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Instituto da Secretaria de Agricultura contribui com pesquisa para inativar coronavírus

Publicado em 04 setembro 2020

Por Gustavo Aleixo

Análise de dados feita no Instituto de Zootecnia avaliou confiabilidade das informações obtidas no experimento com filme antiviral

 

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, por meio do Instituto de Zootecnia (IZ), colaborou com a análise de dados no experimento para criação de um método simples e inédito para higienização de mãos e superfícies em geral, utilizando uma película antiviral como alternativa ao álcool em gel – o detergente, conhecido produto de limpeza doméstica. Em poucos minutos, o produto é capaz de neutralizar em superfícies o vírus semelhante ao da COVID-19.

A pesquisa realizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) contou com o apoio do Laboratório de Biotecnologia do Centro de Pesquisa de Genética e Reprodução Animal do Instituto de Zootecnia, em Nova Odessa, do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro e de uma aluna de doutorado do Instituto de Química de São Carlos, da Universidade de São Paulo (IQSC-USP).

O desenvolvimento dos estudos envolveu pesquisadores dos centros de pesquisas da Embrapa – Instrumentação, Pecuária Sudeste e Suínos e Aves. Segundo o assistente técnico de pesquisa científica e tecnológica do IZ, Rodrigo Giglioti, doutor em Genética, do laboratório do IZ, o Instituto contribui com as análises de dados da pesquisa da Embrapa, avaliando a confiabilidade dos dados obtidos nos testes realizados com o filme antiviral e com o controle por meio de um modelo estatístico.

O convite para participar do trabalho surgiu pela necessidade de um profissional que utilizasse o modelo estatístico não paramétrico. “O modelo utilizado permitiu comparar as análises já realizadas e confirmar que os resultados são potentes para esse tipo de dado”, salienta.

Formulação

Os experimentos mostraram que em poucos minutos é possível inativar o coronavírus semelhante ao da COVID-19. O produto forma uma película antiviral, podendo ser utilizado nas mãos e em superfícies, como mesas, corrimãos, maçanetas, permanecendo por períodos mais longos do que o álcool – que é um produto mais volátil. Os estudos buscam colaborar ainda mais para o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Considerada uma formulação simples e de baixo custo, a mistura utiliza detergente e óleo vegetal para que o filme fique mais flexível e hidratante para pele, e para superfícies inertes foi feita a fórmula diluída em água. O resultado foi promissor, segundo os pesquisadores, pois milhares de vírus foram neutralizados em menos de 10 minutos.

Coronavírus aviário

Para acelerar a pesquisa, a estratégia foi utilizar o coronavírus aviário, que provoca gripe em aves e não causa doenças em humanos. Ele é semelhante, quimicamente e morfologicamente, ao SARS-CoV-2. Essa aplicação foi feita, pois o vírus da COVID-19 só pode ser manipulado em laboratórios com nível de biossegurança 3 – NB3.

De acordo com o estudo, ambos os filmes foram eficazes contra o coronavírus ACoV, confirmando-se como alternativa mais barata, principalmente para a população menos favorecida de países subdesenvolvidos, que não têm acesso a nenhum tipo de sanitizante comercial.

Os resultados do estudo também abrem caminho para uma série de possibilidades e aplicações da película contra outros vírus envelopados, diminuindo contaminações por outros microrganismos patogênicos.

A proposta dos filmes à base de detergente é que eles possam ser aplicados em superfícies, como maçanetas, corrimãos, lixeiras, portas de vidro, espelhos, outros objetos, e nas mãos, como uma eficiente alternativa para impedir a propagação do SARS-CoV-2, especialmente em locais em que são escassas as formas já conhecidas de profilaxia. Além do filme não ser inflamável e não apresentar riscos para as pessoas.

Protocolos

A próxima fase da pesquisa será realizada na Fiocruz, em laboratório de Nível de Biossegurança 3 (NB-3) – ambientes destinados à manipulação de agentes muito patogênicos. A equipe do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental Fiocruz está estabelecendo os protocolos para a realização dos testes no laboratório NB3, começando em breve.

O estudo apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Embrapa começou em fevereiro, quando a COVID-19 estava se espalhando pelo mundo e já tinha chegado à Europa.