os pesquisadores estão agora simplificando o método de fabricação do remédio para que seu uso possa ser popularizado. ISRAELENSES DESENVOLVEM VACINA CONTRA MELANOMA Doentes foram tratados com sucesso durante estudo inicial. JERUSALÉM — Cientistas israelenses descobriram uma vacina contra o câncer de pele (melanoma). O trabalho foi realizado pelo oncologista Yacob Shejter, do Hospital Beilinson, em colaboração com médicos do Hospital So-roka e do Departamento de Química da Faculdade de Medicina da Universidade Hebraica de Jerusalém. "O princípio do novo remédio é similar ao das vacinas para doenças infecciosas com a rubéola e o sarampo", diz Shejter. A vacina é composta a partir de membranas de diferentes células afetadas pelo melanoma. Elas são colocadas em um meio gelatinoso e recebem aplicações de uma substância chamada interleucina 2, que atua sobre o sistema imunológico. Segundo Iejezkel Barnholz, bioquímico da Universidade Hebraica e do Hospital Hadasa, de Jerusalém, responsável pela preparação da vacina, as experiências clínicas realizadas com seres humanos têm sido bem sucedidas. "Os primeiros doentes vacinados reagiram bem ao tratamento", afirmou. Mas o bioquímico alerta que ainda, até o momento, enquanto não se conclui o período de experimentação clínica da nova substância, é "mais apropriado falar de esperança moderada". Barnholz assinalou que, na próxima etapa de pesquisas, será ampliado o número de doentes submetidos ao tratamento. Para que isto seja possível, será necessário simplificar o processo de produção da vacina. Só então os pesquisadores poderão confirmar definitivamente a eficácia da nova medicação. Segundo Barnholz, o tratamento atual ainda é bastante com plexo, tanto na fase de preparação da vacina como em sua aplicação. "É preciso simplificar o tratamento até para que ele seja acessível a amplas camadas da população", diz o pesquisador. A ocorrência do melanoma está ligada a fatores hereditários mas pode ser bastante influenciada por uma exposição excessiva aos raios ultra-violeta.