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Jornal do Brasil

Internet terá a velocidade da luz - Físicos provam matematicamente a tecnologia

Publicado em 25 agosto 2004

TORONTO - Uma pesquisa canadense provou que a nanotecnologia (técnicas de manipulação em escala de milionésimo de milímetro) é a solução para construir uma rede de altíssima velocidade baseada na luz. O estudou foi publicado na revista Nano Letters, pelos cientistas Ted Sargent e Qiying Chen, da Universidade de Toronto, como informou a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp). Sargent e Chen conseguiram usar um feixe de laser para direcionar outro feixe, controlando o feito de maneira inédita. A técnica é desejada há tempos, em especial para estudiosos de fibras ópticas. Até agora, pesquisadores não haviam conseguido prever teoricamente o potencial da luz para controlar a própria luz. Essa impossibilidade ficou conhecida como a "lacuna quântica de Kuzyk". A referência é o físico Mark Kuzyk, da Universidade do Estado de Washington, primeiro a prever, em 2000, os limites da física nesta aplicação, conhecida como propriedades não-lineares de mate riais moleculares. Materiais moleculares utilizados para alterar sinais luminosos com a luz tinham se mostrado mais fracos do que indicavam os fundamentos da física. Com nosso trabalho, a capacidade de processar sinais que contenham informação por meio da luz se tornou algo prático - declarou Sargent, professor do Departamento de Engenharia Elétrica e da Computação. Para tentar vencer a lacuna quântica, Wayne Wang e Connie Kuang, da Universidade de Carleton, haviam projetado um material que combina partículas esféricas em escala nanométrica, conhecidas como bucky-balls, com um polímero criado no seu laboratório. A equipe de Sargent estudou as partículas ópticas do novo material híbrido e descobriu que era capaz de processar dados transportados em comprimentos de onda usados em telecomunicações, como nas fibras óticas. De acordo com os cálculos feitos pelos cientistas canadenses, sistemas de comunicação por fibra óptica poderão carregar sinais por uma rede global com tempos de resposta na escala do picossegundo (um trilionésimo de segundo). Isso significa uma internet pelo menos 100 vezes mais rápida do que a atual.