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Intoxicação por agrotóxicos

Publicado em 15 dezembro 2015

Pesquisa desenvolvida com Bolsa de Iniciação Científica de caráter social na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Unesp de Franca é inédita no Brasil e a primeira dentro do Serviço Social com foco na intoxicação por agrotóxicos.

Intitulada Os Amargos Frutos do Trabalho Brutal: O Uso de Agrotóxicos Nas Lavoras de Tomates e os Agravos à Saúde dos Trabalhadores Rurais de Ribeirão Branco – SP, a pesquisa traz um intenso trabalho de campo que durou quatro anos e, durante a sua execução, mobilizou o poder público local e estadual. Foi orientada pela Prof.ª Dr.ª Edvânia Ângela de Souza Lourenço (edvaniaangela@hotmail.com) e contou com a publicação de um texto na revista ELSEVIER, uma das mais importantes da Europa.

A partir da década de 1960, quando do início das primeiras observações realizadas no Brasil, acerca dos impactos decorrentes da disseminação do uso de agrotóxicos em lavouras de gêneros consumidos in natura verificou-se inúmeros agravos à saúde da população campesina, que manipula produtos químicos voltados à “otimização” da produção. Esses últimos são responsáveis por efeitos deletérios, nomeadamente o adoecimento mental, má formação congênita e diversos quadros cancerígenos.

Atento a esse fenômeno, a presente pesquisa teve como objetivo analisar a incidência de intoxicação exógena por agrotóxicos na tomaticultura desenvolvida em Ribeirão Branco, cidade situada na região sudeste do estado de São Paulo e que apresenta a maior produção brasileira de tomate de mesa. Além da utilização dos registros de intoxicações ocorridas entre os anos de 2007 e 2011, disponibilizados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação de investigação, ainda conta com os relatos de cinco trabalhadores expostos a agrotóxicos e entrevistas semi estruturadas realizadas com a assistente social do INSS e profissionais do CEREST de Itapeva, órgão responsável pela atenção à saúde do trabalhador naquela região.

Entre os resultados obtidos, observou-se a ausência de dados que subsidiem políticas públicas referentes á intoxicação química, principalmente devido ao perfil de vulnerabilidade predominante na região e que deveria ser prioridade das ações do poder público. Espera-se com este estudo, contribuir para que os problemas sociais e de saúde vivenciados pelos trabalhadores que atuam nas lavouras de tomate sejam reconhecidos e alvo de intervenções devidas e necessárias a sua interrupção.

Robson de Jesus Ribeiro é graduado em Serviço Social pela Unesp de Franca. Atualmente é Bolsista de Treinamento Técnico da Fapesp na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Informações: robsonjrib@gmail.com

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