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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Instituto de Física inaugura Laboratório de Multiusuários

Publicado em 03 maio 2012

O Laboratório de Multiusuários (Lamult) acaba de ser entregue oficialmente ao Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp. Trata-se de um laboratório do tipo Open Facility, cuja proposta é dotar de equipamentos mais sofisticados a comunidade interna e externa ao Instituto em pesquisas majoritariamente dessa área. O público-alvo é formado por alunos, professores e técnicos. O responsável pelo laboratório é o docente Mauro Monteiro Garcia de Carvalho, do Departamento de Física Aplicada.

Segundo ele, essa iniciativa vem da gestão do professor Júlio Hadler como diretor do Instituto de Física, ação que também foi priorizada pelo seu atual diretor, o professor Daniel Pereira. “O laboratório surgiu da constatação de que havia alguns equipamentos pouco utilizados, pela sua complexidade e por serem muito caros”, conta.

Júlio Hadler e o professor Francisco Marques, ex-diretor-associado do IFGW, resolveram montar um laboratório de multiusuários que pudesse oferecer à comunidade equipamentos mais sofisticados.  Hoje todos eles são muito procurados, garante Mauro Monteiro. Para se ter uma ideia, de janeiro a março, eles foram usados pelo menos 110 vezes. O seu uso principal é em pesquisa, tanto para teses como para trabalhos acadêmicos.

O laboratório teve recentemente um pesado financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em que foi injetado um valor de R$ 1 milhão para infraestrutura. Além disso, em breve o Lamult estará recebendo novos equipamentos, frutos de projetos mantidos com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), somando R$ 300 mil em recursos para o laboratório.

No momento, 35 equipamentos estão à disposição da comunidade, dos quais 15 para uso em pesquisa e os 20 restantes para uso mais comum. São voltímetros e microscópios, por exemplo, que se prestam a fazer a manutenção dos equipamentos de pesquisa. O parque instrumental da Lamult também possui em suas acomodações, entre outros, um espectrômetro de massa de íons secundários (Sims), difratômetro de raios-X D8 da Bruker, gravadora EGX350 da Roland, detector  de fugas para vácuo Leak Detector Varian MR15 - Agilent Technologies, etc.

Um dos valiosos equipamentos que o usuário poderá encontrar lá é um microscópio eletrônico, chamado Optoeletrônico, que promove um aumento de até 20 mil vezes na imagem. Mesmo diante desse alto grau de refinamento, tal microscópio, ressalva Mauro Monteiro, é de fácil uso. “Qualquer pessoa com conhecimentos básicos pode aprender a lidar com ele em meia hora”, dimensiona.

O microscópio analisa superfícies de materiais e interfaces, sendo também muito utilizado na área de Biologia. Ele tem um funcionamento similar a um microscópio óptico, mas com um amplo poder de ampliação. Possui ainda uma boa aplicação no setor industrial. Na indústria automobilística, permite observar a superfície de vários tipos de materiais utilizados na composição dos carros.

Outro equipamento que o Lamult tem, e que é único na Unicamp, é o sistema de escrita a laser de altíssima resolução. Um feixe de laser impressiona uma resina, a fotorresiste, depositada em cima de uma superfície. Essa resina, após ser impressionada, pode ser retirada com um revelador químico, expondo a superfície para qualquer outro tipo de tratamento, seja para deposição ou para ataque dessa superfície.

A vantagem desse sistema é, com ele, é possível fazer desenhos em um programa computacional que o reproduz com fidelidade na superfície do fotorresiste (do cristal). A sua resolução é muito elevada – algo da ordem de 1 mícron. Com isso, consegue-se fazer linhas muito finas, circuitos integrados e dispositivos eletrônicos e optoeletrônicos na ponta da pesquisa, entrando já na nanotecnologia.

“A sala que o abriga tem ao fundo uma luz âmbar, posto que o fotorresiste é extremamente sensível ao ultravioleta. Como a lâmpada comum tem um componente ultravioleta, ela pode estragar esse fotorresiste. Logo, temos que usar a luz âmbar para que ele, exposto à luz, não sofra efeitos inesperados”, explica o responsável pelo laboratório.

Mauro Monteiro espera que as pessoas visitem esse laboratório e que criem a cultura de dividir equipamentos, como notadamente outros países já fazem. Assim as agências de fomento evitarão ter que financiar pedidos de sistemas de escrita a laser para vários laboratórios da mesma unidade, exemplifica. O ideal, realça ele, é que as pessoas aprendam a trabalhar em conjunto, organizando o seu tempo para empregar equipamentos que deverão ser divididos. “Isso melhora o nível da pesquisa pois cada vez mais poderá se contar com equipamentos mais atualizados. Pretendemos que o laboratório seja de todos e que expanda muito as suas atividades.”

Usuários
O Lamult foi concebido para que o seu uso seja facilitado, bastando que o interessado marque uma data para lançar mão do equipamento. Se nesse dia o laboratório estiver disponível, autoriza-se o seu emprego. O agendamento é feito via Internet no site do Lamult.

O site, dentre outras utilidades, explica a origem do Lamult, os equipamentos disponíveis e os seus manuais, e como agendar uma visita ao laboratório. Além da importante infraestrutura que foi criada, Mauro Monteiro recebe apoio dos funcionários do Lamult Airton Lourenço, técnico de nível superior com doutorado e pós-doutorado; Rosane Palissari, que possui doutorado em Física Nuclear; e Jorge Luís de Lima, um técnico de nível médio. “Esses funcionários conhecem profundamente a rotina do laboratório”, expõe.