Notícia

TN Sustentável

Isca tóxica desenvolvida na Esalq combate broca

Publicado em 24 novembro 2010

Por: Redação TN / Caio Rodrigo Albuquerque, Esalq

Uma pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, propõe um novo método de controle para a broca da cana (Diatraea saccharilis). A engenheira agrônoma Greice Erler desenvolveu uma isca tóxica com intenção de controlar a população de adultos. A pesquisadora estudou substâncias que pudessem ser empregadas em associação ao inseticida triflumurom. "Esse inseticida regula o crescimento, sendo utilizado atualmente no oeste paulista, região que registra altos índices de infestação da broca", conta.

Danos causados pelas pragas no colmo da cana-de-açúcarSob orientação do professor Octávio Nakano, do Departamento de Entomologia e Acarologia (LEA) da Esalq, a agrônoma testou em laboratório diversas iscas, incluindo seletividade, idade e concentração das mesmas, escolha do inseticida e sua melhor dose, determinação da distância dentro da área de aplicação, efeito residual e atratividade a alguns inimigos naturais.

Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o estudo avaliou a mortalidade dos insetos 24 e 48 horas após a exposição às iscas. A seleção e a concentração do atrativo e do inseticida foi feita a partir dos resultados que apresentaram eficiência superior a 80%. Ainda em laboratório, Greice Erler verificou que a isca não atrai o adulto a longas distâncias, ou seja, mais do que 50 centímetros (cm), tornando necessário aplicá-las em área total.

Em campo, foi realizado experimento em área total e os resultados mostraram que as iscas testadas a base de melaço mais cloridrato de cartape, e Bacillus thuringiensis mais Hygrogem controlaram satisfatoriamente a broca da cana com um custo bem menor dos controles utilizados a partir do parasitóide de lagartas (Cotesia flavipes) ou com o inseticida regulador de crescimento (triflumurom). A autora do trabalho ainda verificou que o melaço tem pouco efeito na atratividade do inimigo natural C. flavipes e não possui nenhuma atratividade ao predador de ovos Doru luteipes (tesourinha).

"A pesquisa fornece ao produtor outra forma de controle para a broca da cana, permitindo a sua integração aos já existentes, empregando como base o melaço, produzido pela própria usina", conclui Greice.

Energias renováveis

A dissertação de mestrado foi apresentada ao Programa de Pós-graduação em Entomologia no último dia 18 de outubro de 2010. De acordo com a pesquisadora, a demanda por energias renováveis tem estimulado boa parte dos produtores rurais a remanejarem suas culturas de modo a otimizar resultados com a produção.

Uma das consequências dessa nova ordem no campo é a migração para o setor sucroalcooleiro, aumentando consideravelmente as terras cultivadas com cana-de-açúcar. O oeste paulista, o triângulo mineiro e a região Centro Oeste têm registrado altos índices de substituição da pecuária pela cana. Ao mesmo tempo, essas novas fronteiras agrícolas acabam ampliando os limites geográficos de determinadas espécies pragas como a broca da cana (Diatraea saccharilis), tida como uma das mais prejudiciais a esta cultura.