O Instituto Butantan continua avançando com os testes clínicos da Butantan-DV, sua vacina de dose única contra a dengue, focando agora na proteção da população com mais de 60 anos. Iniciado em janeiro deste ano, o estudo é realizado em cinco centros de pesquisa na Região Sul do país, distribuídos pelas cidades de Porto Alegre e Pelotas, no Rio Grande do Sul, e Curitiba, no Paraná. O principal objetivo dos pesquisadores é analisar a segurança do imunizante e a resposta do sistema de defesa do corpo em pessoas de 60 a 79 anos, comparando os resultados com um grupo de controle formado por adultos de 40 a 59 anos.
Até o momento, o recrutamento de voluntários já atingiu 74% da meta prevista. Dados de meados de junho apontam que 736 pessoas foram selecionadas e 733 já receberam a dose da vacina, sendo a maioria delas composta por idosos. A escolha dos estados do Sul para a realização dos testes foi estratégica: por ser uma região historicamente com menor circulação do vírus da dengue, os cientistas conseguem obter dados mais claros e precisos sobre a eficácia do imunizante em pessoas que nunca tiveram contato anterior com a doença.
Mesmo com a recente suspensão temporária da aplicação da Butantan-DV no sistema público de saúde pelo Ministério da Saúde, que investiga relatos de segurança, os testes com os voluntários não foram interrompidos. A diretoria médica do Butantan esclarece que o ambiente dos centros de pesquisa é extremamente controlado e seguro, contando com profissionais capacitados para monitorar de perto qualquer sintoma ou reação dos participantes. O objetivo é alcançar quase mil voluntários para que seja possível detectar até mesmo reações adversas consideradas raras em uma nova faixa etária.
A Butantan-DV já possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a faixa dos 12 aos 59 anos e vinha sendo aplicada no país em projetos-piloto e em profissionais de saúde. Estudos publicados na revista científica internacional Nature Medicine apontam que o imunizante tem eficácia global de 65% e protege mais de 80% contra os casos graves da doença. Diante do histórico de milhões de infecções registradas no país nos últimos anos, estender essa proteção para quem tem mais de 60 anos é considerado vital pelos médicos, já que os idosos fazem parte do grupo mais vulnerável a complicações e mortes provocadas pela dengue.