Notícia

Gazeta Mercantil

Isopor e amianto ganham substitutos ecológicos

Publicado em 27 abril 2000

Por Regina Scharf - de São Paulo
Depois do plástico de cana e do couro vegetal, é a vez de o isopor e o amianto ganharem substitutos ecologicamente corretos. O Laboratório de Produtos Florestais do Ibama, a agência ambiental federal, está desenvolvendo chapas de fibrocimento de celulose que podem ser convertidas em telhas e caixas d'água. A Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga, também estuda formas de substituir o amianto das chapas por resíduos agrícolas e escórias de alto forno de siderúrgicas. Já a indústria de embalagens Kpack está lançando no País o sistema Corrupad, uma espécie de sanduíche de várias folhas de papelão ondulado reciclado, que pode substituir o isopor na embalagem de produtos manufaturados. A preocupação procede. Vários países europeus rejeitam importados embalados em isopor, derivado do petróleo que leva centenas de anos para se degradar e não é reciclável. No caso do amianto, o problema é ainda mais sério. Cancerígeno, ele já foi banido em 42 países e poderá ser proibido também no Brasil. O assunto entra na pauta da próxima reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em junho próximo. O órgão deverá estabelecer um prazo máximo para a eliminação do produto, provavelmente entre cinco e oito anos. A proibição do amianto também é objeto de 13 projetos de lei federais e estaduais. O fibrocimento - que contém até 10% de amianto - recobre 50% das residências, galpões e fábricas do País, além de 70% das caixas d'água. "O problema é que você paga barato pelo fibrocimento tradicional, mas ele acaba saindo caro para a saúde", afirma Divino Teixeira, pesquisador do Ibama, que está introduzindo no órgão a tecnologia de fibrocimento de fibra de madeira, estudada na Austrália, na Nova Zelândia e nos EUA desde o início dos anos 90. Ele diz que o produto alternativo tem a mesma resistência e conforto térmico muito superior ao das chapas comuns, mas seu preço provavelmente seria 15% mais caro. A fibra que substitui o amianto pode ser extraída de papelão descartado ou de madeira de pinus e eucaliptos cortada em cavacos cozidos pelo processo "kraft". O cozimento permite a remoção da lignina que inibe a secagem do cimento. O projeto da USP, tocado no campus de Pirassununga, tem finalidade semelhante, mas parte de matérias-primas diferentes. Coordenado pelo professor Holmer Savastano Júnior, ele investiga o uso de uma mistura de cimento com a escória de alto forno ou resíduos agroindustrial (casca de arroz, bagaço de cana, fibras de juta, banana, coco e sisal) para cobrir residências rurais a um baixo custo. No caso da substituição do isopor também há vários projetos em andamento. No ano passado, pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) lançaram a bioembalagem, à base de mandioca prensada a quente, que pode substituir caixas rígidas de isopor e papelão para embalar alimentos. O produto foi desenvolvido pela equipe de Marney Pascoli Cereda, diretora do Centro de Raízes e Amidos Tropicais (Cerat), de Botucatu (SP). Esta semana, a Kpack está lançando oficialmente na Feira Internacional de Embalagens (Brasilpack'2000), em São Paulo, o Corrupad, sistema inglês de acolchoamento de produtos para transporte que substitui as caixas de isopor por um conjunto de tiras de papelão ondulado adaptáveis ao formato a proteger. Segundo Carlos Gouveia, diretor industrial, a empresa, que fatura R$ 1,3 milhão anual, já vendeu 1.300 toneladas do produto para clientes do porte da Xerox,, Itautech, Kodak e Gradiente. Ele diz que o Corrupad ocupa bem menos espaço que os similares do mercado e não precisa ser moldado.