Notícia

Secretaria de Ensino Superior (SP)

Interdisciplinaridade é um dos desafios do magistério brasileiro

Publicado em 30 outubro 2008

Por Maria Alice da Cruz, do Portal da UNICAMP

Professora mostrou aos presentes a importância de dar voz às necessidades e expectativas dos alunos.

"Compreender a alma de cada um é um exercício importante, pois sem isso, é impossível compreender a alma das crianças." Esta é uma das frases que devem acompanhar educadores presentes na 25ª edição do Fórum Desafios do Magistério, realizada nesta quarta-feira (29), no Centro de Convenções da UNICAMP. Ao abrir a alma de sua infância, de sua adolescência e de sua atuação como uma das principais pesquisadoras da importância da interdisciplinaridade na educação, a professora da PUC- São Paulo Ivani Catarina Arantes Fazenda mostrou aos presentes a importância de dar voz às necessidades e expectativas dos alunos. "Eu era uma aluna de nível médio. Minhas notas não passavam de 7. Eu não me interessava pelo que a escola queria me ensinar, mas encontrei na literatura o estímulo para me tornar uma pesquisadora."

Um porão cheio de livros era o local preferido na casa do avô da estudante que foi desmotivada por alguns professores de uma tradicional escola de São Paulo. "Era meu esconderijo." Estimulada a cursar magistério na mesma escola (na sua família, mulher não poderia fazer outro curso, na época), ela foi designada a atuar em salas de aula lecionando história e, não-satisfeita com a ofertas do currículo de magistério, segundo ela voltado mais para a burocracia da sala de aula, decidiu enriquecer os conhecimentos de seus alunos misturando história e literatura. "Por meio de textos literários, estimulei meus alunos a estudarem história. Hoje, sei de alunos que ocupam cargos proeminentes em vários lugares e fico orgulhosa disso", diz Ivani. Assim, começaram os primeiros passos rumo à pesquisa interdisciplinar. Hoje, conselheira da Fapesp e coordenadora do Gepe na Faculdade de Educação, Ivani diz que para desenvolver atividades interdisciplinares é preciso ter uma disciplina interna para saber quais as oportunidades, as fraquezas e tentar enfrentá-las.

Ao final da conferência, convidou cada educador a escrever sua própria história, a história da alma para que se possa escrever a história da educação brasileira num momento de crise educacional. Para isso, enfatizou, é preciso que as pessoas aprendam a se ouvir. "Ouvir o que o outro em a dizer é ma coisa maravilhosa. É na potencialidade do conhecimento de cada um com o outro que construímos um mapa do conhecimento maior", concluiu.

De acordo com os organizadores do fórum, apesar do número de pesquisas e documentos sobre a importância da interdisciplinaridade na produção do conhecimento e na escola básica, pouco se avançou na prática de ensino-aprendizagem. Neste sentido, o fórum, organizado pela FE da Unicamp, pela Associação de Leitura do Brasil (ALB) e pela rede Anhangüera de Comunicação (RAC), especialistas brasileiros para conferir sobre temas como "integração curricular e a escola" e "interdisciplinaridade, currículo e escola: práticas e experiências".