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Investimentos devem triplicar produção de insumo para diagnóstico de doenças em animais

Publicado em 29 dezembro 2019

Antígenos para verificar ocorrência de brucelose e tuberculose terão maior prazo de validade, para atender demanda dos pequenos produtores

O investimento de R$ 3,5 milhões na compra de equipamentos para o Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, deve triplicar a produção de imunobiológicos pelo Brasil até 2021 e abrir caminho para nova área de pesquisa na produção em grande escala. O IB é a única instituição brasileira autorizada a produzir os insumos que atendem o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT).

Os imunobiológicos são utilizados para o diagnóstico de tuberculose e brucelose em animais. Sem esses antígenos, o país não pode vender nem comprar animais no exterior, além de prejudicar o trânsito interestadual e impactar diretamente na saúde da população. Pesquisas utilizando os novos equipamentos permitirão ainda dobrar o prazo de validade dos produtos e produzir frascos com doses menores, para atender a demanda dos pequenos produtores rurais.

Segundo o médico veterinário do IB, Ricardo Spacagna Jordão, o Instituto adquiriu três equipamentos para o Laboratório de Produção de Imunobiológicos, localizado em São Paulo. Um deles é uma envasadora automatizada de frascos, única na América Latina, com capacidade para produção de 300 litros (30 vezes maior do que a usada atualmente).

O recurso para a compra dos equipamentos foi disponibilizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do Plano de Desenvolvimento Institucional em Pesquisa (PDIP).

“Esses equipamentos vieram apoiar a pesquisa aplicada para otimização de processos e novos produtos no Instituto Biológico. Nossa produção de imunobiológicos anual é de 4,5 milhões de doses, aproximadamente. Esperamos em 2020 aumentar em 38% a produção e em 2021 triplicar. (…) Com isso, poderemos atender a demanda nacional de imunobiológicos, que é de 12 milhões de doses por ano”, explica Jordão.

Validade maior

A melhoria da infraestrutura laboratorial também permitirá aumentar de um para dois anos o prazo de validade dos produtos, que é uma demanda antiga dos clientes. Outro ganho para os pecuaristas será quantidade de doses dos produtos ofertados. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento já autorizou o IB a produzir imunobiológicos em frascos menores.

“O IB tem expertise no desenvolvimento de pesquisas em sanidade animal. Precisamos que haja cada vez mais um trabalho integrado com a Defesa Agropecuária, para que esses resultados sejam levados para o produtor”, diz o Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira.

Atualmente, um frasco de Tuberculina, usado para o diagnóstico de tuberculose, possui 50 doses, para brucelose AAT 160 doses e Prova Lenta, também usado para diagnóstico de tuberculose, 60 doses. Além dos tamanhos tradicionais, o IB passará a também ofertar frascos com 20, 64 e 24 doses, respectivamente.

“Isso é muito importante para o pequeno produtor. Se o pecuarista, por exemplo, tem dez animais na sua fazenda, não precisará comprar um frasco de 50 doses. Como trabalhamos com produto biológico não é possível guardar, ou seja, 40 doses teriam que ser descartadas. A redução nos frascos traz ganhos econômicos para o produtor, aumenta a qualidade e reduz o desperdício, que hoje é estimado em 30% por conta do tamanho dos frascos”, afirma o médico veterinário.

O IB comercializa os kits com imunobiológicos para 24 Estados brasileiros, além do Distrito Federal. A venda é feita para médicos veterinários habilitados, por meio de casas agropecuárias que compram estes produtos do IB.

“O Instituto Biológico está equipado com o que há de mais moderno no mundo nessa área. Estamos à frente nas pesquisas e esses equipamentos vão nos ajudar a ampliar os estudos e a produzir novos produtos para promover a sanidade no rebanho brasileiro”, afirma a diretora-geral do IB, Ana Eugênia de Carvalho Campos.

Imunobiológicos

Os imunobiológicos são antígenos – microoganismos mortos, proteínas produzida por bactérias etc – usados para diagnosticar doenças, entre elas a tuberculose e a brucelose em diversas espécies, principalmente nos de produção, como os bovinos. O IB disponibiliza aos pecuaristas brasileiros kits para análise.

Caso os animais apresentem resultado positivo na pesquisa de anticorpos, precisarão ser eutanasiados e a propriedade pode até mesmo ser interditada. “Caso a carne ou leite infectados sejam consumidos, as pessoas podem se contaminar com essas doenças, daí a importância de se fazer o controle sanitário”, explica Jordão.

Os custos para manter a sanidade de um rebanho são bem menores do que as perdas que essas doenças podem causar. O diagnóstico da tuberculose e brucelose nos animais utilizando os imunobiológicos somente pode ser feita por médicos veterinários habilitados.