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Jornal da Unesp online

Instituto Microsoft Research-Fapesp apoia projeto da Universidade

Publicado em 19 março 2011

Por Genira Chagas

O Instituto Microsoft Research-Fapesp de Pesquisas em TI promoveu, na quinta-feira (17/03), em São Paulo, o workshop ‘Revisitando o passado e planejando o futuro’, no qual anunciou as pesquisas selecionadas na quarta chamada pública de projetos, lançada em 6 de julho do ano passado. No evento também foram apresentados um balanço do acordo de cooperação científica entre a fundação e a companhia norte-americana e os resultados já obtidos pelos estudos apoiados desde 2006, início da vigência do acordo.

O projeto “E-fenologia: aplicação de novas tecnologias para monitorar a fenologia e mudanças climáticas nos trópicos” é um dos quatro contemplados na quarta chamada pública do Instituto Microsoft Research-Fapesp. Os demais são da UFSCar, da USP e do Instituto Agronômico (IAC). No evento, a pesquisadora Leonor Patrícia Cerdeira Morellato, coordenadora do estudo, falou dos objetivos da pesquisa.

Professora do departamento de Botânica do Instituto de Biociências (IB), Câmpus de Rio Claro, Patrícia explicou que fenologia é o estudo, ao longo do tempo, de fenômenos cíclicos recorrentes, tais como a floração e a frutificação, no caso das plantas, e sua relação com as condições do ambiente – temperatura, luz, umidade relativa, tempo. Ela observou que, atualmente, a fenologia tem sido importante indicador de mudanças climáticas, na medida em que detecta alterações comportamentais nos seres vivos.

Torre fenológica

Com enfoque na produção das folhas das plantas do Cerrado, o projeto prevê a criação de um sistema de monitoramento remoto de fenologia e de um protocolo de monitoramento de longo prazo para entender o processo de mudança no desenvolvimento foliar.

O financiamento contempla a criação de uma torre fenológica automatizada, equipada com uma estação climática e câmeras digitais posicionadas em diferentes alturas. Esse sistema permite o monitoramento constante do desenvolvimento das folhas, em espaços físicos mais amplos e em período de templo mais prolongado. O projeto considera, ainda, a criação de um protocolo para o processamento e a compreensão das imagens capturadas nas diversas condições climáticas.

Como forma de compreender se o sistema de monitoramento remoto é compatível com o monitoramento direto, ou seja, observação foliar feita pelos biólogos, a professora do IB pretende cruzar os resultados já conhecidos com os obtidos pela fenofase foliar remota. “Quero saber se o que a câmera vê corresponde com o que eu vejo”, enfatiza.

Para a especialista, embora a fenologia esteja inserida em diversas linhas de pesquisa, ainda não é uma linha de pesquisa em si. “A fenologia ainda é pouco desenvolvida no país”, ressalta. Patrícia coordena o único laboratório de fenologia do país, instalado no Câmpus de Rio Claro.

Sobre a seleção de seu projeto pelo Instituto Microsoft Research-Fapesp, a professora destacou a sensibilidade da fundação em apoiar um estudo que está na fronteira do conhecimento.

A solenidade de abertura do workshop foi realizada pelo diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz; pelo presidente da Microsoft Brasil, Michel Levy; e pelo diretor da Microsoft Research Connections, Harold Javid. Este proferiu a palestra ‘Esforçando-se para fazer a diferença’, na qual abordou como a Ciência da Computação supera desafios para contribuir em descobertas científicas.

O Instituto Microsoft Research-Fapesp de Pesquisas em TI prevê investimentos de R$ 5,3 milhões até dezembro de 2011 para o financiamento de estudos desenvolvidos em universidades e centros de pesquisas no Estado de São Paulo. Para Brito Cruz, o objetivo é que as pesquisas desenvolvidas por meio da parceria criem, além de novas aplicações, impactos positivos em termos de conhecimento.