Notícia

Jornal de Piracicaba

Instituto realiza pesquisas que podem viabilizar produção de salmão no Brasil

Publicado em 24 julho 2020

Por Governo do Estado de São Paulo

Itens admirados por degustadores da gastronomia japonesa, o salmão e a truta são peixes cada vez mais procurados pela população paulista e brasileira. Classificados como salmonídeos, originários do hemisfério norte, as duas espécies ocupam parcela significativa da piscicultura comercial e da pesca esportiva e são objeto de estudos científicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, que mantém há mais de 50 anos a Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Campos do Jordão do IP (Instituto de Pesca), referência no Brasil e no exterior em pesquisas sobre o tema.

Criada em 1964 para promover o desenvolvimento da truticultura nas regiões serranas do Sudeste, a unidade de pesquisa continua na vanguarda ao desenvolver projetos de pesquisa na área de biotecnologia, que permitiu resultado inédito que pode viabilizar a produção de salmão do Atlântico em águas brasileiras, por meio de processo Unidade em Campos do Jordão se mantém na vanguarda no país ao desenvolver projetos na área de biotecnologia de aceleração da reprodução do peixe.

Os projetos foram conhecidos de perto pelo secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira, que visitou a unidade nesta semana, acompanhado pelo diretor do Instituto de Pesca, Vander Bruno dos Santos. Durante a visita, Junqueira conheceu as instalações e acompanhou todo o processo de desova, incubação e alevinagem dos peixes. O secretário visitou ainda a Truticultura Eco parque Pesca e Montanha, parceira do instituto.

BIOTECNOLOGIA

Uma pesquisa inédita do Instituto de Pesca possibilitou a geração de alevinos de salmão do Atlântico em dois anos, enquanto naturalmente são necessários quatro anos para a reprodução do peixe. A celeridade do processo está na utilização da truta arco-íris Divulgação como barriga de aluguel para produção do salmão.

Com a técnica, é possível acelerar o processo de melhoramento genético do salmão do Atlântico em até metade do tempo que seria necessário, levando em conta os métodos tradicionais. O estudo foi liderado pelo cientista do programa Jovem Pesquisador em Centros Emergentes da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) Ricardo Hattori, que desenvolveu a pesquisa no IP entre 2015 e 2019.

A dificuldade de se produzir salmão no Brasil está na temperatura das águas dos rios. A pesquisadora Yara Aiko Tabata explica que os salmonídeos, que englobam os salmões e trutas, existentes no País são do tipo landlock ed, ou seja, que fazem o ciclo de vida completo em água doce. No caso da truta, o cultivo é mais difundido no Brasil, pois ela já se encontra aclimatada e apresenta bons índices reprodutivos em águas com temperatura de 10 a 12. Já o salmão do Atlântico requer temperaturas mais baixas, ao redor de 8ºC.

“Se essa limitação é tida como um entrave para seu desenvolvimento, por outro lado, o fato de não encontrar em nossas águas temperaturas compatíveis para sua reprodução natural pode ser considerado uma condição interessante para que esta espécie venha a ser empregada como uma alternativa na pesca recreativa, sem riscos para o meio ambiente em caso de eventuais escapes ”, explica yara.