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O Povo online

Interface facilita uso por idosos

Publicado em 30 março 2012

Sistema aponta soluções computacionais para a interação de idosos com smartphones. Dificuldades comuns à faixa etária, como problemas de visão ou de coordenação motora, são adaptadas por um software

Uma pesquisa realizada no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, desenvolveu uma solução computacional que permite que a interface de telefones celulares seja adaptada às necessidades dos idosos quando utilizam o aparelho.

O sistema desenvolvido pelo professor Jó Ueyama e o mestrando do ICMC, Vinícius Gonçalves, chamado de FlexInterface, detecta problemas de utilização e oferece uma reconfiguração (reorganização durante a execução do software) na interface do dispositivo, adequando-se ao perfil do usuário idoso.

De acordo com a pesquisa, foi constatado que os celulares são geralmente desenvolvidos para a população jovem. Percebeu-se que nem todos os idosos têm o mesmo perfil, pois alguns possuem problemas de visão, outros relacionados à doença de Alzheimer ou à coordenação motora.

"De acordo com o perfil do usuário há uma determinada interface. Nossa proposta é ter a interface se adaptando ao perfil de cada usuário", conta o professor Ueyama. "Por exemplo, para um usuário com déficit de visão, o sistema consegue detectar esse problema e disponibilizar ao idoso uma fonte e teclado maior para permitir que ele conclua sua tarefa".

Os pesquisadores desenvolveram o FlexInterface, um framework (programa de computação com funcionalidade genérica) que apoia o desenvolvimento do design de interfaces flexíveis, que baseado no middleware (programa que faz a mediação entre sistema operacional e aplicações) adaptativo OpenCom, da Universidade de Lancaster (Inglaterra), permite que a aplicação vá de encontro às necessidades do usuário durante a sua interação com o dispositivo.

Vinícius Gonçalves ressalta que para disponibilizar essa plataforma é necessário que o dispositivo disponha de um sistema operacional, que para essa pesquisa utilizou-se o Android.

"Com o FlexInterface é possível detectar a dificuldade de cada usuário baseado na entropia da cadeia de Markov. Por exemplo, na ocorrência de três erros de digitação, o sistema adapta-se com letras maiores para facilitar a visualização", completa Gonçalves.

O projeto foi desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo [FAPESP], Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC) e Rede Nacional de Pesquisa (RNP).

Avaliação

Outro ponto interessante é que a pesquisa não trata somente da proposta, mas também busca testar a solução. Uma das maneiras é a avaliação das interfaces flexíveis por especialistas em inspeção de interfaces. Os pesquisadores perceberam que ainda não há um método específico para avaliar interfaces flexíveis de usuários idosos, então propuseram em seu trabalho uma abordagem para avaliá-las.

O objetivo da pesquisa é contribuir para o acesso participativo e universal do cidadão brasileiro ao conhecimento, um dos grandes desafios da pesquisa em computação no Brasil.

Durante os experimentos, os pesquisadores observaram idosos de vários perfis, classes sociais e níveis de escolaridade. Frente à diversidade de requisitos apresentada por esses indivíduos, investiu-se em esforços para o desenvolvimento de soluções que contemplem o maior número possível de usuários.

O trabalho de Mestrado de Gonçalves teve início em 2010 e está sendo desenvolvido em conjunto com a professora Vânia Neris, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O projeto aborda soluções computacionais para a interação de idosos com celulares.

A pesquisa traz alguns questionamentos como: "Os celulares atuais contemplam a população idosa?" "Esses dispositivos atendem às limitações desse público?" "O que está sendo feito para minimizar os problemas de interação dessa população com os celulares?"

Durante as pesquisas foi percebido que não basta apenas pensar em soluções sem ter o público idoso próximo. Foi então, que Neris propôs um projeto de extensão em parceria com a Prefeitura Municipal de São Carlos, em um Centro de Referência de Assistência Social (Cras).

O projeto intitulado "Idosos e a Descoberta da Interação com Tecnologias de Informação e Comunicação", proporcionou aos idosos "desmistificar" a tecnologia e estabelecer em alguns momentos sua primeira interação com o dispositivo.

Nessa experiência, eles puderam também ter contato com tablets, smartphones, TV digital e notebooks, assim como acesso a Internet.

A pesquisa foi premiada como Best Paper (Melhor Trabalho) no X Simpósio Brasileiro de Fatores Humanos em Sistemas Computacionais e no quinto Congresso Latino-americano de Interação Humano-Computador.

O quê

ENTENDA A NOTÍCIA

O FlexInterface é um sistema desenvolvido na Universidade de São Paulo que propicia interfaces flexíveis em smartphones, permitindo assim sua adaptação às necessidades específicas de usuários idosos.