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Correio Popular

Instituto Biológico é polo de excelência

Publicado em 14 dezembro 2009

Por Rogério Verzignasse

A parceria entre organismos públicos e iniciativa privada ajudam a fazer do Instituto Biológico (IB) um dos mais importantes centros nacionais de diagnóstico fitossanitário. Hoje, as análises científicas e a orientação gratuita sobre o controle de pragas na lavoura consomem investimentos da ordem de R$ 25 milhões anuais. Do montante, 20% (ou R$ 5 milhões) são disponibilizadas por empresas ou agências de fomento à pesquisa. Recursos usados no aparelhamento dos laboratórios, na contratação de especialistas ou no pagamento de bolsas a pós-graduandos. De acordo com o diretor-geral, Antônio Batista Filho, a estrutura credencia o instituto a identificar doenças vegetais e garantir qualidade a produtos da carteira brasileira de exportações.

No dia 30 de novembro, por exemplo, o Centro Experimental Central do Instituto Biológico, em Campinas, inaugurou um laboratório para o estudo de ácaros. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) investiram cerca de R$ 130 mil na adaptação do prédio e na compra de equipamentos modernos como câmeras de germinação, microscópios importados e leitoras de microplacas.

É um exemplo do processo de modernização que pretende implantar, no campo, o chamado "risco sanitário zero". Todos os institutos de pesquisa ligados à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), passaram a adotar tecnologia e procedimentos exigidos no Exterior. O próprio IB, no caso, alcançou uma marca importante, com 67 exames credenciados mundialmente.

De acordo com o diretor-geral, também cresce a cada dia a participação de empresas privadas no financiamento de pesquisas, com investimentos na construção de centros de pesquisa anexos às próprias fazendas ou linhas de produção. O dinheiro privado banca laboratórios com equipamentos avançados e os disponibiliza para atuação dos cientistas do instituto público. "As parcerias agilizam os procedimentos. Os resultados tendem a aparecer mais rapidamente", afirma.

Ácaros

Antes do dia 30, o estudo da acarologia se limitava a atividades de cientistas acomodados no laboratório de entomologia. A estrutura atual é festejada pelo engenheiro agrônomo Mário Eidi Sato, pesquisador contratado pelo IB há 20 anos. "Com os novos equipamentos, a gente consegue prestar serviço de excelência ao agricultor, além de formar pesquisadores", diz. O resultado dos experimentos do IB, explica, orientam ações preventivas e de auxílio prático no campo, além de revelar talentos para atuação em institutos de pesquisa e universidades.

O motivo que apressou a organização de um laboratório independente foi o aparecimento, na roça, de novas espécies de ácaros fitófagos, importantes vetores de vírus. O ácaro vermelho das palmeiras e o ácaro hindu dos citros já foram identificados no Brasil. São duas pragas que exigem investimentos milionários do agricultor na aplicação de acaricidas em estados como Roraima. Uma outra espécie de ácaro, no entanto, causa prejuízos em uma região bem mais próxima. O ácaro da erinose da lichia acaba de ser descoberto pelo IB nos sítios de Limeira. O ácaro ataca as folhas da planta, afeta a circulação dos nutrientes e compromete a formação do fruto.

Espécies

Além dessas três espécies, há pelo menos outras 17 conhecidas no mundo, que comprometem a produção rural. De acordo com Batista, cabe ao IB isolar os ácaros de cada amostra vegetal colhida no campo, identificar como ele age, orientar a aplicação de defensivos químicos ou sugerir técnicas alternativas de controle das doenças (como inimigos naturais das pragas).

A FRASE

"As parcerias agilizam os procedimentos. Os resultados tendem a aparecer mais rapidamente."

ANTÔNIO BATISTA FILHO

Diretor-geral do Instituto Biológico

O NÚMERO

25 MILHÕES DE REAIS POR ANO

É o investimento em análises científicas e a orientação gratuita sobre o controle de pragas

SAIBA MAIS

O Centro Experimental do Instituto Biológico em Campinas fica em uma área anexa ao Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim, na Rodovia Heitor Penteado, km 3 (estrada que liga o Centro a Sousas). As pessoas interessadas em obter informações detalhadas sobre as atividades do instituto, desde a fundação, podem acessar o site www.biologico.sp.gov.br. Este também é o endereço eletrônico com link sobre como visitar a sede paulistana do IB e os centros experimentais espalhados pelo Interior.

Instituição foi criada em SP, em 1927

A broca dos cafezais espalhou prejuízo milionário na lavoura de café em 1924. Naquele ano, o governo autorizou a formação de um grupo científico especial para ordenar o combate à praga nas roças do Interior. Em 1927, foi criado o Instituto Biológico de Defesa Agrícola e Animal, em São Paulo. No ano seguinte, a sede do IB começou a ser construída em uma gleba de 239 mil metros quadrados, o velho Campo do Barreto, na região do atual Parque do Ibirapuera, coração do trecho mais valorizado da cidade.

O edifício principal, projetado por Mário Whately no estilo art déco e que se tornou um dos exemplares mais importantes da arquitetura paulistana, levou 17 anos para ser construído.

Campinas entra na história do IB em 1937, quando o Estado adquiriu 164 hectares da antiga Fazenda Mato Dentro. A gleba passou a concentrar os laboratórios especializados na saúde vegetal. A propriedade rural original também é ocupada hoje, além do IB, pelo Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim, a maior área pública de lazer da cidade.

No começo da década de 80, foi incorporada ao IB uma fazenda experimental em Presidente Prudente para experimentos na área de sanidade em citros e onze laboratórios regionais em Presidente Prudente, Sorocaba, Registro, Pindamonhangaba, Ribeirão Preto, Marília, São José do Rio Preto, Araçatuba, Bauru, Descalvado e Bastos. (RV/AAN)