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Instituto perde dados de 40 projetos de pesquisa

Publicado em 28 fevereiro 2012

Fogo também destruiu todos os equipamentos do instituto nacional de ciência e tecnologia, formado por pesquisadores de 17 universidades

 

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais (INCT-APA), que desenvolvia cerca de 40 projetos na base brasileira na Antártida, perdeu todos os dados e materiais coletados na última fase das pesquisas, realizada entre os dias 10 e 24.

 

"Vamos esperar a volta de todos os pesquisadores para verificar se algum possui dados em outros computadores que possam ser recuperados", disse a bióloga Yocie Yoneshigue Valentin, coordenadora do INCT-APA.

 

Desde 2009, INCT-APA - formado por 200 pesquisadores de 17 universidades do País e sediado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - investiga principalmente os impactos ambientais na América do Sul, as mudanças climáticas e o meio ambiente marinho antártico.

 

Segundo Yocie, todos os equipamentos do instituto também foram destruídos pelo incêndio, entre eles um aparelho usado para medir e fotografar organismos microscópicos localizados na coluna de água da região. Adquirido por US$ 120 mil, estava sendo utilizado pela primeira vez. "Era nossa vedete, e o Brasil foi o primeiro país da América Latina a usá-lo", lamentou.

 

Menos afetado. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) teve mais sorte: seus projetos estão entre os menos afetados, pois ficavam alocados em módulos separados da estação. O Inpe possui quatro laboratórios na ilha. Os módulos de Ozônio e Meteoro ficam perto da área atingida; o módulo Ionosfera, a 300 metros da estação e o da Alta Atmosfera, a 1 quilômetro.

 

"Não houve dano no nosso equipamento, mas os módulos estão sem energia agora", alerta Neusa Paes Leme, coordenadora de dois dos três projetos do instituto no continente gelado. "Não deu tempo de proteger os aparelhos. Os cientistas tiveram de sair rapidamente. Sem o aquecimento, o ambiente ficará úmido e podemos perdê-los."

 

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, esteve ontem na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Ele quer se reunir com os líderes dos projetos para discutir uma forma de garantir que não haverá interrupção das pesquisas em andamento. "Temos alternativas. Há outras bases no continente, tanto brasileiras e estrangeiras, além dos navios de pesquisa."

 

COLABOROU ALEXANDRE GONÇALVES

 

Fonte: O Estado de São Paulo