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IPT inaugura Laboratório de Estruturas Leves

Publicado em 16 maio 2014

Aguardado com grande interesse pelo caráter inovador e pelo porte do investimento realizado, o Laboratório de Estruturas Leves (LEL) do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) será inaugurado nesta sexta-feira (16/05) no Parque Tecnológico de São José dos Campos, no interior de São Paulo.

O laboratório realizará pesquisas voltadas ao desenvolvimento de estruturas, componentes e peças com menor peso, porém maior resistência. Seu objetivo: atender às necessidades de eficiência e redução de custos de diferentes segmentos industriais.

“Nós apostamos no aumento da demanda da indústria brasileira por estruturas leves nos setores aeronáutico, automobilístico, de exploração de petróleo e gás e de produção de energia eólica”, disse o engenheiro Fernando Landgraf, presidente do IPT e professor associado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).

A instalação do LEL contou com recursos da FAPESP, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, por meio de convênio com a Prefeitura de São José dos Campos.

O aporte total foi de R$ 46,7 milhões. Desse montante, cerca de R$ 10 milhões foram desembolsados pelo IPT e pela FAPESP, que apoia um dos quatro grandes projetos de pesquisa estruturantes do laboratório.

O laboratório tem área total de 4,5 mil metros quadrados (m²). Um destaque no complexo é a Sala Limpa, com 1,6 mil m², controle de temperatura, umidade e partículas.

“Essa sala abrigará vários equipamentos que depositam camadas adesivas de compósitos de fibras de carbono com polímeros. Depois que essas camadas são sobrepostas no formato desejado, o objeto todo é levado a uma autoclave de baixa temperatura e pressão controlada, para que o polímero seja curado e atinja a rigidez almejada”, explicou Landgraf.

A despeito de sua área, necessária para abrigar equipamentos de grande porte, o laboratório será operado por uma equipe relativamente pequena. “Estamos atualmente com 10 funcionários do IPT e esperamos chegar a 20. Além deles, o LEL deverá contar com um número equivalente de bolsistas e funcionários dos clientes envolvidos nos projetos”, afirmou Landgraf.

Três tipos de materiais, os mais utilizados atualmente para desenvolver estruturas leves, receberão especial atenção: metálicos (aço, alumínio e titânio, entre outros), compósitos (polímeros com o reforço de fibras de carbono, vidro ou celulose, por exemplo) e híbridos (resultantes da combinação dos dois tipos anteriores). Mas nada impede que outros materiais sejam considerados, desde que possam atender aos dois objetivos do laboratório: redução de peso e resistência elevada.

A exemplo de outros laboratórios do IPT, o LEL buscará atrair empresas e parceiros para a realização de projetos em colaboração mediante contrato.

“Já contamos com parcerias ativas com o ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica], a USP [Universidade de São Paulo,], a Unesp [Universidade Estadual Paulista] e a UFRN [Universidade Federal do Rio Grande do Norte], entre outras instituições”, disse Landgraf.

O primeiro parceiro industrial será a Embraer. O evento de inauguração do laboratório contemplará também a assinatura de contrato entre o IPT e a Embraer para projeto de pesquisa no âmbito da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

“O foco desse contrato com a Embraer, que só ocorreu graças ao suporte econômico da Embrapii, é o desenvolvimento de componentes de fibra de carbono para um avião civil de pequeno porte. Trata-se de uma parte importante e relativamente grande do avião, o que implica muitas junções e conexões”, disse Landgraf.

O LEL não está focado na produção de fibras de carbono, que já são estudadas no país por outras instituições. Mas na construção de componentes a partir dessas fibras. E isso propõe dois grandes desafios para a equipe: projetar os componentes e construí-los. São processos interligados, mas que exigem competências diferentes.

“Quando se passa do projeto de um componente fabricado com metais para o projeto de componente fabricado com fibras de carbono, há uma grande mudança de conceito. Porque os metais e polímeros comuns possuem propriedades isotrópicas – isto é, iguais em todas as direções. Ao passo que as fibras de carbono apresentam propriedades altamente direcionais”, disse Landgraf.

“Não podemos considerar a fibra de carbono como um alumínio negro. Trata-se de um material totalmente diferente, com uma grande anisotropia de propriedades. Então, temos que aprender a projetar levando em consideração a direcionalidade e ganhar com isso”, disse.

Leia mais sobre o LEL em http://agencia.fapesp.br/17385

Fonte: Agência Fapesp