Notícia

Gazeta Mercantil

IPT estuda polímetros degradáveis

Publicado em 30 julho 2007

Desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) na de cada de 90, o biopolímero poliidroxibutirato (PHB), com- posto orgânico, sintetizado por bactérias que se alimentam de açúcar, e com propriedades similares aos plásticos, tem sua aplicação focada, em geral, em produtos de rápido descarte, como produção de vasilhames para defensivos agrícolas, vasilhames e filmes para alimentos, produtos injetados (brinquedos, material escolar), descartáveis, além de recobrimento ou encapsulamento de produtos agrícolas ou mesmo para medicamentos de libe ração controlada.

"As características físicas e mecânicas do plástico biodegradável são semelhantes às de alguns polímeros sintéticos, que têm o petróleo como matéria-prima, mas oferecem o benefício de se degradar muito mais rapidamente depois de descartados do que os plásticos convencionais", observa Maria Filomena de Andrade Rodrigues, chefe do laboratório de biotecnologia industrial do IPT. Enquanto as embalagens PET, por exemplo, levam mais de 200 anos para se decompor, as resinas plásticas biodegradáveis se decompõem em torno de um ano e, dependendo do meio onde se encontram, este processo pode ser reduzido pela metade do tempo.

Não por acaso, a indústria que produz o PHB no Brasil leva o seu nome: PHB Industrial. A empresa também é proprietária da Biocycle, marca registrada para o produto. O nome — ciclo de vida — faz alusão ao próprio processo de biodegradação do produto, cuja matéria-prima surge da fotossíntese da cana-de-açúcar. Com a fermentação da sacarose oriunda da industrialização da cana-de-açúcar, surge o poliidroxibutirato (PHB), que, em contato com o ambiente ativo biologicamente, volta a ser gás carbônico e água, fechando o ciclo.

A PHB Industrial, que é a detentora da patente do PHB, é resultado de uma parceria entre o IPT, a Copersucar e o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, com financiamento do Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e do Ministério de Tecnologia. O investimento inicial foi de US$ 5 milhões.

Além do biopolímero de sacarose, o IPT está hoje voltado pára a produção de novas fontes de carbono para o plástico biodegradável, com pesquisas a partir do hidrolisado de óleos vegetais e soro do leite.