Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

Internet é bom canal para ampliar as vendas

Publicado em 05 março 2005

Oferecer comodidade, cativar os clientes e, de quebra, aumentar os lucros é o sonho de todo lojista. Muitos conseguiram isso ao investir na Internet como canal complementar de vendas. Na hora de criar a loja virtual, no entanto, é preciso cautela. Deve-se investir em parcerias e na divulgação da página.
Com a loja virtual no ar há uma semana, Fabio Shoel, proprietário da marca Guelt, de moda e bijuterias, espera que as vendas aumentem cerca de 30%. "Abrimos o nosso campo de trabalho e oferecemos facilidades aos nossos clientes, que podem comprar sem sair de casa", afirma.
Em 2004, as vendas online cresceram 47%. O faturamento das vendas de bens de consumo chegou a R$ 1,75 bilhão e o número de e-consumidores cresceu de 2,5 milhões em janeiro de 2004 para 3,2 milhões em dezembro do mesmo ano, segundo dados da consultoria especializada e-Bit. Pedro Guasti, diretor geral da consultoria diz ainda que o ticket médio de compra é de R$ 300, um valor considerado alto.
Para aproveitar esse mercado que cresce a cada ano, lojistas investem cada vez mais na criação de versões virtuais. São mais de 600 mil sites cadastrados no Brasil, porém, não adianta apenas montar uma página na Internet. "É preciso investir em divulgação, fazer parcerias com shopping virtual e empresas, além de montar um bom plano de negócios", explica Guasti. Segundo o diretor da E-Bit, a concorrência para lojas virtuais é grande, "assim como em qualquer negócio".

Trabalhar a logística e a estrutura da empresa
Para investir em lojas online, o varejista precisa estar preparado não apenas para colocá-la no ar, mas também para trabalhar a logística e a estrutura da empresa. "Tivemos que integrar o sistema operacional com o nosso estoque, para que o e-consumidor não compre uma peça que não está mais disponível no estoque", explica. Além de pensar em como realizar todas as entregas e contratar novos funcionários para administrar os pedidos.
- A parte tecnológica é apenas a vitrine - diz Guasti. Os produtos mais vendidos são CD"s, DVD"s, livros e eletrônicos. As vendas de alimentos e de vestuário ainda engatinham. O consumidor é cauteloso na hora fechar uma venda pela Internet e comprar uma roupa que não experimentou ou comidas que não vê.
Alexandre Luiz de Lima, gerente de comércio eletrônico do Pão de Açúcar Delivery, diz que é uma tendência do mercado e que não há como escapar da digitalização. "Nosso consumidor iria pedir uma loja virtual", explica. Entretanto, Lima diz que ainda há receio por parte dos consumidores em fazer compras de alimentos pela Internet.
- A primeira experiência de compra na Internet provavelmente será de um CD ou um livro, e não de alimentos. Quando vejo um pedido de compras com verduras sei que aquele consumidor faz compras conosco há muito tempo - afirma. Segundo ele, os consumidores testam o sistema durante algum tempo até confiar. "É um processo cultural", justifica.

Caminho para entrar no mercado externo
O custo de uma loja virtual varia de R$ 2 mil há R$ 30 mil, sem contar os custos mensais de manutenção, com webdesigner e no controle da segurança da loja. "Investi na criação da loja virtual, pois percebi que estaria abrindo caminhos principalmente para a exportação", justifica Fabio Shoel, proprietária da marca Guelt. Porém, antes de colocar em prática a sua idéia ele percebeu o sucesso da iniciativa na confecção de seu pai.
- Hoje as vendas na Internet da confecção representam o mesmo valor que as vendas da loja física - afirma Shoel.
Para o diretor da consultoria e-Bit, Pedro Guasti para os pequenos é bem melhor preferir investir em áreas com menor concorrência.
Há 30 anos no mercado, a Simone Flores tem lojas virtuais que fazem entrega em todo o País. "Antes tínhamos apenas o site, onde o cliente via o arranjo e fazia a compra pelo telefone, mas há 10 anos investimento em vendas online", explica Claudio Cesar Reis, sócio-gerente .
Registrar o domínio na Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo (Fapesp) é o primeiro passo para que a loja possa ir ao ar. Contratar uma empresa especializada é o segundo. "Para fazer algo bem feito é imprescindível contratar profissionais", diz Reis, o empresário investiu cerca de R$ 6 mil.
Com a loja virtual, o faturamento da empresa aumentou cerca de 50%. Mas é preciso cuidado. "Trabalhamos com material perecível e o arranjo deve chegar exatamente como o consumidor viu na Internet. Se sair algo errado perdemos um cliente", explica.

Dicas REGISTRAR o domínio na Fapesp (www.registro.br)
CONTRATAR equipe de webdesigner
INTEGRAR a logística operacional ao controle do estoque
CONTRATAR equipe para entrega e controle dos pedidos
INVESTIR em divulgação e marketing
FAZER parcerias com instituições e shopping virtual