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Integração e inovação

Publicado em 09 agosto 2011

Centro de Terapia Celular de Ribeirão Preto integrou pesquisadores e estimulou inovação na área. Novo edital do programa Cepid recebe inscrições até 15 de agosto.

As tentativas de se realizar de forma precoce e deliberada aplicações clínicas de células-tronco mesenquimais, sem que os mecanismos moleculares fundamentais que envolvem essas células estejam totalmente esclarecidos, têm resultado em uma certa desilusão em relação à eficácia do uso dessas células para o tratamento de doenças autoimunes. A avaliação é de Marco Antônio Zago, pró-reitor de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Centro de Terapia Celular (CTC), em Ribeirão Preto.

"Estão sendo feitas promessas de que será possível curar certas doenças e fazer pessoas com deficiência motora andarem com o uso de células-tronco, por exemplo. Mas isso é algo ainda distante. É preciso antes conhecer os mecanismos moleculares que envolvem tanto essas células como as patológicas, para que, de fato, elas possam ser utilizadas em terapia celular", disse Zago à Agência Fapesp.

Segundo ele, foi justamente para buscar esclarecer os mecanismos dessas células e tentar dominá-los que foi criado o CTC. Um dos 11 centros selecionados pela Fapesp em 2000, no primeiro edital do programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid), o CTC é encabeçado por nove pesquisadores principais e investiga mecanismos celulares básicos, características e processamento das células usadas para terapia, pacientes afetados pelas doenças a serem tratadas e modelos animais dessas doenças.

Ao ser selecionado para receber apoio do programa, por um período de 11 anos, que expira no fim de 2011, segundo Zago o CTC conseguiu reunir um conjunto de pesquisadores que se conheciam e trabalhavam em áreas de estudos afins, mas que nunca haviam atuado em conjunto em um projeto de pesquisa comum. Com isso, foi possível alinhar e aumentar a produção científica deles.

"Uma das conquistas do CTC, e isso é notório ao longo dos últimos anos, foi aumentar intensamente a qualidade da produção científica do grupo de pesquisadores. O número de citações e de trabalhos em colaboração cresceu enormemente, o que significa que sincronizamos e começamos a fazer uma produção científica de maior relevância", afirmou.

Um dos trabalhos de mais alto impacto realizado pelo grupo de pesquisadores do Centro foi uma pesquisa sobre o tratamento de diabetes mellitus tipo 1 empregando células-tronco do próprio paciente. Publicado em 2007 no The Journal of the American Medical Association(Jama), o estudo se tornou notícia na mídia internacional.

"Ao esclarecer os mecanismos moleculares dessas células e tentar dominá-los, é possível aplicar esse conhecimento em estudos clínicos, como ocorreu nessa pesquisa", disse Zago.

Outro ganho obtido pelo CTC, segundo seu coordenador, foi possibilitar a formação de jovens pesquisadores na área de terapia celular em um número muito maior do que se os grupos de pesquisa continuassem trabalhando isoladamente como estavam antes da formação do Centro. "O que é uma conquista bastante relevante, considerando também que estamos sediados no interior do estado e relativamente distantes da capital", disse.

"A quantidade de alunos de pós-graduação que vêm de fora para participar do processo de formação de pesquisadores também aumentou muito. E alguns desses jovens pesquisadores foram incorporados ao nosso grupo", destacou Zago.

Difusão do conhecimento - Entre os jovens pesquisadores que passaram pelo programa de formação de CTC há alguns que estão começando a abrir empresas de base tecnológica. Um fato que, na opinião de Zago, revela outra contribuição do programa Cepid, ao introduzir a necessidade de os pesquisadores se preocuparem com a transferência tecnológica para o setor produtivo.

"Éramos um grupo estritamente acadêmico, e o Cepid introduziu essa preocupação com a questão da transferência tecnológica. Em função disso, obtivemos patentes e nos aproximamos de empresas", afirmou.

O CTC também desenvolveu diversas ações na difusão para a sociedade do conhecimento adquirido pelo Centro. Um exemplo é o programa Casa da Ciência, que teve início em 2001 e desenvolve atividades de ensino de ciências voltadas para alunos e professores de escolas do ensino fundamental e médio da região de Ribeirão Preto, atendendo cerca de 30 municípios da região.

"Esse programa de divulgação científica do CTC é um dos mais ativos no Estado de São Paulo. Os estudantes frequentam continuamente a sede do Centro, têm contato com os pesquisadores e produzem uma grande variedade de materiais, que vão de livros educativos a jornal de ciências e peças de teatro. E isso não ocorreria se não fosse o apoio do programa Cepid", disse Zago.

(Agência Fapesp)