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Tribuna do Norte (Natal, RN) online

IPT vai instalar laboratório de pesquisa e tecnologia aeronáutica no interior paulista

Publicado em 04 junho 2008

O financiamento do BNDES corresponde a 30,5% do investimento total de R$ 90,5 milhões

De: Agência Brasil

Um novo laboratório de pesquisas e tecnologia aeronáutica, com foco em projetos inovadores, será instalado no Parque Tecnológico de São José dos Campos, em São Paulo. O laboratório funcionará em imóvel doado pela prefeitura e será gerenciado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).

A iniciativa tem apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que aprovou hoje (4) financiamento no valor de R$ 27,6 milhões para o IPT e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para construção do laboratório. Os recursos, não-reembolsáveis, são oriundos do fundo tecnológico do banco, criado para financiar investimentos em desenvolvimento tecnológico e inovação em áreas estratégicas para o país.

O prazo previsto para conclusão do projeto é de três anos, mas, segundo o diretor do Centro de Integridade de Estruturas e Equipamentos do IPT, Luiz Eduardo Lopes, a partir do sexto mês de obras, o laboratório poderá ter áreas em condições de operação. Ele disse que, assim que o BNDES liberar o dinheiro, serão encomendados os equipamentos necessários. Alguns deles, por envolverem tecnologias avançadas, são importados e têm prazo de entrega que pode chegar a até um ano e meio.

O projeto será assessorado por um comitê de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, para que a agenda de desenvolvimento tecnológico seja compatível com o que é feito de mais moderno no mundo hoje, afirmou o engenheiro Luiz Lopes. O novo laboratório de pesquisas e estruturas leves contará com uma equipe de pesquisadores de muitas instituições, “especialmente acadêmicas”, do próprio IPT e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), além de engenheiros da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer).

Lopes informou que os primeiros projetos desenvolvidos na nova unidade terão como principal cliente a Embraer. “Hoje, os projetos que são estruturantes têm como objetivo estruturas aeronáuticas, porque a grande preocupação da indústria aeronáutica é o ganho de peso nas novas aeronaves.”

O engenheiro acrescentou que as tecnologias, bastante amplas, deverão ser incorporadas por outros setores industriais, como os de petróleo, automobilístico, químico, de geração e transporte de energia, de transportes em geral, próteses ortopédicas e indústria do lazer. “As estruturas leves fazem um caminho transversal dentro das diversas indústrias. São tecnologias que serão incorporadas pelas outras indústrias muito fortemente em curto espaço de tempo.”

O financiamento do BNDES corresponde a 30,5% do investimento total de R$ 90,5 milhões. O restante será aportado pela Embraer, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia, e governo de São Paulo.

Lopes disse que as novas tecnologias que vierem a ser desenvolvidas poderão ser inclusive exportadas para outros países. “Para países que não têm uma indústria aeronáutica estabelecida neste momento inicial do laboratório, com certeza é possível [exportar]”. Ele ressaltou, entretanto, que o principal objetivo é capacitar e treinar pessoal no Brasil, “para dar suporte à indústria aeronáutica nacional e às outras indústrias”.