Notícia

Jornal do Brasil

Internet vai ligar médicos e cientistas do mundo inteiro

Publicado em 17 abril 1995

Por MARIA GOMES
Salvador - Um novo programa de prevenção de doenças já está sendo desenvolvido na Pensilvânia pelo professor da Universidade de Pittsburgh. Ronald Laporte, para interligar a comunidade médica o científica mundial através da rede de informática Internet. A sua idéia é fazer um monitoramento das doenças como cólera, câncer. Aids e cardiovasculares para saberá freqüência em que elas ocorrem. Esta identificação possibilitará, segundo Laporte, tomar providências mais adequadas no combate às doenças usando tecnologia e medicamentos de última geração. "No Brasil sabe-se mais sobre espécies em extinção do que pessoas com diabete", disse Laporte, que está em Salvador participando do Seminário de Epidemiologia com representantes de países da Europa e América Latina. O programa, conhecido como Rede Global de Saúde Network, foi criado por Laporte há dois anos e já tem a participação de 170 centros, em 70 países. O sistema funciona em parceria com a Nasa. Banco Mundial, Organização Mundial de Saúde e Organização Panamericana de Saúde. A primeira etapa do programa é interligar o sistema público de saúde à rede Internet, fazer o monitoramento das doenças e criar uma universidade global de saúde. "As salas de aula não terão paredes. Posso ensinar alguém em Moscou. Tóquio e São Paulo ao mesmo tempo", disse. Ele já conta com a participação de 60 professores universitários espalhados em cerca de IS países, inclusive no Brasil. ONGs - Outra etapa será a conexão do programa com organizações não-governamentais na área de saúde. Na África, onde só cinco países estão conectados á rede, 60% dos trabalhos na área de saúde são desenvolvidos por ONGs e, segundo Laporte, não se comunicam entre si. O programa, que já ajudou as vítimas do terremoto no Japão, também prevê trocar dados entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Um dos resultados será o aumento da expectativa de vida e a redução da taxa de mortalidade. No Brasil, o professor da Escola Paulista de Medicina, Laercio Franco, está interligado à rede com o apoio do Ministério da Saúde e entidades de diabéticos. Ele faz um levantamento há sete anos para identificar os diabéticos com menos de 15 anos de idade no país. Cerca de 20 cidades, a maioria de médio porte, estão interligadas. Laercio Franco trabalha com duas informações: as notificações dos médicos e das escolas. Também acompanha as amputações realizadas nos membros inferiores nas cidades do Rio. Brasília e Belo Horizonte. Os dados preliminares desta pesquisa revelaram que 70% das amputações são no nível da coxa, o que em casos de diabete e arteriosclerose é considerada uma medida radical e que poderia ser evitada.