Notícia

Diário do Nordeste

Internet diminui distanciamento entre médicos e seus pacientes

Publicado em 21 agosto 2006

Assim como em toda a América Latina, a relação médico-paciente no Brasil ainda é considerada paternalista. De um lado está quem detém o saber científico e técnico e, do outro, quem depende desse conhecimento. Mas a internet está diminuindo esse distanciamento entre médicos e pacientes no país. É o que conclui um estudo realizado pela pesquisadora Wilma Madeira, coordenadora de projetos de pesquisa e de gestão do Instituto de Políticas Públicas Florestan Fernandes, em São Paulo.

Munidos de dados encontrados na internet, pacientes têm desenvolvido condições de argumentar sobre formas de tratamento e dividir com o médico a responsabilidade pela tomada de decisão. "A internet possibilita a desconstrução do poder simbólico que a figura do médico exerce no imaginário popular", disse Wilma Madeira em matéria distribuída pela Agência Fapesp.

A pesquisadora ressalta que a questão não é tirar a autoridade do médico, mas fortalecer a posição do paciente. "Ele precisa passar de submisso a parceiro na troca de decisões em relação a sua saúde", aponta. Autora de dissertação de mestrado sobre o tema, Wilma investigou de que forma os pacientes usam a rede quando precisam de informações sobre saúde e doenças. Durante três meses, um questionário ficou disponível em um site criado para a pesquisa e foi respondido por 116 internautas que entraram na página espontaneamente.

CONSULTA — Do total de entrevistados, quase 84% disseram buscar na internet informações sobre saúde para eles mesmos, familiares e conhecidos. Cerca de 85% já acessaram a rede depois de alguma consulta para conhecer melhor o diagnóstico. Para 67% dos participantes, além das buscas serem importantes para o melhor entendimento da doença, elas também possibilitam avaliar o conhecimento do médico.

No entanto, a pesquisadora alerta que ainda há muita euforia quando o assunto é a utilidade da internet no esclarecimento de questões de saúde. Se, por um lado, a rede é uma ferramenta poderosa de informação, o excesso de fontes, a má qualidade do que é divulgado e a falta de discernimento, ou posicionamento crítico, de quem consulta, muitas vezes mais confunde do que ajuda. "A informação disponível precisa ser encarada como subsídio básico e não deve ser confundida com conhecimento".