Notícia

O Estado do Paraná

Iogurte de soja pode reduzir colesterol

Publicado em 01 julho 2001

Pesquisadores da Unesp - Universidade Estadual de São Paulo desenvolveram um iogurte que além de saboroso, reduz o colesterol. À base de soja e fermentado com um microorganismo chamado Enterococcus faecium, a bebida ainda está em teste para reversão do câncer de mama e para estimular o sistema imunológico. O professor Elizeu Antônio Rossi, do departamento de Alimentos e Nutrição (ligado à Faculdade de Ciências Farmacêuticas), trabalha com tecnologia de laticínios desde 83 e já havia criado uma técnica para aumentar o prazo de conservação do leite recém-ordenhado, sem necessidade de refrigeração. A partir de 94, ele passou a estudar os efeitos profiláticos e terapêuticos dos fermentados de soja, em parceria com pesquisadores argentinos do Centro de Referência para Lactobacilos (Cerela), unidade voltada para a produção de alimentos. Rossi esteve um tempo na Argentina, onde descobriu que uma cepa específica do microorganismo fermentava o leite de soja, transformando-o num produto final muito parecido com o iogurte do ponto de vista da consistência e, além de tudo, com poder de reduzir em 18% o nível de colesterol no sangue. "Talvez o dado mais importante seja o fato de (o produto) ter aumentado o colesterol bom, o HDL", comemora Rossi. O LDL, proteína de baixa densidade, ou simplesmente mau colesterol, em excesso, vai se depositando nas artérias até formar coágulos. Se ficarem obstruídas, esse estado pode levar a um infarto. O HDL atua no transporte reverso do LDL, por isso é chamado de bom colesterol. Ao circular pela corrente sanguínea, ele tem a capacidade de transportar o LDL novamente até o fígado, para ser sintetizado. RECURSOS A primeira fase teve financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Centro Argentino-Brasileiro de Biotecnologia (Cabio), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do órgão de fomento da Unesp. Agora, em uma segunda fase, os especialistas investigam se o produto causa alguma reação adversa. Paralelo ao estudo para descartar a ocorrência de efeitos maléficos, eles trabalham com alguns elementos da soja com o objetivo de potencializar o poder de redução do colesterol, de reduzir o risco de câncer de mama - podendo até chegar à reversão da doença - e de estimular o sistema imunológico. Esses experimentos se iniciaram este ano e têm conclusão prevista para dentro de um ano e meio, dessa vez com financiamento único da Fapesp.