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Inteligência Competitiva Tecnológica: Por que São Paulo (Brasil) atrai companhias novatas

Publicado em 28 agosto 2014

Por Jonathan Moules

As TechnoLatinas, nome pelo qual as empresas digitais novatas da América do Sul são coletivamente conhecidas, têm uma forte presença na capital financeira do Brasil. São Paulo possui o maior e mais poderoso ecossistema de startups do mais populoso país da América do Sul, com uma difusão de companhias que vão do estágio inicial aos mais estabelecidos.

Ponto positivo: como principal centro financeiro da América Latina, a cidade hospeda quase todos os escritórios das multinacionais na região. Há também grandes oportunidades locais pelo tamanho do mercado, graças à população paulistana, de 11,3 milhões de habitantes. A cidade hospeda uma grande variedade de eventos de negócios, tecnologia e empreendedorismo, e possui uma série de universidades conceituadas. São Paulo é a quarta cidade do mundo a receber um Google Campus, um espaço criado pela companhia de tecnologia americana para promover empresas iniciantes, que será aberto no começo de 2015.

Ponto negativo: a combinação de 11,8 milhões de habitantes com 7 milhões de automóveis em uma cidade com só 74 Km de metrô significa que grandes congestionamentos são comuns. A burocracia brasileira também é um desafio, segundo empresários locais.

Destaques locais: a Dafiti, uma companhia de comércio eletrônico especializada em calçados e roupas, vem obtendo o maior crescimento entre as varejistas on-line de moda no Brasil. Ela levantou quase US$ 250 milhões em várias rodadas de financiamento externo. A Kekanto é uma rede social que funciona como um guia boca-a-boca on-line, onde os usuários trocam avaliações de lugares. Desde que foi fundada, em maio de 2010, já captou US$ 5,6 milhões em investimentos externos.

Mostre-me o dinheiro: o Startup Brasil é um programa do governo federal que investe cerca de R$ 200 mil em cada empreendimento que aprova. O financiamento a projetos de tecnologia também está disponível por meio do programa de pesquisa da Fapesp, em São Paulo. O programa de aceleração para startups da área agrícola almeja estimular o empreendedorismo por meio da educação, cultura e acesso a investimentos.

É fácil de chegar? São Paulo é atendida por três aeroportos internacionais e ligada a um número crescente de cidades brasileiras por ar e rotas de ônibus.

O que os moradores locais dizem? Yuri Gitahy, da Founder Aceleradora, um programa brasileiro de aceleração, diz: Uma grande mudança econômica está ocorrendo com a ascensão as classes mais baixas, o que gera um mercado consumidor enorme que evoluirá nos próximos 10 ou 20 anos. Portanto, não se trata do ecossistema, e sim do número crescente de oportunidades de mercado. Augusto Camargo, cofundador da aaTag, de cartões de fidelidade, afirma: A grande atividade empresarial em São Paulo torna fácil a abertura de uma boa rede de negócios em duas semanas. O maior problema é estrutural: é muito complicado estruturar um investimento baseado em opções ou notas conversíveis baseadas no sistema legal brasileiro.

Fonte: Financial Times, de São Paulo, Valor, 27/8/2014