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IPT e CBMM obtém didímio metálico utilizado em superímãs

Publicado em 18 fevereiro 2016

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) desenvolveram, em parceria, e pela primeira vez no Brasil, os primeiros 100 gramas de didímio metálico, constituído de praseodímio e neodímio, elementos das terras raras usados na fabricação de superímãs.

“A obtenção do didímio mostra que é possível, num futuro breve, a sua produção em escala industrial, contribuição definitiva para completar a cadeia dos ímãs de alto desempenho, peças-chave nas turbinas eólicas e carros elétricos, mas também necessários em dispositivos eletrônicos. A ideia é que se tenha domínio tecnológico de toda a cadeia produtiva dos ímãs permanentes, desde a extração mineral das terras raras até a fabricação dos ímãs”, afirmou João Batista Ferreira Neto, pesquisador do Centro de Tecnologia em Metalurgia e Materiais (CTMM) do IPT e coordenador do projeto.

A CBMM, que exporta o nióbio extraído de sua reserva mineral situada em Araxá, em Minas Gerais, metal que possui também alto teor de terras raras, desenvolveu planta-piloto de concentração das terras raras e uma planta laboratorial que separa os óxidos, entre eles o óxido de didímio. A parceria com o IPT possibilitou o desenvolvimento de tecnologia de redução do óxido de didímio em metal, gerando o didímio metálico, o elo que faltava para a produção de superímãs, de acordo com o IPT.

O projeto foi desenvolvido no âmbito de contrato com a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) com duração de dois anos e previsão de término em junho de 2016. O projeto caminha agora para testes de rotas e processos, otimização de parâmetros de operação e controle do nível de pureza do didímio.

De acordo com o Departamento Nacional de Produção Mineral, o Brasil é detentor da segunda maior reserva de terras raras do mundo. O país, no entanto, ainda não explora comercialmente esses elementos, num mercado que é dominado pela China. “O projeto da CBMM é estratégico, pois abre portas para o país garantir internamente e também exportar um produto fundamental para indústrias de elevado conteúdo tecnológico, que têm demandas crescentes”, destaca Ferreira Neto.

Agência FAPESP