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Federação da Saúde

Internações em UTIs têm alta em 16 das 23 regiões do estado de São Paulo

Publicado em 19 maio 2021

As internações em leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para tratamento de pacientes com a Covid-19, apresentou alta em 16 dos 23 departamentos regionais de saúde do estado de São Paulo entre os dias 12 deste mês até esta terça-feira (18), o que representa 69,6% do total, ou quase sete em cada dez.

Dessas, 13 são do interior, incluindo o Departamento Regional de Saúde de Araraquara (273 km de SP), onde a alta foi de 8,47%; Registro (473 km de SP), com avanço de 8,16%; e São José do Rio Preto (437 km de SP), com evolução de 7,81%.

Os dados são da plataforma SP Covid-19 Info Tracker, criada por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e da Unesp (Universidade Estadual Paulista) com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo) para acompanhar a evolução da pandemia no estado.

Segundo a plataforma, em ao menos nove dessas regiões (39% do total), os índices de ocupação de leitos de UTI estão acima de 90%. Quem ocupa o topo da lista é Barretos, com taxa de ocupação de 98,3% de leitos de UTI Covid, seguida por Registro, com 98,2%; Marília, com 95,8% e Araraquara, com 94,9% de taxa de ocupação.

Por se tratar de dados dos departamentos regionais de saúde, o cálculo leva em consideração as informações das cidades que fazem parte de cada região. Por exemplo: o Departamento Regional de Saúde de Araraquara inclui dados da própria cidade de Araraquara e ainda de Ibaté, Américo Brasiliense e Dourado.

Individualmente, a taxa de ocupação de leitos de UTI em Araraquara é de 93%, pouco menor do que a registrada na diretoria regional.

Segundo os dados, enquanto o interior do estado apresenta avanço na ocupação dos leitos, três das cinco microrregiões da Grande São Paulo registram queda. A retração mais forte foi na Grande São Paulo Sudoeste (composta pelos municípios de Cotia, Embu, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra, Vargem Grande Paulista), que registrou queda de 4,13%.

A capital, que, sozinha, concentra mais de 35% das internações de UTI Covid em todo o estado, registrou uma pequena queda de 0,74% no período, já que passou de 3.496 pessoas internadas para 3.470.

Para Wallace Casaca, coordenador do Info Tracker, essa redução na ocupação dos leitos de UTI Covid da Grande São Paulo acaba por compensar a elevação da taxa de ocupação dos leitos de UTI no interior.

“A Grande São Paulo, que teve reduções da ordem de 30% com relação ao pico histórico das internações no final de março, está puxando o dado sumarizado [total] do estado para baixo, dando a falsa impressão que a situação está controlada”, afirma o pesquisador.

Outro fator que influencia no cálculo geral é a decisão do governo estadual de contratar novos leitos dependendo da demanda. Com isso, a taxa de ocupação muitas vezes não se altera. No dia 12 deste mês, quando 9.939 pessoas estavam internadas, a taxa de ocupação dos leitos de UTI Covid no estado estava em 78,2%. Nesta terça-feira, a taxa estava em 78,5%, no entanto, o número absoluto de pessoas internadas é de 10.159 (220 a mais ou 2,2% superior).

“É claro que é importante abrir leitos, mas é muito mais importante, sobretudo, interromper a cadeia de transmissão”, afirmou.

Responsabilidade

Para o infectologista Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de infectologia da Unesp de Botucatu (238 km de SP) e consultor da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), a situação verificada no interior reflete a adesão da população às normas de flexibilização.

“Quanto mais se tem exposição ao vírus, obviamente maior o número de pessoas que podem evoluir para Covid grave precisando ser hospitalizadas e vindo a ocupar um leito de UTI”, afirmou.

Para o infectologista, o problema da flexibilização é a mensagem que essa ação pode transmitir, a de que “liberou geral”, o que pode levar à banalização das regras de prevenção. “É por isso que a comunicação deve ser muito bem feita”, afirmou.

Apesar de defender medidas de restrição mais intensas para contenção da circulação do vírus, o médico diz que, mesmo passado mais de um ano de pandemia, a mensagem da gravidade da situação ainda não foi “lida” pela população.

“Veja, eu não faço defesa de governante algum. Porém, é necessário simplesmente deixar de ser hipócrita. De quem é a culpa pela transmissão do HIV, se a pessoa não se previne? Talvez seja importante agora deixar para a população a parte que lhe cabe também. Senão é enxugar gelo. E tem uma hora que não se consegue mais conter a situação”, afirmou.

Em nota, o governo estadual afirma que vem se dedicando a monitorar de forma contínua a pandemia.

Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a média diária de casos passou de 813 no início de abril para 478 no início de maio, numa retração de 41,20%. No mesmo período, o número de novos casos apresentou queda de 15,7%, passando de 14.921 para 12.573. Já as internações se mantiveram estáveis, com médias diárias entre 2,400 e 2.300.

“É fundamental que a população colabore para evitar que mais casos, internações e mortes aconteçam. Os protocolos sanitários devem ser respeitados, com uso de máscaras, higienização das mãos, distanciamento social e as regras do Plano São Paulo”, diz o texto.

“As decisões relacionadas à retomada das atividades econômicas são feitas com base em todos os dados e pareceres do Centro de Contingência, para que possa ocorrer de forma consciente e gradual e permitir a eventual retomada das atividades econômicas dos setores por meio de indicadores coerentes do Plano São Paulo”, afirma a pasta.

A secretaria diz não concordar que a ampliação do horário de funcionamento do comércio e da ampliação da capacidade de atendimento possam ser classificadas como flexibilização.

Fonte: Folha de SP

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