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Jornal do Commercio (RJ) online

Investimentos em nanotecnologia

Publicado em 07 julho 2005

Futuro - Países ricos concentram estudos, mas benefícios serão gerais

A nanotecnologia tem tudo para se tornar uma tecnologia "transformativa", com um impacto comparável ao da máquina a vapor, da eletricidade e da internet. Calcula-se que os Estados Unidos vão gastar mais de US$ 3,7 bilhões em nanociência e nanotecnologia apenas nos próximos três anos. O Japão pretende investir quase tanto, US$ 3 bilhões. A Comissão Européia planeja destinar US$ 7,5 bilhões apenas em seu Programa de Desenvolvimento Tecnológico, de 2007 a 2013.

Investimentos estratosféricos como esses implicam que as diferenças entre o Norte e o Sul do planeta se tornarão ainda maiores? A resposta, segundo Mohammed Hassan, da Academia de Ciências do Terceiro Mundo, parece ser "não".

Segundo artigo do pesquisador, publicado na revista "Science", a nanotecnologia pode vir a ser um diferencial que impulsione o desenvolvimento dos países menos ricos. Para Hassan, governos de diversos países do hemisfério Sul estão em pleno andamento de políticas científicas e tecnológicas sofisticadas e efetivas, que podem ajudar a diminuir as diferenças com o hemisfério Norte.

Hassan lista uma série de políticas que acredita necessárias para o avanço da nanociência e da nanotecnologia. Entre elas estão a criação de centros de excelência e de novas redes de colaboração com cientistas de países desenvolvidos. Outro é o investimento federal, considerado essencial para estimular esse novo campo do conhecimento. Também fundamental é a criação de políticas nacionais para investimentos em projetos de pesquisas direcionados aos assuntos mais básicos nas regiões, como saneamento básico, energias de baixo custo, educação e saúde.

Se as diferenças com o hemisfério Norte podem diminuir, o efeito negativo é a criação de maiores desigualdades dentro do hemisfério Sul, entre os que estão à frente no desenvolvimento da nanotecnologia e os demais. Hassan cita como exemplos do primeiro caso Brasil, China, Índia e México. O pesquisador menciona que o governo brasileiro pretende investir US$ 25 milhões na área entre 2004 e 2007, dez vezes menos que o chinês, mas muito mais do que as nações mais pobres.

Agência Fapesp