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Gazeta Mercantil

Institutos de pesquisa vão ampliar parceria com empresa privada

Publicado em 04 maio 2006

Os institutos de pesquisas tecnológicos estão se preparando para atender a demanda do setor privado. "Não existe mais a idéia de se importar tecnologia", afirma Vahan Agopyan, novo diretor-presidente do Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT), empresa vinculada à Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. Segundo ele, tanto as empresas privadas quanto os órgãos do setor público já entenderam que, quando se compra uma tecnologia de fora do País, ela é na verdade uma versão antiga.
A saída: investir no desenvolvimento interno de tecnologias. "Em todo o mundo está havendo movimento de valorização da tecnologia. "Na Europa, por exemplo, já vemos falta de engenheiros. Já no Brasil vivemos um divisor de águas com o governo federal liberando recursos e entidades como a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) garantindo o financiamento contínuo de pesquisas", afirma, referindo-se a um dos grandes problemas que é a falta de continuidade das políticas públicas de incentivo.
Segundo Luis Fernando Madi, presidente da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisas Tecnológicas (Abipti), entre 1999 e 2006, uma série de ações deram ânimo ao mercado. Ele cita, entre outros a criação dos fundos setoriais; a incorporação da inovação junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia; o maior apoio financeiro para pesquisa dentro das empresas; a Lei de Inovação Tecnológica, aprovada em 2004; e a MP do Bem que cria incentivos fiscais para pesquisas dentro das empresas.
"Porém em nenhum momento foi feito um trabalho estruturado para que estas instituições de pesquisa estejam preparadas para a tender a demanda do setor privado", afirma Madi. Isso porque, a expectativa é que a participação dos investimentos em tecnologia no Produto Interno Bruto (PIB) passe de 1,2% para 1,4% até 2015. "Mas os institutos ainda estão agrupados em modelos jurídicos administrativos obsoletos." Para Madi, é necessária maior integração entre os governos federais e estaduais para priorizar estas instituições.
Os desafios dos institutos de pesquisa tecnológica (IPTs) estão sendo debatidas no Congresso Abipti 2006, que começou ontem e vai até o dia 5 de maio, no The Royal Palm Plaza Hotel Resort, em Campinas. O tema do encontro é "Competitividade e Riqueza Nacional: o futuro das Instituições de Pesquisa no Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação". O evento deve reunir cerca de 500 representantes de 95% das 181 instituições filiadas à entidade que fazem pesquisa e tecnologia, públicas e privadas, de todos os estados.
O IPT-SP trabalha com orçamento aproximado de R$ 100 milhões, sendo que 45% é proveniente do orçamento público. "O restante temos que correr atrás", afirma Agopyan, referindo-se às parcerias em projetos públicos e privados. No último ano, o instituto também investiu na sua capacitação e modernização laboratorial. Foram incorporados bens e equipamentos tecnológicos no valor de R$ 3 milhões.
Uma história de inovações
O Instituto de Pesquisa Tecnológicas (IPT) foi criado na virada para o século 20, período marcado por grandes descobertas e pela transição da estrutura econômica agrária para a era industrial. Sua história começa em 1894, quando um grupo de engenheiros, liderados por Antonio Francisco de Paula Souza, fundou a Escola Politécnica de São Paulo, passou a atender a crescente demanda de ensaios de materiais de construção, além de criar um curso para formar profissionais.
Em 1899, foi criado o Gabinete de Resistência de Materiais, que se tornaria o núcleo básico do que viria a ser o IPT. De laboratório, passou à categoria de instituto, com muitos centros de pesquisa especializados e serviços.
O instituto participou de grandes momentos históricos nacionais. No início dos anos 20, pesquisou materiais para a construção de estradas de ferro e usinas hidrelétricas. Durante a Revolução Constitucionalista e as guerras mundiais, orientou a fabricação de armamentos. Foi do IPT a incumbência de adaptar os motores ao gasogênio, devido à escassez de gasolina, na 2ª Guerra Mundial.
Entre seus feitos, destacam-se a assistência tecnológica à construção, entre outras, das rodovias Anchieta e Rio-Petrópolis, junto com as ampliações dos portos de Santos e Rio de Janeiro e da construção das principais usinas hidrelétricas do País como Paulo Afonso, Ilha Solteira, Sobradinho e Itaipu.