Notícia

Protec - Pró-Inovação Tecnológica

Instituto de Pesquisas Tecnológicas se moderniza

Publicado em 24 novembro 2009

Modernização tornou-se a palavra-chave do IPT nos últimos dois anos. Desde 2008, o instituto traz na pauta diária de discussões e ações a modernização de suas instalações. Infraestrutura, novos equipamentos e recursos humanos receberão investimentos de cerca de R$ 150 milhões até 2010. O objetivo é fortalecer os projetos de maior valor agregado em pesquisas avançadas, sem deixar de lado o atendimento às demandas tecnológicas das empresas. Atualizado e equipado, o instituto poderá trabalhar com maior capacidade no desenvolvimento tecnológico, buscando antever as demandas industriais.

Para atingir seu objetivo, o IPT quer fortalecer os setores nos quais atua, além de ingressar em novas áreas, como a pesquisa em materiais compósitos do Laboratório de Estruturas Leves, em implantação na cidade de São José dos Campos, e o Centro de Bionanotecnologia, em São Paulo, que será especializado em pesquisas sobre nano e biotecnologia de forma integrada.

A capacitação laboratorial, que oferecerá respostas rápidas e precisas às demandas das empresas, é um dos componentes importantes do projeto de modernização, que contempla também a gestão dos recursos humanos - o projeto inclui a contratação de cerca de 200 colaboradores por concurso público (realizado em 2008), o envio de pesquisadores para treinamento no exterior e o estudo de plano de cargos e salários.

O destino dos recursos

A maior parte dos R$ 150 milhões destinados à modernização do IPT vem do governo do Estado de São Paulo (80%), e, o restante, de instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Petrobras.

Somente para 2009 estão previstos investimentos do governo estadual de R$ 57 milhões: R$ 27 milhões para a importação de equipamentos (R$ 12 milhões já estão cotados) e R$ 30 milhões para obras civis. As obras incluem a construção dos três novos laboratórios - Ensaios Pesados, Bionanotecnologia e Compatibilidade Eletromagnética -, que consumirão R$ 20 milhões. Os R$10 milhões restantes para obras serão repartidos entre as melhorias dos acessos das vias dentro da própria sede, sanitários (juntos, eles ocupam uma área de 3 mil metros quadrados), escritórios dos centros técnicos, restaurante, área de recursos humanos, entre outros locais.

No esforço de oferecer respostas rápidas às demandas do mercado e trabalhar com mais propriedade na pesquisa avançada, o projeto de modernização do IPT enfatiza as novas capacitações laboratoriais dos seguintes centros:

Cetim (Centro Tecnológico da Indústria da Moda) - A oferta de serviços no âmbito do Cetim vem crescendo nos últimos anos, refletindo a variedade de serviços e empresas envolvidas na cadeia de produção de roupas e calçados no Brasil. Os ensaios com produtos têxteis são tradicionais no IPT - os primeiros testes remetem à época da fundação do instituto, quando chamava-se Laboratório de Resistência dos Materiais -, mas a necessidade de atualização é constante. O projeto Ampliação e Modernização da Capacitação Analítica Metrológica do Laboratório Têxtil vem sendo realizado com o apoio da Fapesp, da Finep, e de recursos do próprio instituto. A inauguração da reforma do laboratório de têxteis será realizada no segundo semestre.

Cinteq (Centro de Integridade de Estruturas e Equipamentos) - Dois projetos estão em desenvolvimento no âmbito desse centro. Um deles refere-se à instalação do Laboratório de Corrosão Interna de Dutos (Lacid), com conclusão prevista para novembro de 2010. Outro projeto trata da ampliação da infraestrutura do Laboratório de Corrosão e Proteção (LCP), inaugurado em 8 de julho. Assim, a área de corrosão do Cinteq terá sua infraestrutura física dobrada, com mais 1,5 mil metros quadrados de instalações.

Com os novos equipamentos de microscopia, a escala do trabalho mudará, passando de micro para nano. Haverá ainda equipamentos para a análise da corrosão a altas temperaturas, que permitirão aplicações práticas na indústria petroquímica, sobretudo na pesquisa de revestimentos resistentes a altas temperaturas.

Outra linha de investigação que se fortalece com o projeto é a de corrosão em armaduras de concreto. Essa é uma área em que o IPT tem competência estabelecida, mas que passa a atuar com o que há de mais moderno. Os novos equipamentos permitirão, por exemplo, que o prazo dos ensaios de corrosão sob tensão seja reduzido de um mês para dois dias.

Boa parte das novas capacitações destina-se a atender às novas demandas no setor de petróleo e gás, com a exploração da camada pré-sal, uma vez que o trabalho com óleo bruto e derivados ocorre a altas temperaturas.

Os equipamentos de microscopia, por sua vez, vão permitir estabelecer novas fronteiras na pesquisa de corrosão, pois os estudos do Brasil nessa área ainda são poucos em comparação às pesquisas mais desenvolvidas.

CMF (Centro de Metrologia de Fluidos) - Na área de mecânica dos fluidos, estão em desenvolvimento cinco projetos importantes de capacitação laboratorial:

1) Construção e montagem de laboratório de teste e ensaios de sistemas de medição de óleo e derivados líquidos de petróleo: esse laboratório fará parte da rede temática de metrologia da Petrobras. O aporte de recursos é da ordem de R$ 7 milhões, proveniente de parceiros como a Finep, o governo do Estado de São Paulo e a própria Petrobras;

2) Laboratório de Sistemas de Ar Comprimido e Gases (Lasag): será o primeiro laboratório do País para equipamentos de compressão de ar e gases, avaliando compressores, filtros e secadores, entre outros equipamentos. Por meio do desenvolvimento desse projeto, será possível certificar a qualidade do ar comprimido em sistemas hospitalares e industriais;

3) Ampliação da capacidade do Laboratório de Óleo, com o apoio da Petrobras e da Finep, prevista para o mês de novembro;

4) Modernização do Laboratório de Vazão de Gás: trata-se de um projeto de fomento, que garantirá a expansão e a atualização da tecnologia desse laboratório, em operação desde 1994;

5) Implementação de melhorias no túnel de vento: esse equipamento do IPT foi construído há cinco anos. O projeto de modernização permitirá que o túnel seja atualizado e instrumentado. Nessa nova fase, serão realizadas simulações com modelos de plataformas de petróleo, sobretudo para definir o estudo de layout de plataformas. Os recursos investidos são de R$ 3 milhões, incluindo a instrumentação com novos analisadores e obras civis.

Tais melhorias farão a Petrobras deixar de usar um túnel de vento na Dinamarca, atualmente o único em condição de atender à demanda. Com o processo de nacionalização, os ensaios ficarão mais acurados, uma vez que haverá mais tempo disponível para as investigações. O equipamento também é usado nas simulações dos esforços de vento sobre a estrutura de edificações.

CNAVAL (Centro de Engenharia Naval e Oceânica) - O plano de capacitação desse centro, denominado Projetos de Navios de Grande Porte: Incremento, Capacitação Laboratorial e Implantação de Centro Multiusuários, conta com o apoio da Finep e da Petrobras. O programa permitirá uma maior eficiência e agilidade na construção de modelos de navios, propulsores e apêndices de cascos. O centro multiusuários atuará nas áreas de hidrodinâmica de cascos, propulsão e manobra de embarcações.

Esse projeto terá impacto em diferentes segmentos da indústria naval, como a fabricação de máquinas e equipamentos de uso específico; construção e reparação de embarcações e estruturas flutuantes; transporte marítimo de cabotagem e de longo percurso, e pesquisa e desenvolvimento das ciências físicas e naturais.

Haverá também benefícios sob a perspectiva do impacto ambiental, uma vez que o projeto irá colaborar para mitigar os acidentes com embarcações. Além disso, facilitará o desenvolvimento de estudos e de modelos hidrodinâmicos, de sistemas computacionais e de métodos de medição de parâmetros físicos, sem contar a confecção com agilidade de modelos de navios e de propulsores.

Um importante equipamento que dá suporte a esses objetivos é um robô aplicado na usinagem de modelos, que reduz a produção de até 45 dias para até cinco dias. O sistema usa blocos de poliuretano com camadas de fibra de vidro para dar resistência aos objetos de ensaio. O robô, de origem sueca, tem 3,2 metros de braço e alcança essa distância na mesma circunferência. As novas instalações devem funcionar em setembro.

CTPP (Centro de Tecnologia de Processos e Produtos) - A modernização no centro começou na metade de 2008, por meio do planejamento de investimentos de R$ 9 milhões, na primeira fase. Os recursos foram direcionados para as áreas de nanotecnologia, compósitos, bioenergia e microtecnologia. Dos projetos de capacitação, dois são destaque: o desenvolvimento do processo tecnológico de laminação automatizada (fiber placement) em estruturas aeronáuticas, e a modernização da capacitação do instituto em caracterização microestrutural de materiais.

Os investimentos atualizarão o CTPP, em especial o Laboratório de Biotecnologia Industrial (LBI) e o Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas (LPP), com equipamentos de ponta. Eles serão aplicados principalmente no desenvolvimento de produtos e materiais, empregando ou não o conceito de intensificação de processos (microtecnologia). Está em planejamento também um edifício para abrigar o novo parque de equipamentos.

Para as pesquisas de bionanotecnologia e microtecnologia, por exemplo, estão sendo adquiridos cromatógrafos de fase líquida e gasosa de alta performance; microscópios eletrônicos de alto desempenho; plantas piloto instrumentadas; biorreatores e máquinas de microusinagem de precisão, entre outros.

Cetac (Centro Tecnológico do Ambiente Construído) - No âmbito desse centro, estão em desenvolvimento dois projetos de capacitação laboratorial:

1) Caracterização da reação ao fogo de materiais: o projeto conta com o apoio financeiro da Finep. O investimento total previsto atinge R$ 570 mil;

2) Laboratório de Chuveiros: recebe investimento de R$ 700 mil para ampliar sua capacidade metrológica, permitindo testes de maior confiabilidade e rapidez. A importância da pesquisa se dá principalmente porque o chuveiro é o equipamento de maior consumo de energia elétrica nas residências dos brasileiros.

Gestão do projeto

Como parte do suporte à capacitação laboratorial, o IPT criou, no mês de julho de 2008, a Célula de Gestão do Processo de Modernização. Constituída por uma equipe composta de colaboradores de todas as diretorias do instituto, a missão da célula é tornar mais ágeis os processos de contratação de bens, serviços e obras.

"A denominação célula deve-seao fato de ela ser uma reunião de colaboradores de diversos setores que, juntos, conseguem tornar os processos de construção e de compras e importações mais rápidos. Não deixamos de seguir a lei 8.666, que institui normas para licitações e contratos da administração pública, mas conseguimos reduzir os processos internos", diz Wilson Shoji Iyomasa, responsável pela Gerência de Modernização da Infraestrutura (GMI), criada no último mês de abril para coordenar os recursos e a execução das obras de instalação dos novos equipamentos laboratoriais.

"Antes, o pesquisador elaborava um pedido e entregava-o ao diretor do centro, que o encaminhava à diretoria, ou seja, havia uma longa circulação por vários departamentos. Agora, as solicitações saem da diretoria do centro para a Diretoria de Operações e Negócios e são encaminhadas para a Célula de Gestão", explica Iyomasa.

A GMI tem ainda sob sua responsabilidade a inserção dos dados das obras civis nos laboratórios em um cronograma unificado no sistema de gestão de projetos MS Project, que cruza essas informações com as das chegadas de equipamentos: "O objetivo é não deixar equipamentos parados. Isso pode trazer problemas não só de produtividade, mas também de perda da garantia do fabricante". Para cumprir essa meta, reuniões são realizadas todas as semanas para a programação de ações do período, envolvendo profissionais do IPT das áreas de projeto, infraestrutura, célula do projeto de modernização e diretoria.

O MS Project recebe as solicitações das áreas técnicas, que contêm as requisições de compras de equipamentos e detalhes sobre custo, prazo, instituições para o financiamento etc. Após a conclusão da compilação dos dados, a etapa seguinte é a definição de quais equipamentos serão adquiridos em 2009, para acelerar as obras e evitar que as máquinas fiquem paradas quando chegarem ao instituto. "Devemos combinar as ações de compras e obras, pois as primeiras são muito mais rápidas", explica Iyomasa.

A Gerência de Modernização da Infraestrutura realizou em seu boilers residenciais durante teste no laboratório de aquecimento de água do Cetac primeiro mês de trabalho o levantamento das necessidades de reformas e construções dos centros técnicos. "Em cada local, verificamos quais ações precisam ser tomadas e listamos os materiais; vamos aproveitar dados coletados pelo departamento de infraestrutura do instituto com propostas de projetos", afirma Iyomasa.

Primeiro balanço

A ideia do gestor é fazer uma caracterização das necessidades dos centros, das áreas administrativas e das áreas de apoio, para então discutir essas questões. As informações colhidas estão em processo de inserção no MS Project e serão compiladas com os dados (ainda em coleta) provenientes das avaliações de outras áreas, como o restaurante e a Coordenadoria de Recursos Humanos (CRH).

O levantamento das atuais condições dos centros técnicos mostrou aos pesquisadores a necessidade da execução de pequenas obras, como troca de pisos e de posições de tomadas, além de repensar a destinação de áreas ocupadas por móveis e caixas de documentos.

"Há muitos documentos em papel que poderiam ser microfilmados ou transformados em arquivo digital. Não podemos esquecer que muitos deles precisam ser guardados, mas outros poderiam ser armazenados de forma magnética", explica Iyomasa. Esse seria um próximo passo do projeto, no qual haveria a discussão sobre a construção de um prédio para o armazenamento dos documentos ou a terceirização da guarda deles.

A destinação mais adequada dos equipamentos em desuso ou desatualizados, encontrados pela equipe do GMI em suas visitas aos centros de pesquisa, seria, na opinião de Iyomasa, a doação para institutos voltados ao ensino técnico ou universidades.

A participação dos pesquisadores passará agora a ser fundamental para alterar o quadro encontrado. "Eles podem nos ajudar repensando o uso dos espaços e otimizando as áreas ocupadas com estações de trabalho, por exemplo, para que sobre mais espaço para os colaboradores". Para essas ações, a gerência de modernização está ampliando sua equipe. Entre as novas contratações estão um arquiteto e um tecnólogo em edificações, além de um estagiário.

(Fonte: Revista do IPT - Novembro de 2009)