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IPT cria câmara de compatiblidade eletromagnética

Publicado em 28 abril 2010

Uma balança eletrônica de uso comercial registra 132 gramas referentes ao peso de uma peça de plástico sobre ela. No entanto, ao ligar uma fonte de radiação eletromagnética próxima, o peso registrado cai para 126 gramas.

Essa experiência foi utilizada para ilustrar a função do mais novo equipamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a câmara de testes de compatibilidade eletromagnética, ligada ao Laboratório de Equipamentos Elétricos e Ópticos e inaugurada na segunda-feira (26/4).

Os testes aqui realizados terão duas vertentes: a primeira é verificar se o equipamento eletrônico emite algum tipo de interferência eletromagnética. Além disso, veremos se o aparelho sofre interferências de radiações externas, explicou o pesquisador Mário Leite Pereira Filho, responsável pelo laboratório.

O equipamento e as suas instalações custaram R$ 4 milhões oriundos do projeto Moderniza, que tem a finalidade de atualizar e ampliar a infraestrutura de pesquisa do IPT. O projeto aplicará R$ 160 milhões no instituto durante o triênio 2008-2010. Desse montante, R$ 98 milhões virão do Governo do Estado de São Paulo e o restante de instituições e empresas como Fapesp, Petrobras, BNDES e Finep.

Entre os presentes à cerimônia de inauguração estavam o governador de São Paulo, Alberto Goldman, o secretário de Desenvolvimento do Estado, Luciano Tavares de Almeida, o diretor-presidente do IPT, João Fernando Gomes de Oliveira, e o presidente da Fapesp, Celso Lafer. Goldman falou sobre a importância do IPT para a pesquisa nacional e para o desenvolvimento da indústria brasileira. O que São Paulo produz em ciência, tecnologia e inovação não é somente para o Estado, é para o Brasil, e o IPT é exemplo disso, disse, destacando que está sendo traçado um projeto de atualização do instituto para as próximas duas décadas.

Além do instituto, Goldman ressaltou a contribuição das instituições de pesquisa paulistas para o desenvolvimento do país, como as universidades estaduais e os demais institutos, e destacou o papel da FAPESP no fomento à pesquisa. Oliveira falou sobre o papel do instituto de auxiliar a modernização da indústria nacional.

Com a atual revolução tecnológica, o domínio da ciência e da tecnologia são as mais importantes bases para o desenvolvimento da sociedade, disse, ressaltando que o IPT atua fortemente na capacitação tecnológica das empresas. Segundo ele, a nova câmara de testes eletromagnéticos ilustra isso, uma vez que ela dará suporte tecnológico à indústria eletroeletrônica.

Caixa blindada

A instalação principal do laboratório é uma caixa de aço blindada de 6 metros de largura, 7 de comprimento e 7 de altura. Em seu interior, uma mesa giratória é capaz de suportar até 1 tonelada em equipamentos a serem avaliados. As paredes internas possuem revestimento especial de cones de poliuretano.

O objetivo do isolamento é impedir que radiações eletromagnéticas penetrem em seu interior. Além disso, o revestimento deve absorver as ondas de testes emitidas durante os ensaios a fim de que elas não reverberem e interfiram nas medições. Os ensaios são monitorados em uma sala anexa também isolada, na qual um técnico ajusta a potência da emissão e recebe as medições registradas.

Esses equipamentos são os melhores da atualidade nesse tipo de avaliação. Temos condições de testar qualquer aparelho eletrônico comercial, disse Pereira Filho. Isso inclui televisores, rádios, celulares, computadores, sistemas eletromédicos, entre outros. O pesquisador explica que uma vez detectada a interferência no equipamento, como no caso da balança, o IPT auxilia a empresa a desenvolver um isolamento à prova de interferências eletromagnéticas.

As maiores demandas para esse tipo de solução estão nas áreas industrial e médica. Controladores programáveis de linhas de produção industrial, comuns em empresas modernas, não podem sofrer interferências, sob o risco de comprometer a produção. Já equipamentos eletromédicos controlam e monitoram sinais de pacientes em hospitais e clínicas como pressão, batimentos cardíacos e respiração. Uma interferência externa em seus circuitos pode custar uma vida. Aparelhos mais familiares ao cotidiano, como as balanças eletrônicas utilizadas em instalações comerciais, também estarão na bancada do novo laboratório.

O ensaio ilustrativo provou que a marca avaliada altera o resultado quando sofre radiação eletromagnética. Na prática, a precisão da balança seria afetada caso ela estivesse sujeita a alguma fonte de radiação eletromagnética, como, por exemplo, antenas de transmissão de rádio ou TV ou mesmo um rádio comunicador utilizado por seguranças.

Agência Fapesp www.portallumiere.com.br