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Internet abre possibilidade de testar novas linguagens

Publicado em 21 fevereiro 2007

Internet abre possibilidade de testar novas linguagens Por Filipe Serrano Os artistas que começaram a publicar HQs na web tiveram um grande sacada. Por que não aproveitar recursos de multimídia para incrementar o visual dos quadrinhos?A partir da questão, desenhistas inteirados com tecnologia inseriram pequenas animações em Flash nos quadrinhos.

Em alguns casos, a novidade provoca a sensação de interatividade com a história. Mas sem perder a característica das HQs de que a pessoa deve imaginar a passagem de tempo e movimento entre um quadro e outro, conhecida como elipse.

"É uma revolução que traz códigos novos para os quadrinhos", diz o pesquisador Edgar Franco, autor do livro "HQtrônicas: do suporte papel à rede internet" (Ed. Annablume e Fapesp, 284 páginas) "Uma nova linguagem está nascendo que não se sabe para onde vai caminhar", afirma.

O autor explica que está sendo criado um tipo de arte que não se encaixa em nenhum dos padrões, nem de HQ, nem de desenho animado. "Eles podem ter trilha sonora, efeitos de som, animações e ser em 3D, mas carregam elementos dos quadrinhos tradicionais", afirma.

O artista Scott McCloud foi um dos primeiros a fazer experiências. Em seu site (www.scottmccloud.com) é possível conferir algumas delas. Na mais recente, de 2003, "The Right Number", o quadro principal com a história fica em primeiro plano. Bem no centro dele você consegue ver o quadro seguinte em tamanho menor. Ao clicar em uma seta, o recorte central se movimenta do fundo para frente, se sobrepondo ao desenho inicial.

Em "Zot! Online: Hearts and Minds", McCloud faz uma HQ na vertical que, dividida em 16 capítulos, soma 42,5 metros de altura. É um conceito que ele chama de "tela infinita", embora, ela tenha, sim, um fim.

Outra experiência que chama a atenção é Carl Comics. A HQ começa só com o primeiro e o último quadrinho na tela. Conforme você clica, um novo quadro aparece entre eles e, depois de 51 cliques, a história inteira se completa.

Além de McCloud, outra iniciativa bacana é o site Argon Zark do artista Charley Parker. A proposta dele é menos revolucionária, mas não menos cativante. Os quadrinhos são bem parecidos com as HQs impressas. Com uma exceção. São feitos em Flash e cada quadro contém uma pequena animação.

Para o pesquisador de análise estética em quadrinhos, Osni Winkelmann, o uso dos PCs na produção de HQs muda o traço do artista. "A colorização com softwares deixam as áreas coloridas definidas demais. Os traços não são soltos", diz ele.

Uma experiência brasileira com recursos digitais é feita no site da editora online HQNado. Alguns dos quadrinhos de diversos artistas têm uma versão tradicional e uma em movimento. "É um semi desenho animado", diz um dos criadores, Alessandro Scringolli.

SITES JÁ COMPETEM COM PAPEL Não faltam opções de sites na web para apreciar a arte dos quadrinhos. Brasileiros ou estrangeiros, as páginas oferecem desde HQs em formato de revista até tirinhas feitas somente para a internet.

Um deles é o Nona Arte (www.nonaarte.com.br). O site conta com 450 publicações para download em arquivos PDF de edições antigas de 156 artistas. Outra opção é o Webcomix (www.webcomics.com.br) com 18 artistas. Entre eles está Rogério Marcus, criador do personagem em crise existencial Pessoa.

Rogério desenha desde os 12 anos e é formado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mas nunca encontrou muito espaço no mercado editorial. "Acho fantástica a aproximação com o público. Tenho a esperança de a internet ajudar a alcançar o impresso", afirma.

O criador do Webcomix Henrique Fonseca Duarte explica que existe um conceito por trás das webcomics. "Não precisa ser só tirinha, e os artistas têm total liberdade para criar", conta. "Mas não é só colocar o desenho no site. Tem que publicar HQs novas todos os dias, sempre indicando a data." O problema é que poucos sites brasileiros conseguem ter algum lucro, e os artistas acabam publicando pela própria vontade de divulgação do trabalho. Essa é a principal diferenças em relação aos quadrinhos online feitos nos Estados Unidos. Alguns exemplos são os sites de HQs virtuais Player Vs. Player Online, Penny-Arcade, Keen Spot e Diesel Sweeties, que atraem anunciantes e milhares de leitores. No caso do PVPOnline, por exemplo, são mais de 200 mil visitas diárias.

No Brasil, um dos mais bacanas para saber as notícias do mundo dos quadrinhos é o UniversoHQ.