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Diário do Comércio (SP)

Invenções podem ser bom negócios

Publicado em 28 maio 2007

Lançar mão da criatividade dos inventores pode ser um bom negócio para o varejo e para as empresas. Em alguns casos,porque os produtos criados otimizam as atividades e, em outros, porque agregam valor aos negócios.
O assento sanitário vendido pela Higimax—unidade de comercialização da CDN Brasil, que fabrica o produto em Goiânia — é uma das invenções que agregam valor. Ele é revestido por um plástico, substituído automaticamente ao toque de um botão lateral no vaso sanitário. Inicialmente importado de empresa suíça, o assento ganhou versão brasileira em 2003 e atualmente é o cano-chefe da linha de sistemas de higienização da empresa.
Sérgio Rangel, sócio da Higimax, informa que já foram vendidos cerca de 16 mil assentos, ao custo unitário de R$ 429, com bobina de plástico suficiente para atender 125 pessoas. No caso de um restaurante, de acordo com cálculos da empresa, cada utilização tem custo final de menos de R$ 0,15.
A linha ainda inclui Higidente (para oferta de fio dental) e equipamentos sensorizados importados, como saboneteiras, lixeiras e torneiras.
O proprietário da Koller, Claudio Sindicic, também promete novidades para o mercado. Ele desenvolveu um aparelho telefônico para pessoas com perda parcial de audição, na incubadora de tecnologia Cietec, em São Paulo. Sindicic já conhecia o problema pelo lado mais difícil, pois, desde o final do ano passado, fabrica telefones para surdos, projeto desenvolvido em parceria com a Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicação (CPQD, de Campinas). Somos o único fabricante de tele fones para surdos da América Latina', afirmou.
Antes de produzir os equipamentos — dotados de tecla do alfa numérico e display pa ra visualização da conversa — a Sindicic já importava aparelhos do gênero. O público preferencial eram as operadoras de telefonia, obrigadas por lei a oferecer aos surdos a opção de uso do telefone. De acordo com o empresário, só a Telefônica tem 1.575 aparelhos.
A expectativa dele é de faturamento de R$ 8 milhões neste ano, o dobro do registrado em 2006. Além dos cerca de 3 mil telefones para surdos que planeja produzir, a comercialização de outros equipamentos — como despertadores—para es se público deve contribuir pa ra aumentar a receita.
Limpeza — Outra novidade, que deve ser lançada na Fispal Food Service, em junho, é a lavadora de louças CCR 100, da multinacional Hobart.
O diretor comercial da empresa, Renato Patrício, disse que o grande diferencial dessa invenção é oferecer a lavagem totalmente automatizada. O equipamento é ideal para restaurantes que servem 400 refeições por hora e custará cerca de R$ 30 mil, ante R$ 19mil, do modelo semi-automático. Em contrapartida, o novo aparelho e 60% mais rápido e proporciona economia de 25% no consumo de água.
Para bares e casas noturnas, outra criação é o dosador de bebidas, apresentado pela Bar Systems Brasil na última Restaura bar, em São Paulo.Vendido em módulos, com preços que variam de R$ 5 mil a R$ 100 mil, o sistema permite controle computadorizado das doses de bebidas vendidas, com eliminação de perdas e roubos.
Já os esfregões vendidos pela Center master economizam esforço físico do usuário. O aparelho em uma bitola de alumínio (como um cabo de uma vassoura) que pode ser adaptada à altura da pessoa.
Além disso, tem um mecanismo que, com um simples giro da bitola, permite torcer o tecido da extremidade, usado para limpar o chão.
Salgadinhos—Na lndiana empresa familiar com 62 anos de mercado, a máquina de salgados e docinhos já faz sucesso há oito anos. "Todos os anos atualizamos o produto", afirmou Nanci de Biasi, sócia da empresa. Os preços variam conforme o tamanho, de R$ 28,5 mil a R$ 65 mil. Só em 2006, Nanci vendeu cerca de 200 modelos, colhendo resultados da exposição do produto em 20 feiras de negócios.
A Indiana tem atualmente 60 funcionários e um catálogo de 120 tipos de máquinas, Além disso, fabrica macarrão no showroom que mantém para oferecer serviço de treinamento a clientela.
Segundo especialista è, o Brasil ainda não inova tanto quanto seria desejável. Os registros do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) mostram que os depósitos de patentes dos chamados "não residentes" são historicamente superiores aos realizados pelos inventores brasileiros, com participação em torno de 20% das solicitações totais. A informação é da coordenadora de Cooperação Nacional do Instituto Nacional de Patentes Industriais, Rita de Cássia Pinheiro Machado. Para reverter esse quadro, de acordo com ela, ha um cronograma de cursos e seminários, implementado desde 2005.
Na incubadora Cietec, estabelecida no campus da Universidade de São Paulo, as inovações são imprescindíveis para a aceitação dos projetos.
O coordenador técnico da incubadora, José Carlos Lucena, afirmou que,hoje, cerca de 300 produtos estão sendo desenvolvidos pelas 122 empresas incubadas na universidade.
No Estado de São Paulo existem outras 16 incubadoras de base tecnológica. "Ainda há muito para se crescer nessa área", disse Lucena.
As dificuldades se concentram no processo de colocação dos produtos no mercado, incluindo a obtenção de recursos. A Cietec tem o apoio de financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e de fundos setoriais.