Notícia

Jornal de Brasília

Internet revoluciona pesquisa

Publicado em 05 maio 2002

A pesquisadora Anamaria Camargo, do Instituto Ludwig, recentemente conclui um projeto de 6 meses com 11 pesquisadores da Suíça. Nada fora do comum, a não ser pelo fato de que ela não conhece nem nunca ouviu a voz de nenhum deles. Todos os contatos ocorreram via Internet e o trabalho, sobre a identificação de novos genes no cromossomo 21, já foi aceito para publicação em uma revista americana. Na era digital, esse é o modelo adotado cada vez mais para os grandes projetos de pesquisa. Ao longo da última década, a Internet revolucionou a obtenção e troca de informações no meio científico rompendo qualquer de barreira física e proporcionando a realização de parcerias que antes eram impossíveis. "Até alguns anos atrás, uma pesquisa tinha normalmente de três a cinco autores. Hoje é normal termos trabalhos publicados com 20 a 30 autores, de vários cantos do mundo. Isso não existiria sem a Internet", diz Anamaria. Foi por e-mail que os suíços fizeram o primeiro contato com o grupo brasileiro e, ao fim do trabalho, combinaram trocar fotografias para se "conhecerem" - também via Internet. "É esse tipo de interação que está transformando a nossa ciência mais do que tudo", diz o pesquisador Andrew Simpson, que também assina o trabalho pelo Ludwig. Simpson foi o primeiro coordenador da rede Onsa (Organização para Seqüenciamento e Análise de Nucleotídeos, em inglês), o primeiro instituto virtual de pesquisa do País, criado em 1997 para gerenciar os programas de genoma da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Formado por dezenas de laboratórios e centenas de cientistas espalhados por todo o Estado, o instituto existe apenas na forma de um site. "Em vez de construir um prédio para reunir todos os pesquisadores e todo o equipamento, fica cada um no seu laboratório, ligado pela Internet", compara Anamaria. TROCA de informação ágil pela Internet facilita o desenvolvimento das pesquisas científicas