Notícia

A Cidade On (Araraquara, SP)

Instituto de Química desenvolve curativo à base de celulose e própolis

Publicado em 06 janeiro 2011

Por Fernando Martins


Uma pesquisa do Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara promete abreviar o tempo de internação e evitar complicações infecciosas no tratamento e recuperação de pacientes com queimaduras e feridas crônicas. O estudo está desenvolvendo - em parceria com a empresa Apis Flora, de Ribeirão Preto - um biocurativo produzido a partir de celulose bacteriana e extrato de própolis.

O coordenador da pesquisa, Hernane Barud, explica que os testes com o produto, que é feito em forma de película, mostraram um alto grau de eficiência, principalmente na prevenção do crescimento microbiano e na liberação sustentada de própolis, que atenuou o tempo de tratamento e amenizou as dores dos pacientes. A adesão da própolis produz uma ação cicatrizante e antimicrobiana. "Além de regenerar a pele, o biocurativo consegue matar as bactérias que surgem junto com os ferimentos", explica o pesquisador.

Com o novo biocurativo, o paciente em tratamento poderá desempenhar atividades corriqueiras, como tomar banho ou ficar exposto ao sol. "Como o produto é impermeável, ele funciona como uma barreira bacteriológica, sem impedir que o ferimento respire", diz Andresa Aparecida Berretta, coordenadora da pesquisa na Apis Flora.

Outra vantagem apontada pelo pesquisador é que, pela transparência e por aderir com facilidade ao leito da ferida, a película possibilitará o acompanhamento constante da cicatrização. Um dos problemas no tratamento de queimados é que o curativo convencional pode provocar lesões todas as vezes em que é removido.

O extrato utilizado no composto, fornecido pela Apis Flora, é bastante específico e tem patente. Atualmente, o grupo prepara nova solicitação para o biocurativo com própolis. "Não é qualquer extrato de própolis que apresenta os resultados, mas o que a empresa desenvolveu, avaliou e depositou o pedido de patente", ressalta Barud.

Produção comercial já está prevista

Andresa Aparecida Berretta, coordenadora da pesquisa na Apis Flora, garante os avanços para a criação de um produto para consumo comercial. "Avaliamos as características, e o produto tem condições de obter industrialmente lotes reprodutíveis a fim de se registrar um medicamento nos órgãos reguladores", diz.

A pesquisa, que também conta com a participação dos professores Younés Messaddeq e Sidney José Lima Ribeiro, do IQ, contou com apoio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Fomos aprovados na primeira fase e garantimos R$ 120 mil para desenvolver o trabalho", diz Barud. Neste momento, é submetida à aprovação para a segunda fase do programa, com verbas que podem somar até R$ 500 mil.

A próxima etapa da pesquisa será o teste em animais. Depois de superada essa fase, o biocurativo será testado em humanos. "A meta é produzir o produto em larga escala. A previsão é que dentro de dois a três anos ele seja comercializado", finaliza Barud.