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Jornal Primeira Página

Institutos Nacionais têm primeira avaliação

Publicado em 30 novembro 2010

Por Geral

Coordenadores dos 122 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) se reuniram em Brasília nos dias 23 e 24 de novembro para fazer um balanço das ações desenvolvidas pelos institutos nos últimos dois anos.

Participaram também pesquisadores, avaliadores e consultores, totalizando mais de 500 participantes. O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) é o responsável pela coordenação da avaliação.

O Programa INCT foi lançado em dezembro de 2008 pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com recursos de R$ 607 milhões obtidos em parceria com as fundações de amparo à pesquisa estaduais.

A FAPESP financia 50% dos recursos destinados aos 44 institutos sediados no Estado de São Paulo. Responsável por R$ 113,4 milhões do total de recursos investidos nos INCTs, a Fundação só fica atrás do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) - R$ 190 milhões - entre as fontes financiadoras.

Os projetos aprovados têm as características dos Projetos Temáticos da FAPESP - modalidade que se destina a apoiar propostas de pesquisa com objetivos suficientemente ousados, que justifiquem maior duração e maior número de pesquisadores participantes.

Espalhados por todo o país, os INCTs funcionam de forma multicêntrica, sob a coordenação de uma instituição-sede que já tenha competência em determinada área de pesquisa - no caso paulista, vários dos INCTs foram integrados aos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP.

A mesa de abertura do evento em Brasília contou com a participação do presidente do CNPq, Carlos Alberto Aragão, do secretário executivo do Ministério da MCT e presidente do Comitê de Coordenação do Programa INCT, Luis Antonio Rodrigues Elias, do secretário da Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães, do presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, Mário Neto Borges, e do diretor do CGEE, Fernando Rizzo. O diretor científico Carlos Henrique de Brito Cruz representou a FAPESP.

O evento foi encerrado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende. Simultaneamente ao Encontro de Avaliação, foi realizada uma exposição com os principais resultados das pesquisas dos INCTs.

Segundo Aragão, o encontro foi uma oportunidade de trocar experiências entre os INCTs. "É a primeira vez que o país lança um programa com essa abrangência, com esse tipo de formato, tentando nos estruturar em rede. Acho que é uma experiência que tem tudo para dar certo, está dando certo, pode ser aprimorada, mas já está sendo reconhecida não apenas no Brasil, mas internacionalmente", disse.

Guimarães destacou que o principal desafio da área é investir o dinheiro adequadamente. "Eu acredito que o INCT seja talvez a ferramenta mais importante para fazer com que esses recursos sejam gastos com inteligência, com mais competência e responsabilidade", afirmou.

"A FAPESP contribui decididamente para o Programa INCT, sendo o segundo maior financiador. Fizemos isso porque o programa tem qualidades importantes, entre as quais facilitar a interação em redes de pesquisadores em todo o país, o que traz importante contribuição aos mais de 400 projetos temáticos que a FAPESP apoia", disse Brito Cruz.

Conquistas e dificuldades

De acordo com um dos participantes, José Carlos Maldonado, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do INCT em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC), a avaliação geral é que os primeiros resultados da iniciativa já começaram a aparecer.

"A avaliação foi muito positiva, considerando todos os institutos. No nosso caso, por exemplo, os 130 pesquisadores e doutores envolvidos com o INCT-SEC aprofundaram sua articulação com outros parceiros, o que constituiu uma base muito forte de competência na área de sistemas embarcados críticos. Além de muitos resultados tecnológicos e publicações, realizamos 12 cursos e temos mais de 300 alunos envolvidos", disse à Agência FAPESP.

No entanto, segundo Maldonado, a reunião mostrou que também existem dificuldades enfrentadas pelos INCTs, em especial na gestão das próprias redes e em aspectos legais da aplicação de recursos.

"Essas dificuldades fazem parte do processo de aprendizagem inerente à implantação dos institutos. Isso é natural, porque se trata de um programa inovador, que mudou os paradigmas de relações estruturantes e de articulação das instituições científicas no Brasil", afirmou.

A reunião permitiu que cada participante conhecesse o trabalho de outros INCTs, estabelecendo interfaces entre eles. De acordo com Maldonado, além de possibilitar a discussão de problemas comuns, o encontro foi uma oportunidade para avaliar em que grau pode haver migração de conhecimento entre os institutos.

"No nosso caso, isso fica ainda mais nítido: percebemos que há uma necessidade de contribuição da computação em diversos institutos. Aproveitamos para identificar essa demanda de ação multidisciplinar e, a partir daí, vamos procurar organizar a formação de recursos humanos do nosso INCT", afirmou.