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Diário Oficial do Estado de São Paulo

IPq oferece palestra bimestral sobre cirurgia para Parkinson

Publicado em 10 abril 2018

A cada dois meses, o Instituto de Psiquiatria (IPq) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) oferece palestras gratuitas para orientar e esclarecer seus pacientes e familiares/acompanhantes sobre cirurgia de estimulação cerebral profunda para alguns pacientes com doença de Parkinson que não apresentam controle adequado dos sintomas com as medicações.

Com vagas limitadas, as aulas também são abertas ao público em geral (pessoas com Parkinson e acompanhantes). O próximo encontro será dia 8 de maio, terça-feira, das 8 horas às 9h30, no auditório do 4º andar - ala central do Ipq. (Ver serviço).

Chamado de Programa de Psicoeducação em DBS na doença de Parkinson (ProPark), o primeiro evento foi realizado em janeiro e dura em média noventa minutos. O procedimento, que em inglês é conhecido como Deep Brain Stimulation (DBS), consiste na implantação de eletrodos no cérebro do paciente e uma espécie de marcapasso em sua região torácica.

“Essa cirurgia é realizada na região do cérebro comprometida pela doença para estimulá-la por meio dos eletrodos 24 horas por dia”, explica o neurologista Rubens Gisbert Cury, responsável pelo Ambulatório de Estimulação Cerebral Profunda do IPq e coordenador do ProPark. Ele diz que essa técnica resulta no alívio importante dos sintomas da doença e na melhora da qualidade de vida.

Critérios SUS – O IPq é um dos poucos centros hospitalares públicos do Brasil aptos a realizar o DBS. As cirurgias são realizadas conforme critérios do Sistema Único de Saúde (SUS). Nos últimos dez anos, o instituto da FMUSP operou cerca de 150 pessoas.

“Nos encontros bimestrais, os pacientes esclarecem dúvidas sobre como é feita a cirurgia, a recuperação, o que se pode e o que não se pode fazer após o procedimento, além dos efeitos esperados, entre outras informações. Neste contexto, montamos uma equipe voluntária que ministra aulas sobre a doença, explicando o passo a passo da cirurgia por meio de vídeos educativos”, informa o neurologista.

Cury esclarece que o DBS é indicado a cerca de 20% dos pacientes com Parkinson. São doentes que apresentam tremores incapacitantes, ou aqueles nos quais os sintomas “flutuam” ao longo do dia, mesmo com o uso adequado das medicações.

“Quando bem indicado, o resultado do DBS responde por uma melhora de 55% a 70% nos sintomas. Porém, a decisão por realizar a cirurgia é individualizada. Cada caso deve ser bastante discutido entre o médico, o paciente e a família”, ressalta o especialista. Na sua avaliação, palestras como essa são importantes para os pacientes conhecerem os riscos e benefícios da cirurgia, assim como esclarecer dúvidas.

Palestrantes – O neurologista Cury diz que na maioria dos pacientes com doença de Parkinson, os sintomas devem ser controlados com medicamentos (parte deles disponível no SUS), fisioterapia e atividade física.

As aulas também são ministradas pelo coordenador do Serviço de Neuropsicologia do IPq, Antonio de Pádua Serafim, e as neuropsicólogas Juliana Emy Yokomizo, Raquel Penteado, Wilma Silva e Francine Vasconcellos.

Viviane Gomes

Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial

Serviço

O próximo encontro será dia 8 de maio, terça-feira. Inscrições pelo e-mail propark@gmail.com.

USP testa medicamento contra a doença

A boa notícia é que a Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, representada pela neurocientista Elaine Del-Bel, lidera um grupo de pesquisa que testa o antibiótico doxiciclina e obtém bons resultados em experimentos com animais. “Os estudos contam com colaboração de pesquisadores da França e Argentina. Constatamos que nos animais, a aplicação do componente ativo impede a evolução da morte dos neurônios que produzem dopamina e melhora os sintomas motores”, revela a professora da USP.

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a primeira publicação científica sobre o assunto ocorreu em 2012. A expectativa da pesquisadora é que em um ano iniciem-se os estudos em humanos. A doxiciclina é um antibiótico de baixo custo, amplamente conhecido e indicado há mais de 40 anos para tratar malária, periodontite e um tipo de dermatite.

“Se os resultados forem positivos, existe a possibilidade de o medicamento estar disponível no mercado para tratar Parkinson em 2022 ou 2023”, antecipa Elaine, que é especialista em Bioquímica, Farmacologia e Fisiologia do Sistema Nervoso Central.

Reivindicações – Ela diz que atualmente nem todas as opções de medicamentos estão disponíveis no SUS. A neurocientista foi convidada pela organização não governamental Vibrar Parkinson para uma audiência no Senado, para conscientização sobre a doença de Parkinson. Uma das reivindicações da ONG foi o acesso gratuito de medicamentos para tratamento da doença entre jovens e pessoas com menos de 60 anos. Hoje os remédios são oferecidos pelo SUS apenas a pessoas acima de 60 anos.

A doença de Parkinson afeta uma região do cérebro chamada substância negra, onde existem neurônios que produzem dopamina, um dos neurotransmissores participantes do controle da atividade motora. A diminuição da produção da dopamina, como em 80% dos pacientes com Parkinson, causa depressão, dificuldade para engolir, mastigar e para movimentar o corpo (como caminhar, ficar em pé), tremor, falta de equilíbrio, distúrbios do sono e problemas gastrointestinais.

O Parkinson é mais comum entre as pessoas acima de 60 anos, mas também atinge jovens acima de 25 anos. “Com causa desconhecida, supõe-se que a doença tenha relação genética e decorrente de poluição ambiental, como o contato com inseticidas na lavoura. Portanto, não há como preveni-la e esse é o principal problema”, alerta Elaine. Ela relaciona os sinais iniciais do problema neurológico: depressão, problemas gastrointestinais e distúrbios do sono.

A doença neurológica é degenerativa. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que atinge cerca de 1% da população mundial com idade superior a 60 anos. Estimativas de 2014 indicam que no Brasil, aproximadamente 200 mil pessoas sofrem com o problema.

Viviane Gomes

Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial