Notícia

Jornal do Brasil

Internet renova regras da botânica

Publicado em 15 maio 2010

Quatro novas espécies de plantas tropicais do género 5o-Xanum acabam de ser descritas. Mas a novidade não está apenas na descrição, uma vez que artigos sobre novas plantas são publicados às centenas a cada ano. A novidade é que, pela primeira vez na história da ciência, um estudo sobre novas espécies é publicado apenas na internet.

O trabalho foi publicado pela revista científica online PLoS One, por Sandra Knapp, do Museu de História Natural de Londres.

A denominação de novas plantas é regulamentada pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica (ICBN, na sigla em inglês), um código centenário que surgiu em 1753, com a publicação da obra Spedes Plantamm, do botânico sueco Carolus Linnaeus.

A publicação na internet da descoberta de novas espécies é um divisor de águas na história da nomenclatura científica. Afinal, o tradicional código de botânica nunca aceitou qualquer tipo de publicação de novos nomes que não fosse em revistas científicas impressas.

Mas a botânica Sandra Knapp trouxe uma alternativa, bem no estilo destes tempos de alta conectividade digital. A solução foi dar ao autor/cientista a prerrogativa para imprimir cópias de suas descobertas e distribuí-las para museus e insti-tuiçõesno dia da publicação online. Processo que, com a popularização dos computadores, é hoje bastante simples.

Segundo a Public Library of Science, responsável pela PLoS One, o artigo de Sandra é o primeiro a efetivamente publicar novos nomes de plantas inicialmente em uma revista eletrônica ao mesmo tempo em que seguiu as regras e recomendações da ICBN.

Além disso, como a PLoS One é de acesso livre e gratuito, o artigo está disponível a qualquer interessado da comunidade científica para ler ou copiar.

Autora de diversos livros e uma das mais respeitadas taxo-

DESCOBERTA - A

foto da Solanum sanchez-vegae e um desenho que segue padrões da nomenclatura de novas espécies

nomistas no mundo, Sandra Knapp conhece bem os códigos de nomenclatura.

— Esses códigos são possivelmente o melhor e mais duradouro exemplo de adesão voluntária a padrões científicos — comenta a cientista.

Os códigos se baseiam num histórico de trabalhos já publicados e contam com a adesão de cientistas aos padrões estabelecidos por gerações de taxono-mistas. Eles existem, aponta Sandra, para ajudar a manter a uni-fonnidade da nomenclatura das espécies, ao fornecer regras claras para publicação.

— Sem os códigos que governam a nomenclatura, seria o caos — explica. — Muitos nomes diferentes poderiam existirpara as mesmas espécies e espécies distintas poderiam ser referidas pelo mesmo nome. Isso impac-taria todos os ramos das ciências da vida, uma vez que o nome de uma espécie, seja um grao ou um patógeno, representa uma parte fundamental da comunicação de conhecimento sobre o mundo natural.

Novas recomendações tê-em sido introduzidas nos últimos anos de modo a servir de referência para a publicação eletrônica, cada vez mais imprescindível. Apropria Sandra presidirá a Seção de Nomenclatura no próximo C ongresso Internacional de Botânica, em 2011, na Austrália.

Com Agência Fapesp