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Gazeta Mercantil

IPT abre núcleo que monitora poluição

Publicado em 07 junho 2002

Por Cláudia Marques - de São Paulo
O instituto de Pesquisas Tecnológico do Estado de São Paulo (IPT) assinou ontem dois contratos de parceria que visam a formação de centros tecnológicos empresariais - um no setor de materiais plásticos, outro nas áreas de controle ambiental e de equipamentos de alta tecnologia. Na presença de autoridades governamentais e representantes de entidades empresariais e de instituições de pesquisas, o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Mota Sardemberg. inaugurou o primeiro túnel de vento de camada limite atmosférica do Brasil - equipamento que monitora com precisão testes de calibragem e simulação, o deslocamento de poluição e o comportamento da potência de motores. Durante o evento, foi anunciada também a criação do Centro Tecnológico de Compósitos, combinação de resina termoquímica com reforço. MONITORAÇÃO AMBIENTAL De acordo com Marcos Tadeu Pereira, chefe do Agrupamento de Vazão do IPT, existem 15 túneis como este no mundo. "São 40 metros de comprimento feitos de madeira e estrutura metálica, com uma série de janelas de vidro para observação e uma enorme hélice na extremidade." Em linhas gerais, a idéia de funcionamento deste modelo é produzir correntes de vento que cheguem até a 90 quilômetros horários e "assim, observar e testar o comportamento dos modelos inovados", segundo ele. "O túnel é fundamental para novos ensaios nas áreas de engenharia, química, aeronáutica, automobilística e até em estudo de modelos matemáticos", explica Pereira. Outro setor de aplicação do túnel é o do monitoramento ambiental. 'Com o uso dessa tecnologia, poderemos estudar os pólos geradores de poluição." Segundo ele, com o uso do túnel é possível definir o melhor posicionamento dos edifícios, identificar qual tipo de poluição se move e qual se concentra, causando danos à população. "Dessa forma fica fácil realizar as intervenções urbanas, para que se possa melhorar o efeito dos poluentes." TÚNEL: PARCERIAS INTERNACIONAIS Pura a construção do túnel, que possibilita a inovação de tecnologia de ponta, foram realizados convênios com a Universidade da República do Uruguai, com uma instituição francesa de pesquisa e com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa (LNEC). Além disso, o IPT também contou com parceiros como a Cetesb, o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosférica (IAG) da USP, e a Fapesp. csantos@gazetamercantil.com.br CENTRO DE COMPÓSITOS A criação do Cetccom (Centro de Tecnologia de Compósitos) animou a indústria do plástico Segundo dados da Associação Brasileira do Materiais Plásticos Compostos (Asplar), o setor - que em 2001 faturou U$ 700 milhões poderá se fortalecer com a criação do um centro de incubadoras para inovações. De acordo com José Alaor Alves, presidente da entidade, o consumo médio estadual por pessoa é de 600 gramas ao ano." A média anual nos países desenvolvidos é de seis quilos anuais por pessoa." A parceria com o IPT, segundo Alves, proporcionara atualização tecnológica que ajudará o setor a ter maior representam idade no mercado externo. "Num primeiro momento teremos oportunidade de substituir as importações de compósitos, o que já é um grande passo." Para Alves, outro fator que inibe o setor de compósitos é a falta de isonomia tributária. "Como é um produto indefinido e desconhecido, ele é sempre tributado pela tarifa máxima, 15%, afirma. Dados da mostram que os materiais concorrentes do compósito têm tarifas menores. O aço tem tarifa zero, o alumínio é taxado em 10º e o amianto - o maior concorrente -, de 4%. MIL E UMA UTILIDADES Os compósitos têm características diferenciais em relação aos materiais concorrentes. Eles são leves; têm alta resistência mecânica e de corrosão; são isolantes térmicos: têm baixo custo ferramental e de manutenção; e possuem alta flexibilidade de projeto. Esse material de resina reforçada possui mais de 40 mil aplicações na agricultura, saneamento, transporte, indústria automobilística, aeronáutica, vestuário e construção civil. "Os compósitos fazem parte do nosso cotidiano. do botão de camisa à carroceria de um carro de fórmula", explica Alves. O próximo passo agora é procurar a parceira com a Fiesp para a identificação da demanda do mercado, para o desenvolvimento de novos produtos. (CM)