Notícia

Gazeta Mercantil

Internet2 se expande na AL

Publicado em 17 setembro 2001

Por Fernando Teixeira - São Paulo
América Latina e Caribe estão ampliando os canais de conexão direta à internet2. Neste ano, redes acadêmicas de pesquisa do Chile e do Brasil já se conectaram e até o final de setembro deverá ser a vez da Argentina entrar na rede. Essa integração é resultado de um projeto da Universidade Internacional da Florida (FIU), em conjunto com a empresa de telecomunicações Global Crossing. A companhia doou 10 links para o projeto, assumindo uma empreitada com custo de US$ 30 milhões. A rede internet2 interliga 180 universidades americanas com alta velocidade de transmissão de dados, utilizando bandas de transmissão milhares de vezes mais rápidas do que as convencionais. As redes acadêmicas no Brasil. Chile e Argentina são menos velozes e não tão extensas, mas se beneficiam com o projeto, uma vez que conseguem trocar informações com as instituições americanas mais facilmente. A internet2, por enquanto utilizada apenas no meio universitário e de pesquisa, é encarada como uma fonte potencial de nova tecnologia que se expandirá para além das fronteiras dos campi. "Até o começo dos anos 90 a internet que existe hoje também foi apenas acadêmica. Um dia a internet2 será igualmente disseminada", diz Alexandre Grojsgold, diretor de operações da RNP (Rede Nacional de Pesquisa), do Brasil, que iniciou a operação do seu link em agosto. A Global Crossing entrou no projeto atraída pela possibilidade de estimular a pesquisa e. assim, difundir o uso da tecnologia de internet avançada. A empresa possui 160 mil quilômetros de cabos de fibra ótica ao redor do mundo, inclusive um cabo de 29 mil quilômetros que contorna a América do Sul. Cada um dos links doados para o projeto tem capacidade de transmitir 45 megabits por segundo (Mbps), quase mil vezes mais do que uma ligação de internet comum, de 55 Kbps. A doação tem interesses bem definidos. "Pretendemos com nossa atitude fomentar o uso da internet de alta velocidade e o desenvolvimento de novas aplicações", afirma Luís Carlos Correia, diretor-geral da Global Crossing no Brasil. Além disso, a empresa tem como horizonte incentivai uma maior demanda por banda de transmissão - que é exatamente o ramo de atuação da companhia. Através de sua estrutura de comunicações de cabos submarinos e terrestres, a Global Crossing presta serviços em telefonia, fornecendo capacidade de tráfego de dados. Outros países com instituições de pesquisa envolvidas no projeto são Panamá, Venezuela. México. Colômbia e Peru. No Brasil, a rede RNP integra os 27 Estados brasileiros, conectando mais de 350 instituições de ensino e pesquisa. O diretor de operações da RNP vê que o problema dessa nova tecnologia não será a capacidade de transmissão, que deverá ser abundante, mas o uso que é possível dar a essa capacidade. Por isso, há a necessidade de pesquisa: "É preciso estimular o aparecimento de aplicações inovadoras", lembra Grojsgold. Entre esses novos usos podem estar, por exemplo, o controle de instrumentos via internet, telemedicina e novas formas de transmissão de imagens e de interação entre pessoas à distância. Pela primeira vez, segundo Grojsgold, há mais banda de transmissão do que o necessário. Porquanto, é importante agora a rede encontrar parceiros no Brasil, nos EUA e na América Latina para utilizar essa capacidade de transmissão de dados. SÃO PAULO PESQUISA CONEXÃO O estado de São Paulo está iniciando neste ano pesquisas de ponta em informática, que têm como objeto de estudo velocidades incomuns de transmissão de dados pela internet. A previsão é interligar diferentes pontos do Estado com conexões que podem chegar a 400 Gbps (Gigabits por segundo), alguns milhões de vezes mais rápidas do que uma internet comum, de cerca de 55 Kbps. O programa tem como objetivos principais a criação de capacitação técnica e de pessoal e a mobilização da iniciativa privada para a pesquisa de ponta no país. A previsão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) é gastar cerca de US$ 4 milhões nos próximos dois anos, fora outros recursos que espera captar na iniciativa privada. Uma das empresas que já estão em negociação com a entidade é a Ericsson. A Fapesp procura reproduzir características próprias do modelo de pesquisa utilizado no estudo do Genoma, um projeto que alcançou resultados inéditos no mundo. (F.T.)