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Isca tóxica desenvolvida na Esalq combate broca da cana

Publicado em 25 novembro 2010

Uma pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, propõe um novo método de controle para a broca da cana (Diatraea saccharilis). A engenheira agrônoma Greice Erler desenvolveu uma isca tóxica com intenção de controlar a população de adultos. A pesquisadora estudou substâncias que pudessem ser empregadas em associação ao inseticida triflumurom. "Esse inseticida regula o crescimento, sendo utilizado atualmente no oeste paulista, região que registra altos índices de infestação da broca", conta.

Sob orientação do professor Octávio Nakano, do Departamento de Entomologia e Acarologia (LEA) da Esalq, a agrônoma testou em laboratório diversas iscas, incluindo seletividade, idade e concentração das mesmas, escolha do inseticida e sua melhor dose, determinação da distância dentro da área de aplicação, efeito residual e atratividade a alguns inimigos naturais.

Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o estudo avaliou a mortalidade dos insetos 24 e 48 horas após a exposição às iscas. A seleção e a concentração do atrativo e do inseticida foi feita a partir dos resultados que apresentaram eficiência superior a 80%. Ainda em laboratório, Greice Erler verificou que a isca não atrai o adulto a longas distâncias, ou seja, mais do que 50 centímetros (cm), tornando necessário aplicá-las em área total.

Em campo, foi realizado experimento em área total e os resultados mostraram que as iscas testadas a base de melaço mais cloridrato de cartape, e Bacillus thuringiensis mais Hygrogem controlaram satisfatoriamente a broca da cana com um custo bem menor dos controles utilizados a partir do parasitóide de lagartas (Cotesia flavipes) ou com o inseticida regulador de crescimento (triflumurom). A autora do trabalho ainda verificou que o melaço tem pouco efeito na atratividade do inimigo natural C. flavipes e não possui nenhuma atratividade ao predador de ovos Doru luteipes (tesourinha).

"A pesquisa fornece ao produtor outra forma de controle para a broca da cana, permitindo a sua integração aos já existentes, empregando como base o melaço, produzido pela própria usina", conclui Greice.

ENERGIAS RENOVÁVEIS

A dissertação de mestrado foi apresentada ao Programa de Pós-graduação em Entomologia no último dia 18 de outubro de 2010. De acordo com a pesquisadora, a demanda por energias renováveis tem estimulado boa parte dos produtores rurais a remanejarem suas culturas de modo a otimizar resultados com a produção.

Uma das consequências dessa nova ordem no campo é a migração para o setor sucroalcooleiro, aumentando consideravelmente as terras cultivadas com cana-de-açúcar. O oeste paulista, o triângulo mineiro e a região Centro Oeste têm registrado altos índices de substituição da pecuária pela cana. Ao mesmo tempo, essas novas fronteiras agrícolas acabam ampliando os limites geográficos de determinadas espécies pragas como a broca da cana (Diatraea saccharilis), tida como uma das mais prejudiciais a esta cultura.

MAIS INFORMAÇÕES

Professor Octávio Nakano

Telefone: (19) 3429-4166 - Ramal 218

Legenda: Danos causados pelas pragas no colmo da cana-de-açúcar - Divulgação

FONTE

Agência USP de Notícias

Caio Rodrigo Albuquerque, email caiora@esalq.usp.br, da Assessoria de Comunicação da Esalq