Notícia

WebDiário (Osasco, SP)

Investindo, tudo dá

Publicado em 06 abril 2012


Quase um ano atrás – exatamente na edição de 10 de abril de 2011 – destacávamos em artigo a história de um jovem empreendedor que saiu de uma cidade satélite de Brasília para criar, na capital paulista, um jeito novo de divulgar publicidade pela internet. Passado esse tempo, Marco Gomes, empresário de 25 anos é o único brasileiro a figurar no ranking anual da revista norte-americana Fast Company, que lista as 50 empresas mais inovadoras do mundo. A boo-box (assim mesmo, toda moderninha, com o nome só em letras minúsculas), agência de Gomes, capta anúncios de empresas para veiculação em blogs e perfis de Twitter conveniados, e estes recebem uma parcela do faturamento, de acordo com a quantidade de acessos. Na análise do vencedor, seu lugar no ranking mundial se deve à escala do negócio: a publicidade é veiculada em uma rede de 310 mil sites, vistos por 80 milhões de pessoas a cada mês.

É interessante notar as coincidências, pois na semana passada nosso tema foram justamente os modelos brasileiros de inovação e o cinquentenário da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Gomes não contou com apoio de agências similares, mas de investidores que viram o potencial daquele negócio. O levantamento da Fast Company também fez o recorte nacional dos destaques em inovação. Até houve predominância de cases paulistanos, mas o ranking conta com quatro representantes de outras cidades: duas do Rio de Janeiro, uma de Piracicaba e uma de São José dos Campos. E, como tamanho não é documento, mas sim a criatividade, entre os brasileiros houve espaço para gigantes como a Petrobras e a Embraer, para negócios virtuais do site Apontador ou para pequenos negócios como a Bug Agentes Biológicos – representante piracicabana que controla pragas nas plantações com vespas – e a própria boo-box.

O importante mesmo é destacar que, parodiando Pero Vaz de Caminha, a revista comprovou que nesta terra em se investindo tudo dá. Mesmo tendo inúmeros obstáculos, o brasileiro consegue encontrar meios de lançar olhares diferentes sobre ideias preestabelecidas, de desvendar novas técnicas e surpreender o mundo. É preciso instituir-se uma política nacional de incentivo à pesquisa, à indústria de inovação e à tecnologia. Afinal, retomando um ponto importante do último artigo, tudo isso traz divisas em patentes e royalties, sem falar em mais empregos e oportunidades de negócios. O assunto merece ser debatido na esfera governamental, sim, mas também nas empresas e instituições de ensino, pois cada grupo desses tem muito a contribuir. Pois, o diálogo aberto se refletirá em mais incentivo a investimentos por parte do Estado; em mais concessão de crédito, mais espaço para pesquisa e inovação no mundo dos negócios; e, por fim, mais produção de conhecimento puro em ambiente acadêmico.


Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.